terça-feira, 28 de junho de 2016

Lição 01 - O quê é EVANGELIZAÇÃO


Lição 1- O que É Evangelização
3 de Julho de 2016

TEXTO ÁUREO
"Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado [...]." (Mt 28.19,20)

VERDADE PRÁTICA
Evangelizar é a missão mais importante e urgente da Igreja de Cristo; não podemos adiá-la nem substituí-la

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Lc 9.2  Jesus envia-nos a  evangelizar
Terça - At 10.42   Evangelização e testemunho
Quarta - 2 Tm 4.2  Evangelizar em todo tempo
Quinta- 2 Co 2.12 Portas abertas à evangelização
Sexta - 1 Co 1.17  A cruz de Cristo, a força do Evangelho
Sábado - 1 Pe 1.12 A excelência da evangelização

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Marcos 16.9-20
9 - E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios.
10 - E, partindo ela, anunciou-o àqueles que tinham estado com ele, os quais estavam tristes e chorando.
11 - E, ouvindo eles que Jesus vivia e que tinha sido visto por ela, não o creram.
12 - E, depois, manifestou-se em outra forma a dois deles que iam de caminho para o campo.
13 - E, indo estes, anunciaram-no aos outros, mas nem ainda estes creram.
14 - Finalmente apareceu aos onze, estando eles assentados juntamente, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por não haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado.
15 - E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.
16 - Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.
17 - E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome, expulsarão demônios; falarão novas línguas;
18 - pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão.
19 - Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu e assentou-se à direita de Deus.
20 - E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém!
SUGERIDOS:
18, 38, 227 da Harpa Cristã

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Prezado professor, neste trimestre teremos a oportunidade ímpar de estudarmos a respeito da missão mais importante da Igreja: a evangelização. Essa missão não é somente da liderança, mas todo crente tem a responsabilidade de anunciar as Boas-Novas.
O comentarista do trimestre é o pastor Claudionor de Andrade - escritor, conferencista, consultor doutrinário e teológico da Casa Publicadora das Assembleias de Deus.
Que possamos anunciar o Evangelho de Jesus Cristo, ajudando as pessoas a trilhar os caminhos do Senhor, pois em breve Jesus virá.

COMENTÁRIO/INTRODUÇÃO
Se não levarmos o Evangelho até aos confins da Terra, jamais seremos reconhecidos como discípulos de Jesus. Desde o início de seu ministério, Ele sempre fez questão de realçar a natureza evangelizadora de sua missão e da tarefa que nos confiou (Mc 16.15; Lc 8.1). Nenhum outro trabalho é tão importante e urgente quanto a evangelização. A Igreja, por ser Igreja, não pode ignorar as exigências da Grande Comissão: evangelizar a todos, em todo tempo e lugar (Mt 24.14). A evangelização compreende, também, o discipulado, o batismo e a integração do novo convertido. Se crermos, de fato, que Cristo morreu e ressuscitou para redimir-nos do inferno, não nos calaremos acerca de tão grande salvação (Hb 2.3). Aproveitemos todas as oportunidades para falar de Cristo, pois grande será a colheita de almas para o Reino de Deus. Comentário: Desde o tempo apostólico, a Igreja teve o entendimento de que a natureza da sua existência é dependente do ato de proclamar o Evangelho a toda a humanidade. Após o derramamento de Pentecostes, a Igreja não teve dúvida de que o seu caminho era proclamar com alegria e amor o Cristo Crucificado e Ressurreto a fim de que todo ouvinte quebrantasse o coração e se rendesse à soberania de Cristo (At 2.37).

I - EVANGELISMO E EVANGELIZAÇÃO
Evangelismo ou evangelização? Neste tópico, veremos que ambos os termos são igualmente corretos, pois a evangelização depende do evangelismo. Se este é a teoria, aquela é a prática. Comentário: Evangelho, evangelização e evangelismo distinguem-se quanto à prática, mas possuem as mesmas formações lingüísticas. Evangelização é o anúncio da mensagem. Evangelismo é a técnica de comunicação da mensagem.
1. Evangelismo. É a doutrina cujo objetivo é fundamentar biblicamente o trabalho evangelístico da Igreja de Cristo, de acordo com as narrativas e proposições do Antigo e do Novo Testamentos (Gn 12.1,2; Is 11.9; Mt 28.19,20; At 1.8). O evangelismo fornece também as bases metodológicas, a fim de que os evangelizadores cumpram eficazmente a sua tarefa (2 Tm 2.15). [Comentário: ‘Evangelho’ é a tradução do latim ‘evangeliu’, que, por sua vez, vem do grego ‘euangélion’, que significa “boa nova”. Os sufixos da língua portuguesa ‘-ismo’ (de origem grega) e ‘-ação’ (de origem latina) traduzem igualmente o termo grego ‘euangelízo’ e significam o ato de evangelizar. O sufixo ‘ismo’ indica uma ideologia, um sistema a ser seguido, algo consolidado como regra ou, que se acredita ser uma regra. Possui um caráter técnico, pois se propõe a ensinar o cristão a cumprir, de modo eficaz, a tarefa da evangelização. O evangelismo na igreja local implica uma ação organizada e ativada pelos membros, para desenvolver três ações necessárias à pessoa do evangelista: informação, persuasão e integração do novo convertido.]
2. Evangelização. É a prática efetiva da proclamação do Evangelho, quer pessoal, quer coletivamente, até aos confins da Terra, levando-nos a cumprir plenamente o mandato que Jesus nos delegou (At 1.8). A evangelização não é um trabalho opcional da Igreja, mas uma obrigação de cada seguidor de Cristo (1 Co 9.16). [Comentário: O sufixo ‘ação’ denota alguma atitude, movimento. Mateus 28.19,20 apresenta o imperativo evangelístico de Cristo à sua igreja, com quatro determinações verbais: ‘Ir’ - no sentido de mover-se ao encontro das pessoas, a fim de comunicar a mensagem salvífica do evangelho; ‘Fazer’ discípulos - Com o sentido de “estar com” as pessoas e torná-las seguidoras de Cristo; ‘Batizar’ - É o ato físico que confirma o novo discípulo pela sua confissão pública de que Jesus Cristo é o seu Salvador e Senhor; e ‘Ensinar’ as doutrinas da Bíblia, com o objetivo de aperfeiçoar e preparar o discípulo para a sua jornada na vida cristã. Com isso, percebe-se que a evangelização não pode ser reduzida à atividade de acrescentar membros à uma igreja local ou denominação. Ela possui resultados muito mais abrangentes e imensuráveis. Evangelho, evangelização e evangelismo distinguem-se quanto à prática, mas possuem as mesmas formações linguísticas. Evangelização é o anúncio da mensagem. Evangelismo é a técnica de comunicação da mensagem.]
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
"O mandato para as missões acha-se em cada evangelho e em Atos dos Apóstolos. Porque toda a autoridade nos céus e na terra foi entregue a Jesus (Mt 28.19,20). 'Vão' (gr. poreuthentes) não é um imperativo. Significa, literalmente, 'tendo ido'. Jesus toma por certo que os crentes irão, quer por vocação, por lazer, ou por perseguição. O único imperativo nesse trecho bíblico é 'façam discípulos' (gr. mathêteusate), que inclui batizá-los e ensiná-los continuamente Marcos 16.15 também registra esse mandamento: 'Tendo ido por todo o mundo, proclamem (anunciem, declarem e demonstrem) as boas-novas a toda a criação' (tradução literal)" (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p. 584).
CONHEÇA MAIS
*Evangelho "Uma palavra usada somente no Novo Testamento para denotar a mensagem de Cristo. O termo gr. euangelion, significando 'boas-novas', tornou-se um termo técnico para a  mensagem essencial da salvação.
O conteúdo do Evangelho é claramente definido no Novo Testamento. É a mensagem proclamada e aceita na igreja cristã, pois foi recebida por todos os crentes, defendida por seu raciocínio, e constituiu uma parte vital de sua experiência. É histórica em seu conteúdo, bíblica em seu significado, e transformadora em seu efeito. 'Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras... foi sepultado, e... ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras... foi visto por Ceifas...', são as palavras descritivas de Paulo (1Co 15.1-6)". Para conhecer mais, leia Dicionário Bíblico Wycliffe, CPAD, p. 711.

II - POR QUE TEMOS DE EVANGELIZAR
Podemos apresentar pelo menos quatro razões que nos levarão a falar de Cristo a tempo e fora de tempo. A partir daí, não descansaremos as mãos até que o mundo todo seja semeado com a Palavra de Deus (Ec 11.6). Comentário: Evangelização é a ação de evangelizar. Em resumo, evangelização é a ação de comunicar o evangelho, visando levar os perdidos a Jesus para que sejam por ele salvos. Infelizmente, em muitos lugares hoje, a igreja não tem mais anunciado o Cristo Crucificado e Ressurreto, pois tem mudado o foco do seu anúncio. Ora, antigamente, a “fórmula” da pregação apostólica era resumida em “Cristo foi crucificado”, “Mas ressuscitou ao terceiro dia” e “Arrependei-vos e crede no Evangelho!”. Porém, hoje, em muitos lugares, não é mais assim. Graças a Deus, ainda há igrejas que apresentam o convite de salvação com o mesmo propósito com o qual os santos apóstolos apresentavam, honrando a Cristo e às Sagradas Escrituras. Mas, temos a incômoda sensação de que esse comportamento não é mais a regra.
1. É um mandamento de Jesus. Temos de evangelizar porque, acima de tudo, é uma ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo (Mt 28.19,20; Mc 16.15; Lc 24.46,47; At 1.8). Logo, não há o que se discutir: evangelizar não é uma obrigação apenas do pastor e dos obreiros; é um dever de todo aquele que se diz discípulo do Nazareno. Aquele que ama a Cristo não pode deixar de falar do que tem visto e ouvido. Assim agiam os crentes da Igreja Primitiva. Não obstante a oposição dos poderes religioso e secular, os primeiros discípulos evangelizavam com ousadia e determinação (At 4.20). [Comentário: O Senhor Jesus é o motivo supremo e também e a Autoridade que nos manda pescar homens para Ele. Ele é o Mestre por excelência, e o exemplo na arte de fazê-lo. A ordem é: ‘Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’(Mt 28.19). Além disso, Ezequiel 3.11 diz: ‘Eia, pois, vai aos do cativeiro, aos filhos do teu povo, e lhes falarás e lhes dirás: Assim diz o Senhor Deus, quer ouçam quer deixem de ouvir’. Testificar aos homens, apresentando-lhes as verdades do Evangelho ou Boas Novas a cerca de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, é obrigação séria e responsabilidade de cada cristão. Paulo quando fala sobre a evangelização diz: ‘Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!’ (1Co 9.16). Todos nós somos devedores da mensagem do evangelho a todos os homens (Rm 1.14) e sobre nós repousa essa responsabilidade que não foi concedida aos anjos (1Pe 1.12). É por isso que Paulo nos diz: ‘Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus (…) prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não’ (2Tm 4.1-2).]
2. É a maior expressão de amor da Igreja. A Igreja Primitiva, amando intensamente a Cristo, evangelizava sem cessar, pois também amava as almas perdidas (At 2.42-46). O amor daqueles crentes não se perdia em teorias, mas era efetivo e prático; sua postura era mais do que suficiente para levar milhares de homens, mulheres e crianças aos pés do Salvador. A igreja em Tessalônica também se fez notória por sua paixão evangelística (1 Ts 1.8). Enfrentamos hoje uma crise econômica, moral e política muito séria, porém  precisamos continuar evangelizando os de perto e os de longe. [Comentário: Devemos evangelizar porque exercitamos o amor de Deus. A coisa mais amorosa que se pode fazer é apresentar o evangelho na esperança de trazer outros para a salvação. Paulo em Gálatas 5.22 lista o amor como um dos frutos do Espírito. É da natureza do amor dar-se. Tomemos por exemplo João 3.16: ‘Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho unigênito ...’ O amor se dá, se entrega, e mesmo se em nós houver apenas uma pequena porção do amor de Cristo, iremos querer entregá-lo aos outros. Não evangelizar é um ato de profundo egoísmo sendo, assim, um pecado. Devemos evangelizar porque amamos o nosso próximo e não queremos vê-lo perdido eternamente. Paulo, dominado por este amor, estava disposto a sacrificar a própria vida na pregação do evangelho (At 20.19-24) “…Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (Mt 22.39); “Livra os que estão destinados à morte, e os que são levados para a matança, se os puderes retirar.” (Pv 24.11)]
3. O mundo jaz no maligno. Implementemos a evangelização, pois muitos são os que caminham a passos largos para o inferno (1 Jo 5.19). Diante dessa multidão, não podemos ficar indiferentes. Uns acham-se aprisionados pelas drogas. Outros, pela devassidão e pela violência. E outros, ainda, por falsas religiões. Precisamos evangelizar esses cativos. Somente Jesus Cristo pode libertar os oprimidos das cadeias espirituais (Jd 22,23). [Comentário: João tem em vista aqui a sociedade à margem de Deus, dominada pelo diabo e pelo pecado. A expressão ‘Jaz’ significa estar sob o poder do mal, ser mantido em submissão pelo diabo. Indica ‘alguém’ que aceita o domínio do mal e o aprova. É uma constatação. Todo o nosso mundo, quando não tem Deus como guia, está entregue nas mãos do diabo e sob o domínio de seu mal. Uma das verdades exposta com clareza nas Escrituras é que o homem no estado em que está não pode agradar a Deus (Rm 8.8; Hb 11.6), não pode salvar-se (Mt 19.26) e está fadado à morte eterna. As Escrituras também atestam que não há nenhum justo nesse mundo, nem quem O busque como Ele deve ser buscado (Rm 3.9-11). Contudo, Jesus nos instrui que a olhar para o mundo e ver nele pessoas prontas para receber o evangelho do mesmo modo que aconteceu em Samaria em Seu ministério (Jo.4).]                                                
4. Porque Jesus em breve virá. Finalmente, empreguemos todos os nossos esforços na evangelização, porque o Senhor Jesus não tarda a voltar. Sua advertência é grave e urgente: "Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar" (Jo 9.4). Sim, Jesus em breve virá. O que temos feito em prol da evangelização? Não podemos comparecer de mãos vazias perante o Senhor da Seara. [Comentário:Todo o ministério terreno de Jesus foi direcionado á evangelização (Mt 1.21). A mensagem dEle incluía a propagação do Reino de Deus, o arrependimento e a fé no evangelho (Mc 1.14-15). As escrituras nos dizem que o ministério de evangelização nos é concedido por Deus: ‘Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação’ (2Co 5.18-19). O ministério da reconciliação é anunciar a mensagem do que Deus, que estava em Cristo, fez para fornecer a expiação do pecado. Os já conciliados têm a missão de levar essa mensagem aos outros. Paulo afirma em 2Co 5.20 que somos ‘embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse’ e exercendo esse papel, somos cooperadores de Deus (2Co 6.1).]

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO
"Evangelismo pessoal é a obra de falar de Cristo aos perdidos individualmente: é levá-los a Cristo, o Salvador (Jo 1.41,42; At 8.30).                                                                                          A importância do evangelismo pessoal  vê-se no fato de que a evangelização dos pecadores foi o último assunto de Jesus aos discípulos antes de ascender ao céu. Nessa ocasião, Ele ordenou à Igreja o encargo da evangelização do mundo (Mc 16.15).
O alvo do evangelismo pessoal é tríplice: salvar os perdidos, restaurar os desviados e edificar os crentes. Ganhar alma foi a suprema tarefa do Senhor Jesus aqui na terra (Lc 19.10). Paulo, o grande homem de Deus, do Novo Testamento, tinha o mesmo alvo e visão (1 Co 9.20). Uma grande parte dos crentes pensa que a obra de ganhar almas para Jesus é para os pregadores, pastores e obreiros em geral. Contentam-se em, comodamente sentados, ouvir os sermões, culto após culto, enquanto os campos estão brancos para a ceifa, como disse o Senhor da seara (Jo 4.35). O 'ide' de Jesus para irmos aos perdidos (Mc 16.15), não é dirigido a um grupo especial de salvos, mas a todos, indistintamente, como bem revela o texto citado. Portanto, a evangelização dos pecadores pertence a todos os salvos. Cada crente pode e deve ser um ganhador de almas. Nada o pode impedir, irmão, de ganhar almas para Jesus, se propuser isso agora em seu coração. A chamada especial de Deus para o ministério está reservada a determinados crentes, mas a chamada geral para ganhar almas é feita a todos os crentes.
O evangelismo pessoal, como já vimos acima, vai além do pecador perdido: ele alcança também o desviado e o crente necessitado de conforto, direção, ânimo e auxílio. Ele reaviva a fé e a esperança nas promessas das Santas Escrituras" (GILBERTO, Antonio. Prática do Evangelismo Pessoal. 1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1983, p. 10).

III - COMO EVANGELIZAR
A missão de pregar a todos, em todos os lugares e em todo tempo, inclui a evangelização pessoal, coletiva, nacional e transcultural. Neste tópico, destaquemos o exemplo de Cristo, o evangelista por excelência. comentário: Não é difícil conhecermos pessoas que frequentam um templo e que se dizem membros de uma igreja evangélica, mas quando perguntadas sobre como Jesus Cristo foi apresentado a elas, de pronto ouviremos: “Aquele que resolve todos os meus problemas” ou “Quem me faz prosperar”; ou ainda “Aquele que me faz triunfar”. Embora não sejam teses mentirosas, esses relatos não são o testemunho que os santos apóstolos deram a vida toda, entregando as próprias vidas a fim de salvar pessoas da perdição eterna. Para a nossa tristeza, atualmente, é possível encontrar membros de igreja que nunca ouviram sobre a gravidade e a seriedade do problema do pecado.
1. Evangelização pessoal. Em vários momentos de seu ministério, o Senhor Jesus consagrou-se à evangelização pessoal. Na calada da noite, recebeu Nicodemos, a quem falou do milagre do novo nascimento (Jo 3.1-16). E, no ardor do dia, mostrou à mulher samaritana a eficácia da água da vida (Jo 4.1-24). Neste momento, há alguém, bem pertinho de você que precisa ouvir falar de Cristo. Não perca a oportunidade e evangelize, pois quem ganha almas sábio é (Pv 11.30). [Comentário: “Se retrocedermos a historia e formos parar no período apostólico, verificaremos que a igreja primitiva usava a alavanca do evangelismo pessoal como método natural de crescimento. Naquela época, não havia aviões, televisão, radio, Internet ou quaisquer meios modernos e rápidos de comunicação, mas o escritor apostólico registrava que: “…a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais.”(Atos 5:14). Mas como se não havia todos estes recursos discriminados acima? Simplesmente porque eles usaram o evangelismo pessoal. Infelizmente esse método que se constitui no maior segredo de ganharmos almas, esta sendo usado pelas seitas, para espalharem seu falso evangelho nos lares de nossos vizinhos, parentes e amigos. Quantas vezes não acordamos no sábado ou no domingo de manhã com uma Testemunha de Jeová batendo à nossa porta, tentando nos empurrar suas literaturas cheias de doutrinas heréticas? Elas estão ali, cumprindo um programa de visitação para qual foram destinadas, até parece que não surte efeito de imediato, mas no final do ano, após sair o relatório de crescimento delas na revista “A Sentinela”, veremos que não é bem assim. Muitas vezes crescem mais do que muitas de nossas igrejas evangélicas, porque simplesmente estão colocando em ação um segredo deixado por Jesus, e que nós, seus verdadeiros discípulos, não  estamos usando. Não é por acaso que Jesus disse: “…os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz”. (Lucas 16:8). Devemos então perguntar: Porque um método tão importante como esse foi esquecido pela igreja durante tanto tempo?” Texto extraído de: ‘Aprenda a arte do evangelismo pessoal’, disponível em  http://www.cacp.org.br/aprenda-a-arte-do-evangelismo-pessoal/. Jesus nos deixou um maravilhoso exemplo de como evangelizar através do seu encontro com a mulher samaritana (Jo 4.1-29). O método que muitos crentes utilizam é o de esperar que as pessoas venham até nós. Observe que Jesus não esperou que aquela samaritana fosse procurá-lo em Jerusalém, ou mesmo em Cafarnaum, na Galiléia. O texto bíblico conta que Ele foi até Sicar, junto a um poço aberto pelo patriarca Jacó, e que ficou ali descansando (acredito que Ele esperasse pela mulher) por volta do meio dia - o horário mais quente e menos provável de alguém buscar água no poço. Em Romanos 10.17, o apóstolo Paulo afirma: “A fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo”. Nos versos 14 e 15 ele raciocina logicamente: “Como pois invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram falar? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?”. É óbvio que o primeiro passo para levar um pecador a Jesus é ir até ele com a palavra! Leia os seguintes textos e observe este passo no ministério de Jesus: Mt 9.23-26; Lc 5.30-31; 7.37-39; 11.37-39; 19.5-6.]
2. Evangelização coletiva. Cristo dedicou-se também ao evangelismo coletivo.  Ele aproveitava ajuntamentos e concentrações, a fim de expor o Evangelho do Reino. As multidões também precisam ser alcançadas com a pregação do Evangelho, para que todos ouçam a mensagem da cruz. Voltar à prática do evangelismo em massa é uma necessidade urgente.  [Comentário: Reparemos como Jesus aproveitava sempre as ocasiões onde poderia encontrar mais pessoas; Ele aproveitava sempre os ajuntamentos, as festas, os jantares. Jesus não se excluía das multidões. Ele veio para as pessoas e ficar fechado em casa, no seu próprio mundo, não fazia parte dos seus planos. Fazer missões em termos gerais significa praticar a evangelização de forma pessoal ou coletiva. Comece em sua casa, em sua rua, bairro ou cidade. Deus tem um grande projeto em nossa vida para expandir seu reino na terra.]
3. Evangelismo nacional. Em seu ministério terreno, Jesus era um judeu inserido na sociedade judaica, falando-lhes em sua própria língua. Sua identificação com a cultura israelita era perfeita (Jo 4.9). Ele não podia esconder sua identidade hebreia (Lc 9.53). Cristo viveu como judeu e, como judeu, morreu (Mt 27.37). Nessa condição, anunciou o Evangelho do Reino às ovelhas perdidas da Casa de Israel.  [Comentário: Jesus andava por todas as cidades – grandes e pequenas – nas vilas, aldeias, nas sinagogas, nas casas e em lugares públicos, anunciando as boas novas da salvação, ensinando as verdades divinas e curando Seus ouvintes de todas as enfermidades. “Ele, porém, lhes disse: Também é necessário que eu anuncie a outras cidades o evangelho do reino de Deus; porque para isso fui enviado. E pregava nas sinagogas da Galiléia”. (Lc 4.43-44). Ele não somente ensinava sobre a necessidade de evangelizar. Ele mesmo deu o exemplo que todos precisamos seguir, saindo por todos os lugares. Jesus não discriminou lugares ou pessoas. Onde havia almas preciosas, vidas feridas pelo pecado, acorrentadas pelo diabo e pelos demônios, aí chegava o Filho de Deus evangelizando, ensinando, curando, dando a todos um novo sentido para viver.]
4. Evangelismo transcultural. Embora sua missão imediata fosse redimir as ovelhas da Casa de Jacó (Mt 15.24), Jesus não deixou de evangelizar pessoas de outras culturas e nacionalidades. Atendeu a mulher siro-fenícia (Mc 7.26). Socorreu o servo do centurião romano (Mt 8.5-11). E não foram poucos os seus contatos com os samaritanos (Lc 17.16; Jo 4.9). É chegado o momento de olharmos além de nossas fronteiras, ouvindo o gemido das nações, tribos e povos não alcançados. [Comentário: Quando falamos em evangelismo transcultural, estamos falando do esforço da Igreja em cruzar qualquer fronteira que separe o missionário de seu público alvo. É salutar dizer que em evangelismo transcultural, não temos que fazer nada diferente do que faríamos em qualquer outro lugar. Sugerir que algumas pessoas são mais fáceis de se converter do que outras é avesso às Escrituras, pois Elas destacam que todos nós, por natureza, estamos longe do Senhor. Então, em nosso evangelismo devemos testemunhar, orar e aguardar o agir soberano do Espírito. Quando Cristo nos ordenou “ide ir por todo o mundo” o termo usado por Ele foi ‘ethnos’, que em grego significa ‘grupos de povos’, ‘grupos étnicos’ e não nações no sentido usual. Sendo assim há ainda muitos povos não alcançados que precisam conhecer a Cristo. Apocalipse 5.9 é uma referência ao trabalho missionário da igreja no alcance destes grupos. Neste texto lemos sobre tribo, língua, povo e nações os quais estarão diante do Cordeiro. Esses grupos conheceram a Cristo mediante à obediência daqueles que obedeceram ao ide de Cristo pelo mundo. O nosso desafio missionário ainda é imenso:
Quase dois terços da população mundial ainda não ouviu a mensagem do Evangelho! Milhares de grupos étnicos nunca foram alcançados com as Boas Novas! Muitas tribos espalhadas no mundo nunca receberam um só missionário!  A população do mundo dobrará em menos de 50 anos! 1.700 idiomas, aproximadamente, não possuem um único texto bíblico traduzido! É claro que há alguns grupos de povos com algum tipo de testemunho do Evangelho, mas isto não significa que já foram alcançados. Conscientes desta urgente necessidade precisamos nos envolver de forma mais intensiva, orando, contribuindo financeiramente ou mesmo indo. ]

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO
"Como devemos evangelizar?
Para começar, o ganhador de almas tem de ter experiência própria de salvação. É um paradoxo alguém conduzir um pecador a Cristo, sem ele próprio conhecer o Salvador. Isto é apontar o caminho do céu sem conhecê-lo. Quem fala de Jesus deve ter experiência própria da salvação. Estando nosso coração cheio da Palavra de Deus, nossa boca falará dela (Mt 12.34). É evidente que o ganhador de almas precisa de um conhecimento prático da Bíblia; conhecimento esse, não só quanto à mensagem do Livro, mas também quanto ao volume em si, suas divisões, estrutura em geral, etc. Sim, para ganhar almas é preciso 'começar pela Escritura' (At 8.35). Aquilo que a eloquência, o argumento e a persuasão humana não podem fazer, a Palavra de Deus faz, quando apresentada sob a unção do Espírito Santo. Ela é qual espelho. Quando você fala a Palavra, está pondo um espelho diante do homem. Deixe o pecador mirar-se neste maravilhoso espelho. Assim fazendo, ele aborrecerá a si mesmo ao ver sua situação deplorável. Está escrito que 'pela lei vem o conhecimento do pecado' (Rm 3.20). Através da poderosa Palavra de Deus, o homem vê seu retrato sem qualquer retoque, conforme Isaías 1.6. No estudo da obra de ganhar almas, há muito proveito no manuseio de livros bons e inspirados sobre o assunto. Há livros deste tipo que focalizam métodos de ganhar almas; outros focalizam experiências adquiridas, o desafio, o apelo e a paixão que deve haver no ministério em apreço. A igreja de Éfeso foi profundamente espiritual pelo fato de Paulo ter ensinado a Palavra ali durante três anos, expondo todo o conselho de Deus (At 20.27-31). Em Corinto ele ensinou dezoito meses (At 18.11). Veja a diferença entre essas duas igrejas através do texto das duas epístolas (Coríntios e Efésios)" (GILBERTO, Antonio. Prática do Evangelismo Pessoal. 1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1983, p. 30).

CONCLUSÃO
Evangelizar é a missão de todo crente. Quer obreiro, quer leigo, ganhar almas é o seu dever. Na crise atual, muitos são os que, desesperados, buscam um salvador. Mas apenas a Igreja de Cristo pode mostrar o caminho da salvação. É hora de evangelizar e de fazer missões. Arranquemos as almas perdidas das garras de Satanás.  Comentário: O único modo de alguém ser salvo da punição eterna e ser reconciliado com Deus é arrepender-se do pecado e confiar em Jesus Cristo para a salvação (Mc 1.15; At 20.21). Este trabalho não está reservado aos obreiros, aos teólogos ou aos vocacionados. Lembremos da menina, serva de Naamã. Era uma criança apenas, de outra sociedade, de outra cultura, de outra civilização, escrava da mulher de um general. Se ela achasse ser necessário uma preparação especial para poder falar a alguém de outro povo, nível social, cultura, etc., jamais teria testemunhado à sua senhora que a cura estava com o profeta em Samaria. Mas na simplicidade de sua pessoa, de seu preparo e de seus meios, Deus acabou sendo glorificado ao máximo. Em 1 Coríntios 15.58 lemos assim: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.Por isso, o presente trimestre é um convite para a Igreja de Cristo recuperar a alegria de comunicar o Evangelho genuíno. As fórmulas são muitas! É preciso buscar todos os meios disponíveis para evangelizarmos. Não apenas o eletrônico, digital, por intermédio da televisão ou da internet, mas principalmente no relacionamento pessoal. As melhores e mais eficazes evangelizações se deram num bate papo de uma praça de alimentação, na rua, em uma casa, nas escola, num shopping, no consultório médico, na sala de aula, numa roda de colegas, no transporte público como ônibus, táxi, avião etc. O contexto muda, pois o mundo está em constante transformação, mas o objetivo da mensagem é o mesmo: apresentar o Cristo Crucificado, o Cristo Ressuscitado e fazer o convite ao arrependimento.]
PARA REFLETIR
A respeito da missão da Igreja, responda: 
1 - Qual a urgência máxima da Igreja?                                            A evangelização.

2 - Qual a diferença entre evangelismo e evangelização?          Evangelismo: É a doutrina cujo objetivo é fundamentar biblicamente o trabalho evangelístico da Igreja de Cristo, de acordo com as narrativas e proposições do Antigo e do Novo Testamento. Evangelização. É a prática efetiva da proclamação do Evangelho, quer pessoal, quer coletivamente, até aos confins da Terra.

3 - Por que devemos evangelizar?                                           
É um mandamento de Jesus; é a maior expressão de amor da Igreja; o mundo jaz no maligno; e porque Jesus em breve virá.

4 - Como devemos Evangelizar?                                              Evangelização pessoal, evangelização coletiva, evangelismo nacional e evangelismo transcultural.
5 - Por que Jesus é o evangelista por excelência?             Porque Ele amou o mundo de tal maneira que deu a sua vida na cruz para perdão dos nossos pecados.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Lição 13: O cultivo das relações interpessoais


Lição 13: O cultivo das relações interpessoais
Data: 26 de Junho de 2016

Relacionamento interpessoal é um conceito do âmbito da sociologia e psicologia que significa uma relação entre duas ou mais pessoas. Este tipo de relacionamento é marcado pelo contexto onde ele está inserido, podendo ser um contexto familiarescolar, de trabalho ou de comunidade. O relacionamento interpessoal implica uma relação social, ou seja, um conjunto de normas comportamentais que orientam as interações entre membros de uma sociedade. O conceito de relação social, da área da sociologia, foi estudado e desenvolvido por Max Weber. 

TEXTO ÁUREO
Ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém!(Rm 16.27). 
Comentário:  A cristandade tem somente um Deus, como o judaísmo, contudo a plena Divindade de Jesus e a plena pessoalidade do Espírito forçam-nos a uma “triunidade”, que é a Trindade.

VERDADE PRÁTICA
Deus deseja que os crentes, alcançados pela graça, cultivem relacionamentos saudáveis.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Romanos 16.1-16.
1. Recomendo-vos, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencreia,
2. para que a recebais no Senhor, como convém aos santos, e a ajudeis em qualquer coisa que de vós necessitar; porque tem hospedado a muitos, como também a mim mesmo.
3. Saudai a Priscila e a Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus,
4. os quais pela minha vida expuseram a sua cabeça; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios.
5. Saudai também a igreja que está em sua casa. Saudai a Epêneto, meu amado, que é as primícias da Ásia em Cristo.
6. Saudai a Maria, que trabalhou muito por nós.
7. Saudai a Andrônico e a Júnia, meus parentes e meus companheiros na prisão, os quais se distinguiram entre os apóstolos e que foram antes de mim em Cristo.
8. Saudai a Amplíato, meu amado no Senhor.
9. Saudai a Urbano, nosso cooperador em Cristo, e a Estáquis, meu amado.
10. Saudai a Apeles, aprovado em Cristo. Saudai aos da família de Aristóbulo.
11. Saudai a Herodião, meu parente. Saudai aos da família de Narciso, os que estão no Senhor.
12. Saudai a Trifena e a Trifosa, as quais trabalham no Senhor. Saudai à amada Pérside, a qual muito trabalhou no Senhor.
13. Saudai a Rufo, eleito no Senhor, e a sua mãe e minha.
14. Saudai a Asíncrito, a Flegonte, a Hermas, a Pátrobas, a Hermes, e aos irmãos que estão com eles.
15. Saudai a Filólogo e a Júlia, a Nereu e a sua irmã, e a Olimpas, e a todos os santos que com eles estão.
16. Saudai-vos uns aos outros com santo ósculo. As igrejas de Cristo vos saúdam.

HINOS SUGERIDOS
10, 185 e 454 da Harpa Cristã.

OBJETIVO GERAL
Compreender que os crentes precisam cultivar relacionamentos saudáveis.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.
·                     I. Compreender a importância das relações interpessoais;
·                     II. Apontar as ameaças às relações interpessoais;
·                     III. Apontar a fonte das relações interpessoais.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Com graça de Deus, chegamos ao final do estudo da Epístola aos Romanos. Paulo conclui a carta saudando alguns irmãos e irmãs em Cristo. A lista de saudações é bem extensa. Ele cita judeus e gentios, gente simples e autoridades. Isso mostra que o líder precisa da ajuda de cooperadores. Paulo tinha vários cooperadores e não deixou de fazer menção do nome deles. O apóstolo demonstra seu amor por todos os irmãos que cooperavam com a obra de Deus. Na conclusão da Epístola de Romanos, percebemos que o apóstolo Paulo não somente fundou igrejas e pregou o Evangelho de Cristo aos gentios. Ele construiu comunidades de amor, de remidos em Cristo pela graça, que amavam ao Senhor e a sua obra.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Os vinte e sete versículos do capítulo dezesseis da Epístola aos Romanos encerram a monumental obra literária de Paulo. Por toda a obra, o apóstolo discorreu a respeito dos principais temas da fé cristã e deixou-nos princípios fundamentais que são úteis para a construção de relacionamentos interpessoais. De uma maneira informal, mas com o seu estilo literário característico, Paulo traz à lembrança nomes de pessoas que, de uma forma ou de outra, o ajudaram a construir a identidade cristã do primeiro século. Ele não deixou que esses nomes caíssem no esquecimento, e, no final de sua carta envia-lhes saudações, numa demonstração de gratidão a Deus por tudo o que essas significaram para ele.
Comentário: Estes versículos nos dão um certo discernimento quanto ao calor das relações pessoais do apóstolo, bem como quanto à comunhão entre os crentes. No versículo 1 “Recomendo-vos”, indica que esta é uma carta de recomendação da diaconisa Febe (nome comum na mitologia grega, significava “brilhante” ou “radiante”). Foi ela quem provavelmente levou a carta de Paulo para Roma. Há diversos outros exemplos dessas cartas de apresentação ou recomendação no Novo Testamento (At 18.27; 1Co 16.3; 2Co 3.1; 8.18-24; Fp 2.19-30). Finalizando a Epístola, Paulo se refere à diversas pessoas, demonstrando que conservava um relacionamento interpessoal.

I. A IMPORTÂNCIA DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS
1. Valorizando pessoas, não coisas. Paulo finaliza sua carta primeiramente recomendando a irmã Febe, membro da igreja de Cencreia. Foi através dela que o apóstolo enviou sua epístola à igreja que estava em Roma. A recomendação vem acompanhada de uma observação na qual Paulo reconhece o serviço prestado por ela à igreja de Cencreia: “[...] A qual serve na igreja que está em Cencreia, para que a recebais no Senhor, como convém aos santos, e a ajudeis em qualquer coisa que de vós necessitar; porque tem hospedado a muitos, como também a mim mesmo” (Rm 16.1,2). Ela servia à igreja. O vocábulo servir, usado aqui, traduz o termo grego diakonos, o que tem levado muitos comentaristas a acreditar que ela era uma diaconisa da igreja. O fato é que o apóstolo pôs em evidência a função em vez do ofício. Infelizmente, hoje as coisas estão invertidas. O que vale mais hoje são os títulos e os cargos ao invés do desempenho do serviço cristão. 
Comentário: Diakonos é o termo grego para ministro/servo. É usado a respeito de Cristo em 15.8 e de Paulo em Ef 3.7 e Cl 1.23,25. Há evidências tanto no Novo Testamento quanto nos escritos pós-bíblicos das igrejas sobre o ofício das diaconisas. Todos os crentes são chamados e dotados para ser ministros de tempo integral (Ef 4.12). Alguns são chamados para papéis de liderança ministerial. Nossas tradições têm que abrir caminho para as Escrituras! Esses antigos diáconos e diaconisas eram servos, não uma equipe de executivos. Cencréia era um dos dois portos de Corinto, ficando este no lado leste (At 18.18). Paulo pede àquela igreja que “receba gentilmente, como um convidado” (Fp 2.29) a esta senhora, em quem ele tanto confiava e queria que a Igreja a recebesse e ajudasse, em favor dele. “aos santos” – Este termo significa “os que são santos”. Descreve não apenas a posição dos crentes em Jesus, mas também a esperança e expectativa de que tenham vidas piedosas, que caracterizem progressivamente sua nova posição de santidade em Cristo. O termo “santos” está sempre no plural, exceto uma vez (Fp 4.21), e mesmo então o sentido é coletivo. Ser cristão é ser parte de uma comunidade de fé, uma família, um corpo. A igreja ocidental moderna está depreciando cada vez mais este aspecto coletivo da fé bíblica! “e a ajudeis em qualquer coisa que de vós precisar” – Aqui há dois subjuntivos gregos: paristēmi, “estar perto, disponível, para ajudar”, e chrēzō, “ajudar com tudo que seja necessário” (2Co 3.1). Isto se refere a provisões materiais para os ministros itinerantes. Este era o propósito das cartas de recomendação.
2. O valor das mulheres. Paulo fala de Priscila e Áquila, como tendo exposto suas vidas na causa do Evangelho (Rm 16.3). Esse casal era judeu e havia sido expulso de Roma pelo imperador Cláudio. Agora haviam voltado à capital do império. Outras referências ao mesmo casal são encontradas em Atos 18.2,18,26; 1 Coríntios 16.19 e 2 Timóteo 4.19. Duas observações são importantes na vida desse casal. Primeiramente, Paulo sempre cita Priscila em primeiro lugar. Muitos comentaristas concordam que isso tinha uma razão de ser. Priscila se destacava na obra do Senhor, sendo auxiliada por Áquila, seu esposo. Quem não conhece uma irmã em Cristo que se destaca mais do que o esposo na causa do Mestre? Paulo não cita apenas Priscila, mas cita outras mulheres de igual destaque. No versículo 6, ele menciona uma mulher de nome Maria: “Saudai a Maria, que trabalhou muito por nós”. Pouco se diz dessa Maria, e o que se sabe é que ela “trabalhou muito” na obra de Deus. Trabalhar aqui traduz o termo grego kopiao, que significa trabalho voluntário. Maria se deu voluntariamente para a obra de Deus. Precisamos de mais “Marias”. Que o Senhor envie mais “Marias” para a sua obra. 
Comentário: “Prisca e Áquila” – Este casal tinha por profissão a fabricação de tendas, como Paulo (At 18.3). Ele estava com eles em Corinto. Lucas a chama de “Priscila”. Ela é freqüentemente mencionada antes do marido, o que era muito incomum (At 18.18, 26; 1Co 16.19; 2Tm 4.19). Possivelmente ela era da nobreza romana ou a personalidade dominante no casal. Paulo os chama de “meus cooperadores em Cristo Jesus”. É possível que Paulo tenha sabido das fraquezas e pontos fortes da igreja romana através deste casal. “expuseram a sua cabeça” – Aqui foi usada uma expressão idiomática referente ao risco de ser degolado ou decapitado pela guilhotina de um carrasco. A Bíblia não esclarece o que Paulo tinha em mente com esta frase. “não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios” – Paulo era muito grato pela amizade e ajuda ativa deste casal. Ele mesmo relaciona o serviço deles a “todas as Igrejas dos gentios”. Que afirmação e agradecimento arrebatador! Deve ser por causa do apoio e do relato sobre Apolo (At 18.24-28). “a Igreja” – É digno de nota que este termo refere-se às pessoas, não ao prédio. O termo significava “os chamados para fora”. No grego da Septuaginta, usado para traduzir o termo hebraico qahal, “congregação”. A igreja primitiva via a si mesma como o cumprimento da verdadeira “congregação de Israel” do Antigo Testamento, como sucessores naturais, e não como um grupo divisionista e sectário. “que está em sua casa” – Os cristãos primitivos encontravam-se nos lares (16.23; At 12.12; 1Co 16.19; Cl 4.15 e Fm 2). Os templos como locais de reunião para culto não surgiram até o terceiro século d.C.
3. Irmandade e companheirismo. Na saudação seguinte, sentimos o peso que tinha a comunidade cristã para Paulo e o valor do seu companheirismo (Rm 16.7,8). A igreja é o Corpo de Cristo. Ela é uma grande família. Conscientizemo-nos da importância que tem a fraternidade cristã para a saúde da igreja. Infelizmente a nossa espiritualidade segue mais um modelo de condomínio, onde ninguém conhece ninguém, do que de uma casa de família, onde todos se conhecem e se relacionam. 
Comentário: No versículo 7 Paulo se refere a “meus companheiros na prisão” –não há consenso sobre qual prisão ele se refere, porque sofreu muito por causa da sua fé (2Co 4.8-11; 6.4-10; 11.25-28). Ele esteve preso em Filipos, Cesaréia, Roma e provavelmente em Éfeso e outros lugares (1Co 15.32; 2Co 1.8). Também não há consenso sobre “Junias” – este nome pode ser masculino ou feminino, o que só pode ser determinado poracentos gráficos e há variações em manuscritos gregos com “Iounian”, mas sem qualquer acentuação. As traduções da Vulgata e Cóptica, bem como nos textos gregos usados por Jerônimo, aparece “Ioulian”, que é nome feminino. Alguns estudiosos pensam que isso foi erro dos copistas. É também interessante que a grafia “Junias” não foi encontrada em nenhum outro lugar, na literatura romana ou em inscrições, mas o nome “Junia” era muito comum. Trata-se de um sobrenome romano. O versículo sete termina com “se distinguiram entre os apóstolos” - Isto pode referir-se aos Doze e, se for o caso, estes dois eram bem conhecidos deles ou de um grupo maior de ministros também conhecido como “apóstolos” (At 14.4, 14; 18.5; 1Co 4.9; Gl 1.19; Fp 2.25; 1Ts 2.6). O contexto implica no uso mais amplo, como em Ef 4.11, mas o artigo definido implica nos Doze; “que foram antes de mim em Cristo” – Isto obviamente significa que eles eram salvos e ativos no serviço de Cristo, antes da experiência de Paulo no caminho de Damasco. “meu amado no Senhor” – O termo “amado” é usado por Deus, o Pai, para referir-se a Jesus, o Filho (Mt 3.17 e 17.5), Paulo o usa para dirigir-se a crentes, evidenciando o companheirismo que envolvia aqueles crentes primitivos.

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
 “Paulo recomenda Febe (16.1)
A palavra que a descreve como serva é diakonia, diácono. Exceção feita pelo seu final feminino, é a mesma palavra em todas as versões em inglês para ‘diácono’ nas epístolas pastorais. É usada também para indicar cargo de liderança na igreja. Aparentemente, Paulo não era tão negativo em relação à liderança feminina quanto muita gente é hoje.
Priscila e Áquila (16.3). O casal apresentado em Atos 18 era bem próximo do apóstolo Paulo e estava profundamente envolvido em seu ministério. É significativo notar que, exceção feita ao versículo em que os dois são apresentados, o nome da esposa precede o do marido. Tudo indica que os dons de Priscila eram maiores do que os dons do cônjuge e a Escritura é testemunha do respeito que ela gozava na igreja primitiva” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.752).

II. AS AMEAÇAS ÀS RELAÇÕES INTERPESSOAIS
1. Individualismo. No meio das saudações, o apóstolo Paulo, de forma abrupta, põe uma advertência: “E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles” (Rm 16.17). Alguns comentaristas acham que esse versículo se encontra deslocado do restante dos demais. Mas, a verdade é que ele está no lugar onde deveria estar. Paulo via como uma ameaça a quebra da koinonia cristã. Portanto, era um perigo às relações interpessoais, o individualismo daqueles que promoviam dissensões. Esse individualismo está caracterizado no fato de que eles serviam ao seu próprio estômago ou ventre. Viviam para si mesmos. O faccioso geralmente é um indivíduo solitário até o momento em que arregimenta outros para compartilhar do seu pensamento doentio. A igreja deve observá-lo e afastar-se dele. 
Comentário: Esta advertência parece irromper inesperadamente no contexto. Nos versículos 17 e 18 há uma lista do que esses falsos mestres estavam fazendo:
1. Fomentavam divisões;
2. Criavam obstáculos para os crentes;
3. Ensinavam o contrário do que era ensinado na Igreja;
4. Tratavam de saciar os seus próprios apetites;
5. Enganavam os corações incautos com amenidades e lisonjas.
“desviai-vos (apartai-vos) deles” – Este é um tema repetitivo (Gl 1.8-9; 2Ts 3.6,14; 2 Jo 10). Mestres falsos com freqüência são atraentes de físico e têm personalidades dinâmicas (Cl 2.4). O que dizem freqüentemente tem muita lógica. Portanto, cuidado! Alguns testes bíblicos possíveis para identificar falsos mestres são encontrados em Dt 13.1-5; 18.22; Mt 7; Fp 3.2-3, 18-19; 1Jo 4.1-6. Os crentes de Roma deveriam evitar aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a ‘doutrina que aprendestes’. Os crentes devem aprender a não se deixar enganar por ‘suaves palavras de lisonjas’ (v. 18).
2. Sensualismo e antinomismo. Esses irmãos facciosos não apenas provocavam dissensões, mas também promoviam escândalos (Rm 16.17). A maioria dos comentaristas são de acordo que Paulo tinha em mente o movimento herético do primeiro século conhecido como gnosticismo. Era um movimento sectário, que tinha como prática o sensualismo e o antinomismo. Em outras palavras, como viam a matéria como algo ruim, não tinham apreço pelo corpo, já que este era material. Isso os conduzia a uma vida sensual. Por outro lado, outra consequência desse entendimento errado, estava na troca da doutrina bíblica por “palavras suaves e lisonjas” (Rm 16.18). Não havia regras para obedecer. Esse ensino de sabor adocicado, porém falso, tinha a capacidade de atrair os incautos. 
Comentário: Gnosticismo foi um movimento religioso, de caráter sincrético e esotérico, desenvolvido nos primeiros séculos de nossa era à margem do cristianismo institucionalizado, combinando misticismo e especulação filosófica. O Gnosticismo talvez fosse a heresia mais perigosa que ameaçava a igreja primitiva durante os primeiros três séculos. Influenciado por filósofos como Platão, o Gnosticismo é baseado em duas premissas falsas. Primeiro, essa teoria sustenta um dualismo em relação ao espírito e à matéria. Os gnósticos acreditam que a matéria seja essencialmente perversa e que o espírito seja bom. Como resultado dessa pressuposição, os gnósticos acreditam que qualquer coisa feita no corpo, até mesmo o pior dos pecados, não tem valor algum porque a vida verdadeira existe no reino espiritual apenas. Os apóstolos Paulo e João combateram duramente o Gnosticismo, por conta de sua exaltação ao conhecimento oculto, sua negativa da Encarnação de Cristo, de Sua Morte e Ressurreição, seu dualismo entre alma e corpo, espírito e matéria, ignorância e conhecimento, mundo material e corrupto versus mundo espiritual e perfeito. Esta heresia nefasta ronda a igreja hoje, e pode ser encontrada em muitos púlpitos. Os gnósticos pregavam que o mal é a ignorância, porque esta afastaria o Homem de conhecer as dádivas colocadas à sua disposição pelas leis metafísicas do Universo. O falecido Mike Murdock, “com sua obra A Lei do Reconhecimento, vem dizer, entre outras heresias, que a ignorância é a causa da pobreza, doença e fracasso. Infelizmente, esse homem, com seu livro repleto de ensinos materialistas e influenciado pela Confissão Positiva, vem sendo considerado "o mais sábio dos Estados Unidos". Devo me sentir, então, um tolo, por achar que o livro dele é ruim, e que não passa de um imitador do Gnosticismo, que usa versículos bíblicos e linguagem evangélica para vender seu produto, seu evangelho da riqueza? Esse evangelho da saúde e da riqueza, pregado por tantos norte-americanos (Kenneth Hagin, Morris Cerullo, T.L. Osborn, Kenneth Copeland, Frederick Price e muitos outros) é um grave câncer na Igreja, que se alastra por muitas nações. Quem dá testemunho balizado disso é Hank Hannegraaf, em seu excelente livro Cristianismo em Crise (CPAD), em pesquisa séria e sólida. O Movimento da Fé, aqui representado exponencialmente por R.R.Soares e Edir Macedo, mas também por tantos outros líderes de maior ou menor monta, é um perigoso entrave ao assentimento da mensagem da Cruz no coração do pecador. Toda essa pregação de "Você vai obter vitória", "Você é um vencedor", "Basta tomar posse da bênção", "Use a palavra para trazer à existência as coisas que não existem", "Use a fé que Deus usou para criar o mundo", toda essa parafernália é oriunda das leis de visualização e reprogramação mental que vêm das filosofias e religiões orientais, carregadas também de aspectos inerentes ao Gnosticismo heresia grega que exalta o conhecimento para a libertação do Homem, para seu bem-estar físico, emocional, material e social.

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
Professor, mostre aos alunos os princípios cristãos estabelecidos por Paulo que nos ajudam desenvolver relacionamentos saudáveis: “Não devemos julgar ou desprezar outras pessoas cujas convicções diferem das nossas. Devemos reconhecer o senhorio de Jesus Cristo como realidade prática. Isso significa que devemos proteger a liberdade que os cristãos têm, individualmente, de tomarem suas próprias decisões quanto às ‘contendas sobre dúvidas’. Jesus, não a minha consciência, é o Senhor do meu irmão. As ‘contendas sobre dúvidas’, nas quais divergimos, não são erradas nem certas em si mesmas. Mas, qualquer ato que viole a consciência é errado para as pessoas. No exercício de nossa liberdade, devemos permanecer sensíveis às convicções dos outros. Escolher agir de maneira a beneficiar nossos irmãos é liberdade de fazer algo que viole a consciência dos outros. Estaremos em situação bem melhor se, todos nós, concordarmos em manter para nós mesmos nossas convicções sobre questões duvidosas, e tratarmos de assuntos relacionados a amar e servir uns aos outros. Lembremo-nos sempre do exemplo de Cristo. Como Jesus aceitou a você e a mim? Ele nos recebeu em nossa imperfeição. Ele nos recebeu em nossa ignorância. Ele nos recebeu enquanto velhas práticas ainda estavam ligadas a nós, como as faixas de linho na sepultura ligavam o Lázaro que o Senhor ressuscitou (Jo 11.44). Jesus nos recebeu para uma experiência transformadora de amor, confiante de que o poder do perdão de Deus nos limparia e nos purificaria” (RICHARDS, Lawrence O.Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 7ª Edição. RJ: CPAD, 2000, p.323).

III. A FONTE DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS
1. Existe em razão da sabedoria e soberania de Deus. Paulo queria que os Romanos se certificassem de que ele lhes ensinara o Evangelho de Deus. O evangelho da graça faz parte do “mistério” que Deus deu a conhecer no final dos tempos (Rm 16.25). Esse mistério, que esteve oculto, foi dado a conhecer à Igreja através de revelação do Espírito Santo. Era sobre o desvendar desse mistério que Paulo acabara de escrever. Deus, em sua soberania, permitiu que a sua sabedoria fosse revelada no evangelho da graça. O resultado foi a salvação a todo aquele que crer. A igreja de Roma era fruto disso. 
Comentário: O “mistério” que esteve oculto é a pregação sobre Jesus Cristo; a revelação do plano eterno da salvação de Deus, que foi mantido em segredo (mistério). Os crentes são capacitados pelo conhecimento do evangelho e o evangelho agora está disponível para todos! Deus tem um propósito único para a redenção da humanidade que precede até mesmo a queda (Gn 3). Pistas deste plano são reveladas no Antigo Testamento (Gn 3.15; 12.3; Ex 19.5-6; além das passagens universais nos Profetas). Contudo esta agenda cheia não estava clara (1Co 2.6-8). Com a vinda de Jesus e do Espírito, ela começa a ficar mais óbvia. Paulo usava o termo “mistério” para descrever este plano redentivo total (1Co 4.1; Ef 2.11-3.13; 6.19; Cl 4.3; 1Tm 1.9). O evangelho foi tornado conhecido das nações, e todas elas estão incluídas em Cristo e através de Cristo (Rm 16.25-27; Cl 2.2).
2. Existe em razão da graça de Deus. Paulo encerra a sua Epístola com uma razão de ser, a revelação da graça de Deus, mediante o Evangelho: “Mas que se manifestou agora e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé, ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém!” (Rm 16.26,27). Essas palavras de adoração nos fazem lembrar outra expressão de louvor do apóstolo: “Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!” (Rm 11.36). 
Comentário: Este mistério ou plano de Deus - o evangelho de Jesus Cristo (Ef 2.11-3.13), agora foi claramente revelado a toda a humanidade “pelas Escrituras” – Deus manifestou este mistério na pessoa e na obra de Jesus. Isto foi predito pelos profetas e o sua realidade se vê no estabelecimento da igreja do Novo Testamento, formada de crentes judeus e gentios –e Deus apresentou a oferta do evangelho ao mundo inteiro, o que foi sempre o Seu propósito! (Gn 3.15; 12.3; Ex 19.5-6; Jr 31.31-34). O conceito bíblico de “glória” é difícil de definir. A glória dos crentes é que eles entendam o evangelho e se gloriem em Deus, não neles mesmos (1.29-31; Jr 9.23-24). Freqüentemente o conceito de brilho era acrescentado à palavra para expressar a majestade de Deus (Ex 19.16-18; 24.17; Is 60.1-2). Somente Ele é digno e merece ser honrado. É tão brilhante que a humanidade caída não pode contemplá-lo (Ex 33.17-23; Is 6.5). Deus só pode ser verdadeiramente conhecido através de Cristo (Jr 1.14; Mt 17.2; Hb 1.3; Tg 2.1). Paulo encerra sua epístola com uma doxologia (Do grego δόξα [doxa] "glória" + -λογία [-logia], "palavra") é uma fórmula de louvor e glorificação encontrada ao longo das Escrituras.

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“Ele é poderoso (16.25-27)
Como é possível levar pecadores, motivados pelo egoísmo e paixões pecaminosos, separados por preconceitos raciais e enormes diferenças sociais, a crerem numa comunidade unida pelo amor desprendido? Somente Deus pode fazer isso no mundo do século primeiro. Somente Deus pode assim proceder em nossos dias. A mensagem de Romanos é de que ele o fará, através da justiça imputada a nós pela fé, construída verdadeiramente pela confiança contínua em nosso Deus vivo” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo.10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.752).

CONCLUSÃO
Nada mais apropriado do que encerrar uma carta incentivando as relações interpessoais saudáveis. É isso o que Paulo faz no final da carta aos Romanos. Primeiramente vemos o quanto ele valorizou o relacionamento interpessoal saudável, doutrinando a igreja a respeito dos perigos das contendas e divisões. O individualismo, o sensualismo e as heresias deveriam ser resistidos energicamente. Muitos dos nomes que Paulo citou haviam labutado ombro a ombro com ele na edificação do Corpo de Cristo. Não eram lembranças nostálgicas, mas recordações que ajudavam a refrigerar a alma. Por último, não deveriam esquecer de que a fonte e a origem de toda harmonia é Deus. Ele é a fonte de toda a graça dispensada. 
Comentário: Em 12.5, Paulo diz que “[...] somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros”. Ele emprega o verbo grego esmen (“somos”) no tempo presente e sugere o estado de que os membros pertencem tanto a Cristo, quanto uns aos outros, ao mesmo tempo. É por essa razão que a igreja não deve se conformar com a cosmovisão secular prevalecente sobre relacionamentos (individualismo, hedonismo, egocentrismo, etc.), mas deve renovar-se através do conceito de que os membros pertencem tanto a Cristo, como uns aos outros. Assim, do mesmo modo que cada crente deve se relacionar com o Senhor, deve igualmente se relacionar e cuidar dos outros crentes. Não há divindade além do nosso Deus. Todos os outros deuses são falsos. Somente o Senhor Deus Todo Poderoso, o Deus da Aliança, merece nosso louvor. Nós O louvamos pelo seu presente de Jesus para expiar nossos pecados, seu presente de misericórdia para aperfeiçoar nossas falhas, seu presente de paciência para nos ajudar a consertar nossas inconsistências e, por último, seu presente de amor para prover nossa salvação.

PARA REFLETIR
A respeito da Carta aos Romanos, responda:

Paulo finaliza sua carta primeiramente recomendando a qual membro da igreja de Cencreia?
Paulo finaliza sua carta primeiramente recomendando a irmã Febe.

Cite o nome de algumas irmãs que cooperaram com Paulo.
Febe, Priscila, Áquila, Maria.

Qual era a recomendação de Paulo em relação àqueles que causavam dissensões e escândalos?
A igreja deve observá-lo e afastar-se dele.

Segundo a lição o que era o movimento herético do primeiro século conhecido como gnosticismo?
Era um movimento sectário, que tinha como prática o sensualismo e o antinomismo. Em outras palavras, como viam a matéria como algo ruim, não tinham apreço pelo corpo, já que este era material.

Como Paulo encerra a sua carta?
Paulo encerra a sua Epístola com uma expressão de louvor e adoração.