Lição
8: Israel no Plano da Redenção
Data: 22 de Maio de
2016
TEXTO ÁUREO
“Porque dele, e por ele, e para ele
são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!” (Rm 11.36)
Comentário: Depois do mais longo argumento teológico no
Novo Testamento, Paulo reflete sobre a sabedoria e ciência surpreendentes de
Deus em seu plano de salvação e irrompe em um louvor espontâneo. O Universo,
nós mesmos, nossa salvação e tudo mais, tudo é de Deus e opera através de seu
sustentador e, por último, sua glória. A resposta de cada criatura é dar glória
a Deus eternamente.
VERDADE PRÁTICA
A eleição da graça é formada no
presente por gentios e judeus nascidos de novo, bem como, no futuro, pela
conversão da nação de Israel.
LEITURA DIÁRIA
Segunda — Rm 9.1-3 - Paulo estava disposto a se sacrificar em
favor da conversão dos judeus
Terça — Rm 9.4 - Os israelitas não mereciam a salvação, mas
Deus os adotou como filhos
Quarta — Rm 9.6,7 - Todos os que confiam no sacrifício de
Cristo são descendentes de Abraão
Quinta — Rm 2.29 - A verdadeira circuncisão ocorre no
interior, isto é, no coração e espírito
Sexta — Gl 3.7 - Todos os que crêem em Jesus Cristo são
filhos de Abraão
Sábado — Gl 3.8 - Todas as nações da Terra seriam abençoadas
por intermédio de Abraão
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Romanos 9.1-5; 10.1-8; 11.1-5.
Romanos 9
1 — Em Cristo digo a verdade, não
minto (dando-me testemunho a minha consciência no Espírito Santo):
2 — tenho grande tristeza e contínua
dor no meu coração.
3 — Porque eu mesmo poderia desejar
ser separado de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo
a carne;
4 — que são israelitas, dos quais é a
adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto, e as
promessas;
5 — dos quais são os pais, e dos
quais é Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito
eternamente. Amém!
Romanos 10
1 — Irmãos, o bom desejo do meu
coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação.
2 — Porque lhes dou testemunho de que
têm zelo de Deus, mas não com entendimento.
3 — Porquanto, não conhecendo a
justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se
sujeitaram à justiça de Deus.
4 — Porque o fim da lei é Cristo para
justiça de todo aquele que crê.
5 — Ora, Moisés descreve a justiça
que é pela lei, dizendo: O homem que fizer estas coisas viverá por elas.
6 — Mas a justiça que é pela fé diz
assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu (isto é, a trazer do alto a
Cristo)?
7 — Ou: Quem descerá ao abismo (isto
é, a tornar a trazer dentre os mortos a Cristo)?
8 — Mas que diz? A palavra está junto
de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos,
Romanos 11
1 — Digo, pois: porventura, rejeitou
Deus o seu povo? De modo nenhum! Porque também eu sou israelita, da
descendência de Abraão, da tribo de Benjamim.
2 — Deus não rejeitou o seu povo, que
antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como fala a Deus
contra Israel, dizendo:
3 — Senhor, mataram os teus profetas
e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma?
4 — Mas que lhe diz a resposta
divina? Reservei para mim sete mil varões, que não dobraram os joelhos diante
de Baal.
5 — Assim, pois, também agora neste
tempo ficou um resto, segundo a eleição da graça.
HINOS SUGERIDOS
1, 290 e 310 da
Harpa Cristã.
OBJETIVO GERAL
Compreender a
“sorte” de Israel no plano da salvação.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos
referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o
objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.
I. Mostrar a
eleição de Israel dentro do plano da redenção;
II. Analisar o
tropeço de Israel dentro do plano da redenção;
III. Explicar a
restauração de Israel dentro do plano da redenção.
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Professor, no decorrer da lição
ressalte a soberania de Deus na história da redenção. Mostre que os israelitas
foram escolhidos pelo Senhor para receberem o Messias, independente das obras
dos patriarcas. Contudo, Deus não queria trazer somente favores e privilégios
para os judeus, mas Ele desejava, por intermédio deles, abençoar todas as
famílias da terra. Israel não compreendeu essa verdade, nem o plano da redenção
de Deus, rejeitando o Salvador. Os judeus acreditavam que por serem
descendentes de Abraão e ser também o “povo escolhido de Deus”, não
necessitavam de salvação. Eles rejeitaram o Messias, porém, Deus não os
rejeitou e por sua misericórdia fez com que nós, “zambujeiros”, fossemos
enxertados na oliveira (Rm 11.17).
O Israel de hoje, segundo Lawrence
Richards, “a comunidade da aliança escolhida por Deus, é composta de gentios
bem como de Judeus que creem nas promessas de Deus sobre Jesus”.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Paulo discorreu a respeito da
Doutrina da Salvação nos capítulos 1 a 8 da Epístola aos Romanos. Veremos nesta
lição que nos capítulos 9, 10 e 11, ele abre um parêntese para tratar a
respeito da “sorte de Israel” no plano da salvação. Aprendemos com estes
capítulos que Deus tem um plano especial para com Israel e que a rejeição deles
é apenas temporária até se cumprir a plenitude dos gentios, quando todo o
Israel será salvo.
Comentário: Nos capítulo 9 a 11 de Romanos, Paulo trata
da eleição de Israel no passado, da sua rejeição do evangelho no presente, e da
sua salvação futura. Esses três capítulos foram escritos para responder à
pergunta que os crentes judaicos faziam: como as promessas de Deus a Abraão e à
nação de Israel poderiam permanecer válidas, quando a nação de Israel, como um
todo, não parece ter parte no evangelho? Esta lição resume o argumento de
Paulo. Israel, em termos de nação, é o povo escolhido por Deus (Gn 12.1-3, 17.7-8;
Êx 19.5-6; Dt 7.6-26; Is 43.5-7; Jr 7.23; 13.11; At 13.17), não por seus
atributos mas, muito pelo contrário, pela graça e soberania de Deus. Ele disse
que, através desta nação, seriam abençoadas todas as famílias da terra (Gn
12.3).
I.
A ELEIÇÃO DE ISRAEL DENTRO DO PLANO DA REDENÇÃO (Rm 9.1-29)
1. O anseio de Paulo e a
incredulidade de Israel. O apóstolo deixa
explícito a elevada estima que possuía por seus compatriotas. Ele abre o seu
coração para expressar seus sentimentos em relação ao seu povo (Rm 9.1-5). Ele
desejava que todos, assim como ele, entendessem o plano perfeito da salvação
revelado em Jesus Cristo. Esse desejo de Paulo se intensifica quando ele lembra
os crentes romanos de que aos judeus foi dada a adoção, a glória, os pactos, a
Lei, o culto e as promessas. Paulo também os faz recordar que deles (dos
judeus) também descendem os patriarcas e o próprio Cristo! Mas, apesar de todas
essas bênçãos, o entendimento do povo judeu continuava, e continua, endurecido.
Comentário: Estamos no capítulo 9, dos versículos 6 a 13, Paulo
afirma que a promessa de Deus a Israel não falhou, pois a promessa era só para
os fiéis da nação. Visava somente o verdadeiro Israel, aqueles que eram fiéis à
promessa (Gn 12.1-3; 17.19). Sempre há um Israel dentro de Israel, que tem
recebido a promessa. Nos versículos 14 a 29, Paulo chama a nossa atenção para o
fato de que Deus tem o direito de fazer o que Ele quer com os indivíduos e as
nações. Tem o direito de rejeitar a Israel, se desobedecerem a Ele e o direito
de usar de misericórdia para com os gentios, oferecendo-lhes a salvação, se Ele
assim decidir. Embora Paulo seja o apóstolo dos gentios, ele reverbera os sentimentos
de Moisés em face da incredulidade dos judeus (Êx 32.30-32). Eles são seus
próprios compatriotas, e Paulo agoniza por eles (v. 2). Estar disposto a sofrer
a maldição divina, por eles, é uma fortíssima declaração de amor. Paulo destaca
que a incredulidade de Israel pode ser vista pelas inúmeras bênçãos por eles
experimentadas. Nesses oito privilégios que Paulo alistou nos versículos 4-5,
ele confirma sua anterior declaração em 3.1-2.
2. Os eleitos e as promessas de Deus. O argumento de Paulo em Romanos 9.6-13 revela
que as promessas de Deus relativas à nação de Israel não falharam, mesmo que a
maioria deles as tenha rejeitado. As promessas terão seu fiel cumprimento
através dos judeus remanescentes, dos gentios que abraçaram a fé e do Israel que
será restaurado no futuro. Essa porção das Escrituras é uma das mais debatidas
entre os teólogos. As posições se polarizam quando o debate é entre
determinismo e livre-escolha. Todavia, Paulo não está se referindo a eleição
individual, mas coletiva. O exemplo dos irmãos Jacó e Esaú, dado para ilustrar
o argumento do apóstolo, deixa isso evidente (Rm 9.10-13). A citação que Paulo
faz de Jacó e Esaú, nesse texto, é tirada do livro do profeta Malaquias 1.2-4.
Basta uma olhada nessas passagens para ver que o profeta não estava se
referindo às pessoas ou aos indivíduos “Jacó” e “Esaú”, que nessa época já
haviam morrido há muito tempo, mas a grupos ou povos. Isso é demonstrado em
Malaquias 1.4, onde Esaú é identificado com Edom, um povo e não um indivíduo.
Fica, portanto, evidente à luz desse contexto que a predestinação é
corporativa, isto é, de um grupo, povo, ou nação, e não de pessoas.
Comentário: Deus não escolheu Israel em detrimento das
demais nações. Deus ao escolher Israel, não o fez em detrimento, mas, sim, em
favor de todas as demais nações da terra. Aqui é importante salientar que a
ilustração dos vasos não advoga que Deus cria seres morais objetivamente
estruturados e programados para serem incrédulos, mas ilustra que foi Deus quem
formou a nação de Israel, porém permitiu que judeus pudessem desonrar o pacto
preestabelecido. O ponto distintivo e esclarecedor é que a eleição dos
israelitas, a princípio, não objetivava terminantemente a salvação eterna
deles, mas era uma eleição e predestinação específica para obra; até porque a
Bíblia afirma, tanto quanto Paulo, que os israelitas que não se converteram
serão condenados juntamente com os demais incrédulos (Rm 3.20, 28; Mt 11.20-24;
Gl 2.15, 16). Deus havia elegido Israel para a tríplice missão: demonstrar o
poder de Deus ao mundo, revelar a palavra de Deus ao mundo e revelar o Messias
ao mundo.
3. Eleição, justiça e soberania de
Deus. Nos versículos 14 a 29, do
mesmo capítulo nove, Paulo responde as indagações sobre a justiça de Deus e sua
soberania. Deus não poderia ser acusado de ter sido injusto com Israel por eles
se acharem no estado em que se encontravam. Paulo toma Faraó para exemplificar
sua argumentação. O apóstolo afirma que o endurecimento do coração de Faraó
ocorreu quando este resistiu à vontade de Deus (Êx 7.14,22; 8.15,32; 9.7). Da
mesma forma, Israel foi endurecido porque não aceitou a justificação que lhe
foi dada através de Jesus Cristo. O exemplo extraído da metáfora do vaso do
oleiro serve para fundamentar mais ainda a argumentação em favor da justiça e
da misericórdia de Deus. O argumento determinista que vê os “vasos de ira” e
“vasos de misericórdia”, como sendo uma referência aos salvos e condenados, cai
diante da exposição do próprio texto. Deus suportou os vasos da ira e eles se
tornaram, por si mesmos, objetos da ira de Deus; mas os vasos de misericórdia
participarão da glória de Deus, através da fé, pela graça de Deus, e não como
resultado das suas próprias obras.
Comentário: “Terei misericórdia de quem me aprouver
ter misericórdia” (9.15) é um texto mal interpretado pelos defensores da
eleição incondicional, pois, baseados nele, afirmam que Deus ama e tem
misericórdia apenas dos eleitos. Mas isto contrariaria a afirmação do próprio
Paulo, que, na conclusão deste assunto, disse que Deus tem misericórdia de
todos (11.32). Lembre-se também que, um pouco antes, ele proclamou a rica
misericórdia de Deus para com todos os que o invocam (10.11). Tal interpretação
também colide com diversas outras passagens bíblicas que falam da bondade e da
misericórdia de Deus para com todos os homens, como o Salmo 145.9, que diz: “O
Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias estão sobre todas as suas
obras”. Portanto, as promessas de Deus feitas a Abraão estão, sim, sendo
cumpridas no Israel de Deus, que é composto por judeus e gentios que creem em
Cristo. Deus tem direito de rejeitar a qualquer povo, mesmo os judeus, por sua
incredulidade, e eleger qualquer outro que ele quiser em seu lugar. Deus é
livre para estabelecer a fé como a condição para a salvação de judeus e
gentios.
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“A Tristeza de Paulo (9.1-3)
Nestes versículos o apóstolo Paulo
declara seu amor por sua gente, os judeus. Ele começa declarando: ‘Em Cristo
digo a verdade, não minto’. Visto que era conhecido como judeu zeloso, sua
conversão a Cristo o torna antipático para os judeus, que o viam como ‘um
traidor de sua gente’. Entretanto, Paulo garante que seus sentimentos são
sinceros e que sua consciência tinha o testemunho do Espírito Santo (v.1). Esse
texto mostra que sua consciência agia sob a orientação iluminada do Espírito
Santo.
No versículo 2, Paulo ainda declara
dizendo: ‘Que tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração’. É uma
expressão de profundo sentimento de amor e respeito pela sua gente, e não de
traição. A despeito da hostilidade dos judeus contra a pregação do Evangelho e
contra a sua pessoa, Paulo diz que, se fosse possível ele mesmo ser separado de
Cristo, para salvar ‘seus parentes segundo a carne’, ele o faria por amor a
eles. Essa linguagem é bem típica de quem ama profundamente e é capaz de dar a
sua vida para salvar outras.
Por que essa tristeza de Paulo para
com seus irmãos de sangue? A resposta é simples e objetiva: o repúdio do povo
judeu para com Jesus Cristo. Sua tristeza tem duas razões específicas:
Primeira, Paulo declara que os judeus são seus ‘parentes’ segundo a carne, mas
não querem ser seus irmãos segundo o espírito. Segunda, pelo fato de que os
judeus, possuindo privilégios especiais como nação, rejeitaram o ‘privilégio
maior’, que é a salvação em Cristo” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da
Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.104).
II.
O TROPEÇO DE ISRAEL DENTRO DO PLANO DA REDENÇÃO (Rm 9.30 — 10.21)
1. Tropeçaram em Cristo. Partindo do princípio de que a igreja de Roma
era formada em sua maioria por gentios, a parte judaica teria dificuldade de
entender porque os gentios haviam sido aceitos por Deus enquanto a maioria dos
judeus não. Paulo argumenta que o tropeço de Israel se deve ao fato de não
terem crido em Jesus, o Messias prometido (Rm 9.30-33). O que deveria ser
solução para eles tornou-se em tropeço. Por outro lado, os gentios, ao crerem
na graça de Deus, foram justificados, visto que a sua justificação veio em
decorrência da fé e não dos seus méritos.
Comentário: A pedra de tropeço é Jesus Cristo, o Messias
(veja 1Pe 2.6-8), que oferece salvação pela fé, não por obras, e, portanto,
exige assim que o orgulho humano seja humilhado. “Israel perseguiu a lei da
justiça, mas não a alcançou (v. 31). É chamada lei da justiça porque ela
mostrava aos israelitas como manter o correto relacionamento com Deus que
previamente lhes foi concedido. Por que eles não a alcançaram? Porque não foi
pela fé, mas como que pelas obras da lei. A frase “como que” indica seu
equívoco. Eles observavam a lei a fim de colocar Deus sob obrigação a eles.
Insistindo fazer de seu próprio jeito, eles tropeçaram em Cristo.”
2. Tropeçaram na lei. Nesse ponto, o apóstolo realça algo que ele
já vinha argumentando desde o capítulo 3. Os judeus, ao buscarem a sua justiça
própria através da Lei, acabaram por rejeitar a justiça de Deus que vem através
de Jesus Cristo (Rm 10.1-4). Querer agradar a Deus, seguindo os preceitos da
Lei, era andar na direção errada, visto que Cristo é o fim da lei (Rm 10.4).
Comentário: “Em 10.1-21 Paulo explica a afirmação
resumida em 9.30-33. O zelo de Israel não foi com entendimento. Eles não
conheceram a forma de Deus conceder o bom status de um correto relacionamento
com ele. Eles buscaram atingi-lo de seu próprio modo e não se sujeitaram ao
modo de Deus (10.2-3). Paulo explica isto no v. 4. Cristo é o objetivo, a
intenção e o real significado (telos, NVI, fim) da lei. Visto que a lei aponta
para Cristo, a justiça está disponível a todos que creem nele”.
Cristo cumpriu a lei e mereceu o
status de justiça e vida eterna para si e para aqueles que crerão nele. Nos
versículos 6 ao 13 Paulo demonstra que o Evangelho da justiça pela fé está
incluída na lei. A citação, “Não digas em teu coração” (v. 6), é de Dt
8.17 e 9.4, que alerta contra a jactância presunçosa em sua própria realização
e mérito, e exorta confiança no Senhor. Isto está completamente em harmonia com
a justiça pela fé.
3. Tropeçaram na Palavra. O evangelho de João já havia mostrado que
Jesus veio para o que era seu, mas que os seus não o receberam (Jo 1.12). Aqui
Paulo mostrará que a rejeição de Israel aconteceu, não por falta de aviso, mas
porque não quis ouvir aquilo que Deus havia planejado para ele. Endureceram
seus corações e tropeçaram na Palavra (Rm 10.14-21). Por outro lado, os gentios
responderam positivamente a essa mesma Palavra e, por isso, foram aceitos.
Comentário: Recapitulando o que já foi falado
anteriormente, para os israelitas que procuravam ser justificados pela lei, a
justiça ficou fora de seu alcance - “Mas Israel, que buscava a lei da
justiça, não chegou à lei da justiça”.(9.31). Mas em Cristo, a justiça
chega perto e pode ser alcançada pela fé. Paulo deseja a salvação dos
israelitas, mas entende que é possível somente por meio de Jesus e não negou a
perdição daqueles que confiavam na lei, mas ele queria que todos fossem salvos.
Os israelitas mostraram zelo por Deus, mas não segundo o entendimento do plano
do Senhor. Ao invés de aceitar a justiça de Deus, eles procuraram, em vão,
estabelecer o seu próprio sistema de justiça (2-3). É bom notar que essa
descrição dos judeus se aplica bem a muitas pessoas religiosas e zelosas de
hoje que ainda andam conforme doutrinas humanas. Da mesma maneira que os judeus
precisavam abrir os seus corações para examinar as suas crenças, todos nós
devemos ser abertos para aprender melhor e mudar as nossas convicções para
fazer a vontade de Deus. Corações orgulhosos e mentes fechadas impedem a
salvação de muitos.
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“A rejeição judaica da justiça
pela fé em Deus abriu espaço para um número muito grande de gentios a serem
enxertados na árvore enraizada na antiga aliança de Deus com Abraão. Esta não
deveria ser objeto de orgulho gentio, mas de advertência. Nunca abandone o
princípio de salvação pela graça através da fé” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do
Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo.
10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.747).
III.
A RESTAURAÇÃO DE ISRAEL DENTRO DO PLANO DA REDENÇÃO (Rm 11.1-32)
1. Israel e o remanescente. Os teólogos chamam a atenção para a
importância que a doutrina de um “remanescente” possui dentro da cultura
judaica (Rm 11.1-10). De fato, os profetas que se levantaram contra a apostasia
e o formalismo religioso acreditavam que Deus tinha uma reserva formada por
aqueles que eram fiéis (Am 2.12; 5.3; Is 1.9; 6.9-13; Sf 3.12,13; Jr 23.3). Em
Romanos 11.1-10, Paulo, que se considerava um dos remanescentes, cita o exemplo
de Elias. Para Paulo, da mesma forma que Elias se manteve fiel no meio do
Israel apóstata, assim também havia um remanescente que se mantinha fiel
através de Jesus Cristo.
Comentário: No capítulo 11 Paulo continua a sua
explicação da posição dos judeus diante de Deus e até o versículo 5 ele afirma
que Deus não rejeitou os judeus, porque um resto foi salvo. Os judeus não
acharam Deus injusto quando rejeitou a maioria na época do profeta Elias, pois
sabiam que os injustos não mereciam estar com Deus. Deus mostrou a sua bondade
poupando 7.000 fiéis que não serviam aos ídolos. Aqueles que mostraram a sua fé
foram poupados. Em Cristo, os judeus que acreditam em Cristo são salvos. A
eleição não foi aleatória, um ato do capricho de Deus. Os eleitos são aqueles
que aceitam a palavra de Deus.
2. Israel e o enxerto gentílico. Israel não conseguira entender que o plano de
Deus para a salvação incluía também os gentios (Is 9.6). Tropeçaram ao não
aceitarem a justiça de Deus manifestada em Jesus Cristo. Foi graças a esse
tropeço, argumenta Paulo, que os gentios entraram como um enxerto no plano da
salvação. Os gentios, portanto, não deviam assumir uma posição de orgulho, mas
de temor. Eles não eram os ramos naturais, mas faziam parte da “oliveira brava”
(Rm 11.11-24). Se Deus não havia poupado os ramos naturais, muito menos
pouparia os ramos enxertados.
Comentário: Da mesma forma que Deus usou a lei para
conduzir o homem à fé, ele usou a rejeição pelos judeus para conduzir muitos à
salvação, ou seja, quando os judeus rejeitaram a palavra, a porta foi aberta
aos gentios. Quando os gentios aceitaram o evangelho, os judeus ficaram
enciumados (v. 11). No versículo 12 Paulo argumenta que se a rejeição por parte
dos judeus abriu uma oportunidade para os gentios, a volta dos judeus mostraria
ainda mais a grandeza da graça de Deus. Alguns ramos da oliveira (figura para
judeus) foram quebrados, e ramos bravos (figura para gentios) foram enxertados
(v. 17). Paulo exorta os novos ramos afirmando que estes não têm direito de se
orgulhar, pois eles dependem da raiz (Abraão) (v. 18). O fato de serem
enxertados não sugere algum mérito dos gentios e não os coloca acima dos judeus
(19). A diferença é questão de fé, não de mérito: alguns judeus foram quebrados
por falta de fé e alguns gentios foram enxertados por causa de fé (20). Para
ficar na oliveira, os gentios teriam que manter o seu temor de Deus. Ele não
poupou os judeus incrédulos e rejeitará os gentios se eles se tornarem incrédulos
(21).
3. Israel e a restauração futura
(11.25-32). Embora Paulo se entristecesse
com a situação espiritual de seus compatriotas judeus, a sua posição em relação
a eles é de esperança e não de desespero (Rm 11.25-32). Paulo estava convencido
de que no futuro Israel será salvo. Para ele, isso terá seu cumprimento quando
se completar a “plenitude dos gentios”. A rejeição dos judeus trouxe a
justificação ao mundo gentílico. Quando Deus cumprir seu propósito para com os
gentios cumprirá também suas promessas de restauração para todo o Israel.
Comentário: No versículo 25 Paulo ainda combate ao
orgulho dos gentios, mostrando que a incredulidade dos judeus abriu a porta
para eles. Assim, “todo o Israel será salvo” (26-27). Não podemos considerar
esta frase sem o seu contexto. O contexto não afirma que todos os judeus
carnais ainda serão salvos. Paulo já havia dito antes que não é o Israel que é
o povo de Deus, mas sim o povo espiritual (2.28-29; 9.6-8; Gl 3.29). A salvação
de judeus seria possível somente através da fé deles, como mostram as citações
do Velho Testamento (26-27; veja Isaías 59.20-21, que mostra a salvação
daqueles que se convertem num contexto que demonstra a culpa dos judeus
rebeldes). E os judeus carnais? São inimigos em termos do evangelho, pois o
rejeitaram, mas ainda foi através deles que Deus cumpriu as promessas aos
patriarcas (28-29). A salvação de judeus seria possível nos mesmos termos da
salvação dos gentios: aqueles que deixarem a sua desobediência e confiarem na
misericórdia de Deus serão salvos (30-32).
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“Gentios e judeus (11.11-21)
A rejeição judaica da justiça pela fé
em Deus abriu espaço para um número muito grande de gentios a serem enxertados
na árvore enraizada na antiga aliança de Deus com Abraão. Esta não deveria ser
objeto de orgulho gentio, mas de advertência. Nunca abandone o princípio de
salvação pela graça através da fé.
Todo o Israel será salvo (11.25,26)
Paulo lança seus olhos ao passado
para as promessas feitas a Israel por Isaías (59.20; cf. Jr 31). A conversão em
massa de gentios a Cristo não significa que Deus repudiara as palavras dos
profetas do Antigo Testamento. Somente quando todos os gentios forem
convertidos é que o foco da história voltará a se concentrar em Israel (11.29)”
(RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a
Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.747).
CONCLUSÃO
Como vimos, os capítulos 9 a 11 de
Romanos demonstram a soberania de Deus na história da redenção. Revela que o
propósito de Deus concernente à eleição jamais poderá ser frustrado. Diante
disso, a atitude deve ser de temor, não de jactância. A história de Israel, seu
antigo povo, bem como a inclusão dos gentios no plano da salvação, mostra que
Deus respeita as escolhas, mesmo que estas se revelem danosas para aquele que
as fez. Em todo caso, o arrependimento e a fé são os caminhos que darão acesso
ao portão da graça de Deus.
Comentário: A Bíblia ensina claramente que Deus é
soberano sobre todo o universo (Dn 4.34-35), incluindo a salvação dos homens
(Ef 1.3-12). Mas com a soberania de Deus, a Bíblia também ensina que a Sua
motivação para salvar os perdidos é amor (Ef 1.4-5, Jo 3.16, 1 Jo 4.9-10) e que
o meio de Deus para salvar os perdidos é a proclamação de Sua Palavra (Rm
10.14-15). A Bíblia também declara que o cristão dever ser apaixonado e
determinado em compartilhar o Evangelho com os incrédulos; como embaixadores de
Cristo, devemos "implorar" as pessoas a se reconciliarem com Deus (2
Co 5.20-21). Diante disso, convido-os a investirem mais tempo e recursos em
Missões!
Tudo isso ainda é difícil de compreender? Devemos lembrar que vem de Deus, que é muito superior a nós (33-36). Leia Isaías 55.8-9; 40.13-14.
Tudo isso ainda é difícil de compreender? Devemos lembrar que vem de Deus, que é muito superior a nós (33-36). Leia Isaías 55.8-9; 40.13-14.
PARA REFLETIR
A respeito da Carta aos Romanos,
responda:
Os patriarcas e o Cristo descendiam de que povo?
Os patriarcas e o próprio Cristo
descendiam dos judeus.
As promessas de Deus em relação a Israel falharam com
a rejeição deles?
As promessas de Deus relativas à
nação de Israel não falharam, mesmo que a maioria deles as tenha rejeitado.
Segundo a lição, por que Israel foi endurecido?
Israel foi endurecido porque não
aceitou a justificação que lhe foi dada através de Jesus Cristo.
Paulo se considerava um dos remanescentes?
Sim, ele se considerava um dos
remanescentes.
Como os gentios passaram a fazer parte do plano da
salvação?
Como os judeus tropeçaram ao não
aceitarem a justiça de Deus manifestada em Jesus Cristo, os gentios entraram
como um “enxerto” no plano da salvação.
PASTOR LUCIMAR FERNANDES




