Lição
13: O
cultivo das relações interpessoais
Data: 26 de Junho de 2016
Relacionamento
interpessoal é um conceito do âmbito da sociologia e psicologia que significa
uma relação entre duas ou mais pessoas. Este tipo de relacionamento
é marcado pelo contexto onde ele está inserido, podendo ser um contexto
familiar, escolar, de trabalho ou de comunidade.
O relacionamento interpessoal implica uma relação social, ou seja, um conjunto
de normas comportamentais que orientam as interações entre
membros de uma sociedade. O conceito de relação social, da área da sociologia,
foi estudado e desenvolvido por Max Weber.
TEXTO
ÁUREO
“Ao único Deus, sábio, seja dada glória por
Jesus Cristo para todo o sempre. Amém!”(Rm 16.27).
Comentário: A cristandade tem somente um Deus, como o
judaísmo, contudo a plena Divindade de Jesus e a plena pessoalidade do Espírito
forçam-nos a uma “triunidade”, que é a Trindade.
VERDADE
PRÁTICA
Deus deseja que os crentes, alcançados pela graça, cultivem
relacionamentos saudáveis.
LEITURA
BÍBLICA EM CLASSE
Romanos 16.1-16.
1. Recomendo-vos, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja
que está em Cencreia,
2. para que a recebais no Senhor, como convém aos santos, e a
ajudeis em qualquer coisa que de vós necessitar; porque tem hospedado a muitos,
como também a mim mesmo.
3. Saudai a Priscila e a Áquila, meus cooperadores em Cristo
Jesus,
4. os quais pela minha vida expuseram a sua cabeça; o que não só
eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios.
5. Saudai também a igreja que está em sua casa. Saudai a Epêneto,
meu amado, que é as primícias da Ásia em Cristo.
6. Saudai a Maria, que trabalhou muito por nós.
7. Saudai a Andrônico e a Júnia, meus parentes e meus companheiros
na prisão, os quais se distinguiram entre os apóstolos e que foram antes de mim
em Cristo.
8. Saudai a Amplíato, meu amado no Senhor.
9. Saudai a Urbano, nosso cooperador em Cristo, e a Estáquis, meu
amado.
10. Saudai a Apeles, aprovado em Cristo. Saudai aos da família de
Aristóbulo.
11. Saudai a Herodião, meu parente. Saudai aos da família de
Narciso, os que estão no Senhor.
12. Saudai a Trifena e a Trifosa, as quais trabalham no Senhor.
Saudai à amada Pérside, a qual muito trabalhou no Senhor.
13. Saudai a Rufo, eleito no Senhor, e a sua mãe e minha.
14. Saudai a Asíncrito, a Flegonte, a Hermas, a Pátrobas, a Hermes,
e aos irmãos que estão com eles.
15. Saudai a Filólogo e a Júlia, a Nereu e a sua irmã, e a Olimpas,
e a todos os santos que com eles estão.
16. Saudai-vos uns aos outros com santo ósculo. As igrejas de
Cristo vos saúdam.
HINOS
SUGERIDOS
10,
185 e 454 da Harpa Cristã.
OBJETIVO
GERAL
Compreender que os crentes precisam
cultivar relacionamentos saudáveis.
OBJETIVOS
ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve
atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os
seus respectivos subtópicos.
·
I. Compreender a
importância das relações interpessoais;
·
II. Apontar as
ameaças às relações interpessoais;
·
III. Apontar a
fonte das relações interpessoais.
INTERAGINDO
COM O PROFESSOR
Com graça de Deus, chegamos ao final do estudo da Epístola aos Romanos.
Paulo conclui a carta saudando alguns irmãos e irmãs em Cristo. A lista de
saudações é bem extensa. Ele cita judeus e gentios, gente simples e
autoridades. Isso mostra que o líder precisa da ajuda de cooperadores. Paulo
tinha vários cooperadores e não deixou de fazer menção do nome deles. O
apóstolo demonstra seu amor por todos os irmãos que cooperavam com a obra de
Deus. Na conclusão da Epístola de Romanos, percebemos que o apóstolo Paulo não
somente fundou igrejas e pregou o Evangelho de Cristo aos gentios. Ele
construiu comunidades de amor, de remidos em Cristo pela graça, que amavam ao
Senhor e a sua obra.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Os vinte e sete versículos do capítulo dezesseis da Epístola aos Romanos
encerram a monumental obra literária de Paulo. Por toda a obra, o apóstolo
discorreu a respeito dos principais temas da fé cristã e deixou-nos princípios
fundamentais que são úteis para a construção de relacionamentos interpessoais.
De uma maneira informal, mas com o seu estilo literário característico, Paulo
traz à lembrança nomes de pessoas que, de uma forma ou de outra, o ajudaram a
construir a identidade cristã do primeiro século. Ele não deixou que esses
nomes caíssem no esquecimento, e, no final de sua carta envia-lhes saudações,
numa demonstração de gratidão a Deus por tudo o que essas significaram para
ele.
Comentário: Estes versículos nos dão um certo
discernimento quanto ao calor das relações pessoais do apóstolo, bem como
quanto à comunhão entre os crentes. No versículo 1 “Recomendo-vos”, indica que
esta é uma carta de recomendação da diaconisa Febe (nome comum na mitologia
grega, significava “brilhante” ou “radiante”). Foi ela quem provavelmente levou
a carta de Paulo para Roma. Há diversos outros exemplos dessas cartas de
apresentação ou recomendação no Novo Testamento (At 18.27; 1Co 16.3; 2Co 3.1;
8.18-24; Fp 2.19-30). Finalizando a Epístola, Paulo se refere à diversas
pessoas, demonstrando que conservava um relacionamento interpessoal.
I.
A IMPORTÂNCIA DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS
1. Valorizando pessoas, não coisas. Paulo finaliza sua carta
primeiramente recomendando a irmã Febe, membro da igreja de Cencreia. Foi
através dela que o apóstolo enviou sua epístola à igreja que estava em Roma. A
recomendação vem acompanhada de uma observação na qual Paulo reconhece o
serviço prestado por ela à igreja de Cencreia: “[...] A qual serve na igreja
que está em Cencreia, para que a recebais no Senhor, como convém aos santos, e
a ajudeis em qualquer coisa que de vós necessitar; porque tem hospedado a
muitos, como também a mim mesmo” (Rm 16.1,2). Ela servia à igreja. O vocábulo
servir, usado aqui, traduz o termo grego diakonos, o que tem levado
muitos comentaristas a acreditar que ela era uma diaconisa da igreja. O fato é
que o apóstolo pôs em evidência a função em vez do ofício. Infelizmente, hoje
as coisas estão invertidas. O que vale mais hoje são os títulos e os cargos ao
invés do desempenho do serviço cristão.
Comentário: Diakonos é o termo grego
para ministro/servo. É usado a respeito de Cristo em 15.8 e de Paulo em Ef 3.7
e Cl 1.23,25. Há evidências tanto no Novo Testamento quanto nos escritos
pós-bíblicos das igrejas sobre o ofício das diaconisas. Todos os crentes são
chamados e dotados para ser ministros de tempo integral (Ef 4.12). Alguns são
chamados para papéis de liderança ministerial. Nossas tradições têm que abrir
caminho para as Escrituras! Esses antigos diáconos e diaconisas eram servos,
não uma equipe de executivos. Cencréia era um dos dois
portos de Corinto, ficando este no lado leste (At 18.18). Paulo pede àquela
igreja que “receba gentilmente, como um convidado” (Fp 2.29) a esta senhora, em
quem ele tanto confiava e queria que a Igreja a recebesse e ajudasse, em favor
dele. “aos santos” – Este termo significa “os que são santos”.
Descreve não apenas a posição dos crentes em Jesus, mas também a esperança e
expectativa de que tenham vidas piedosas, que caracterizem progressivamente sua
nova posição de santidade em Cristo. O termo “santos” está sempre no plural,
exceto uma vez (Fp 4.21), e mesmo então o sentido é coletivo. Ser cristão é ser
parte de uma comunidade de fé, uma família, um corpo. A igreja ocidental
moderna está depreciando cada vez mais este aspecto coletivo da fé bíblica! “e
a ajudeis em qualquer coisa que de vós precisar” – Aqui há dois
subjuntivos gregos: paristēmi, “estar perto, disponível, para
ajudar”, e chrēzō, “ajudar com tudo que seja necessário”
(2Co 3.1). Isto se refere a provisões materiais para os ministros itinerantes.
Este era o propósito das cartas de recomendação.
2. O valor das mulheres. Paulo fala de Priscila e Áquila,
como tendo exposto suas vidas na causa do Evangelho (Rm 16.3). Esse casal era
judeu e havia sido expulso de Roma pelo imperador Cláudio. Agora haviam voltado
à capital do império. Outras referências ao mesmo casal são encontradas em Atos
18.2,18,26; 1 Coríntios 16.19 e 2 Timóteo 4.19. Duas observações são
importantes na vida desse casal. Primeiramente, Paulo sempre cita Priscila em primeiro
lugar. Muitos comentaristas concordam que isso tinha uma razão de ser. Priscila
se destacava na obra do Senhor, sendo auxiliada por Áquila, seu esposo. Quem
não conhece uma irmã em Cristo que se destaca mais do que o esposo na causa do
Mestre? Paulo não cita apenas Priscila, mas cita outras mulheres de igual
destaque. No versículo 6, ele menciona uma mulher de nome Maria: “Saudai a
Maria, que trabalhou muito por nós”. Pouco se diz dessa Maria, e o que se sabe
é que ela “trabalhou muito” na obra de Deus. Trabalhar aqui traduz o termo
grego kopiao, que significa trabalho voluntário. Maria se deu
voluntariamente para a obra de Deus. Precisamos de mais “Marias”. Que o Senhor
envie mais “Marias” para a sua obra.
Comentário: “Prisca e Áquila” – Este casal tinha por
profissão a fabricação de tendas, como Paulo (At 18.3). Ele estava com eles em
Corinto. Lucas a chama de “Priscila”. Ela é freqüentemente mencionada antes do
marido, o que era muito incomum (At 18.18, 26; 1Co 16.19; 2Tm 4.19).
Possivelmente ela era da nobreza romana ou a personalidade dominante no casal.
Paulo os chama de “meus cooperadores em Cristo Jesus”. É possível que Paulo
tenha sabido das fraquezas e pontos fortes da igreja romana através deste
casal. “expuseram a sua cabeça” – Aqui foi usada uma expressão
idiomática referente ao risco de ser degolado ou decapitado pela guilhotina de
um carrasco. A Bíblia não esclarece o que Paulo tinha em mente com esta frase. “não
só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios” – Paulo era
muito grato pela amizade e ajuda ativa deste casal. Ele mesmo relaciona o
serviço deles a “todas as Igrejas dos gentios”. Que afirmação e agradecimento
arrebatador! Deve ser por causa do apoio e do relato sobre Apolo (At 18.24-28).
“a Igreja” – É digno de nota que este termo refere-se às pessoas,
não ao prédio. O termo significava “os chamados para fora”. No grego da
Septuaginta, usado para traduzir o termo hebraico qahal, “congregação”.
A igreja primitiva via a si mesma como o cumprimento da verdadeira “congregação
de Israel” do Antigo Testamento, como sucessores naturais, e não como
um grupo divisionista e sectário. “que está em sua casa” –
Os cristãos primitivos encontravam-se nos lares (16.23; At 12.12; 1Co 16.19;
Cl 4.15 e Fm 2). Os templos como locais de reunião para culto não surgiram até
o terceiro século d.C.
3. Irmandade e companheirismo. Na saudação seguinte, sentimos o
peso que tinha a comunidade cristã para Paulo e o valor do seu companheirismo
(Rm 16.7,8). A igreja é o Corpo de Cristo. Ela é uma grande família.
Conscientizemo-nos da importância que tem a fraternidade cristã para a saúde da
igreja. Infelizmente a nossa espiritualidade segue mais um modelo de
condomínio, onde ninguém conhece ninguém, do que de uma casa de família, onde
todos se conhecem e se relacionam.
Comentário: No versículo 7 Paulo se refere a “meus
companheiros na prisão” –não há consenso sobre qual prisão ele se refere,
porque sofreu muito por causa da sua fé (2Co 4.8-11; 6.4-10; 11.25-28). Ele
esteve preso em Filipos, Cesaréia, Roma e provavelmente em Éfeso e outros
lugares (1Co 15.32; 2Co 1.8). Também não há consenso sobre “Junias” – este
nome pode ser masculino ou feminino, o que só pode ser determinado poracentos
gráficos e há variações em manuscritos gregos com “Iounian”, mas sem qualquer
acentuação. As traduções da Vulgata e Cóptica, bem como nos textos gregos
usados por Jerônimo, aparece “Ioulian”, que é nome feminino. Alguns estudiosos
pensam que isso foi erro dos copistas. É também interessante que a grafia
“Junias” não foi encontrada em nenhum outro lugar, na literatura romana ou em
inscrições, mas o nome “Junia” era muito comum. Trata-se de um sobrenome
romano. O versículo sete termina com “se distinguiram entre os apóstolos”
- Isto pode referir-se aos Doze e, se for o caso, estes dois eram bem
conhecidos deles ou de um grupo maior de ministros também conhecido como
“apóstolos” (At 14.4, 14; 18.5; 1Co 4.9; Gl 1.19; Fp 2.25; 1Ts 2.6). O contexto
implica no uso mais amplo, como em Ef 4.11, mas o artigo definido implica nos
Doze; “que foram antes de mim em Cristo” – Isto obviamente
significa que eles eram salvos e ativos no serviço de Cristo, antes da
experiência de Paulo no caminho de Damasco. “meu amado no Senhor”
– O termo “amado” é usado por Deus, o Pai, para referir-se a Jesus, o Filho (Mt
3.17 e 17.5), Paulo o usa para dirigir-se a crentes, evidenciando o
companheirismo que envolvia aqueles crentes primitivos.
SUBSÍDIO
BIBLIOLÓGICO
“Paulo recomenda Febe (16.1)
A palavra que a descreve como serva é diakonia, diácono.
Exceção feita pelo seu final feminino, é a mesma palavra em todas as versões em
inglês para ‘diácono’ nas epístolas pastorais. É usada também para indicar
cargo de liderança na igreja. Aparentemente, Paulo não era tão negativo em
relação à liderança feminina quanto muita gente é hoje.
Priscila e Áquila (16.3). O casal apresentado em Atos 18 era
bem próximo do apóstolo Paulo e estava profundamente envolvido em seu
ministério. É significativo notar que, exceção feita ao versículo em que os
dois são apresentados, o nome da esposa precede o do marido. Tudo indica que os
dons de Priscila eram maiores do que os dons do cônjuge e a Escritura é
testemunha do respeito que ela gozava na igreja primitiva” (RICHARDS, Lawrence
O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a
Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.752).
II.
AS AMEAÇAS ÀS RELAÇÕES INTERPESSOAIS
1. Individualismo. No meio das saudações, o apóstolo
Paulo, de forma abrupta, põe uma advertência: “E rogo-vos, irmãos, que noteis
os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes;
desviai-vos deles” (Rm 16.17). Alguns comentaristas acham que esse versículo se
encontra deslocado do restante dos demais. Mas, a verdade é que ele está no
lugar onde deveria estar. Paulo via como uma ameaça a quebra da koinonia cristã.
Portanto, era um perigo às relações interpessoais, o individualismo daqueles
que promoviam dissensões. Esse individualismo está caracterizado no fato de que
eles serviam ao seu próprio estômago ou ventre. Viviam para si mesmos. O
faccioso geralmente é um indivíduo solitário até o momento em que arregimenta
outros para compartilhar do seu pensamento doentio. A igreja deve observá-lo e
afastar-se dele.
Comentário: Esta advertência parece irromper
inesperadamente no contexto. Nos versículos 17 e 18 há uma lista do que esses
falsos mestres estavam fazendo:
1. Fomentavam divisões;
2. Criavam obstáculos para os
crentes;
3. Ensinavam o contrário do que era
ensinado na Igreja;
4. Tratavam de saciar os seus
próprios apetites;
5. Enganavam os corações incautos com
amenidades e lisonjas.
“desviai-vos (apartai-vos) deles” –
Este é um tema repetitivo (Gl 1.8-9; 2Ts 3.6,14; 2 Jo 10). Mestres falsos
com freqüência são atraentes de físico e têm personalidades dinâmicas (Cl 2.4).
O que dizem freqüentemente tem muita lógica. Portanto, cuidado! Alguns testes
bíblicos possíveis para identificar falsos mestres são encontrados em Dt 13.1-5;
18.22; Mt 7; Fp 3.2-3, 18-19; 1Jo 4.1-6. Os crentes de Roma deveriam evitar
aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a ‘doutrina que
aprendestes’. Os crentes devem aprender a não se deixar enganar por ‘suaves
palavras de lisonjas’ (v. 18).
2. Sensualismo e antinomismo. Esses irmãos facciosos não apenas
provocavam dissensões, mas também promoviam escândalos (Rm 16.17). A maioria
dos comentaristas são de acordo que Paulo tinha em mente o movimento herético
do primeiro século conhecido como gnosticismo. Era um movimento sectário, que
tinha como prática o sensualismo e o antinomismo. Em outras palavras, como viam
a matéria como algo ruim, não tinham apreço pelo corpo, já que este era
material. Isso os conduzia a uma vida sensual. Por outro lado, outra
consequência desse entendimento errado, estava na troca da doutrina bíblica por
“palavras suaves e lisonjas” (Rm 16.18). Não havia regras para obedecer. Esse
ensino de sabor adocicado, porém falso, tinha a capacidade de atrair os
incautos.
Comentário: Gnosticismo foi um movimento religioso, de
caráter sincrético e esotérico, desenvolvido nos primeiros séculos de nossa era
à margem do cristianismo institucionalizado, combinando misticismo e
especulação filosófica. O Gnosticismo talvez fosse a heresia mais perigosa que
ameaçava a igreja primitiva durante os primeiros três séculos. Influenciado por
filósofos como Platão, o Gnosticismo é baseado em duas premissas falsas.
Primeiro, essa teoria sustenta um dualismo em relação ao espírito e à matéria.
Os gnósticos acreditam que a matéria seja essencialmente perversa e que o
espírito seja bom. Como resultado dessa pressuposição, os gnósticos acreditam
que qualquer coisa feita no corpo, até mesmo o pior dos pecados, não tem valor
algum porque a vida verdadeira existe no reino espiritual apenas. Os apóstolos
Paulo e João combateram duramente o Gnosticismo, por conta de sua exaltação ao
conhecimento oculto, sua negativa da Encarnação de Cristo, de Sua Morte e
Ressurreição, seu dualismo entre alma e corpo, espírito e matéria, ignorância e
conhecimento, mundo material e corrupto versus mundo espiritual e perfeito.
Esta heresia nefasta ronda a igreja hoje, e pode ser encontrada em muitos
púlpitos. Os gnósticos pregavam que o mal é a ignorância, porque esta afastaria
o Homem de conhecer as dádivas colocadas à sua disposição pelas leis
metafísicas do Universo. O falecido Mike Murdock, “com sua obra A Lei do
Reconhecimento, vem dizer, entre outras heresias, que a ignorância é a causa da
pobreza, doença e fracasso. Infelizmente, esse homem, com seu livro repleto de
ensinos materialistas e influenciado pela Confissão Positiva, vem sendo
considerado "o mais sábio dos Estados Unidos". Devo me sentir, então,
um tolo, por achar que o livro dele é ruim, e que não passa de um imitador do
Gnosticismo, que usa versículos bíblicos e linguagem evangélica para vender seu
produto, seu evangelho da riqueza? Esse evangelho da saúde e da riqueza,
pregado por tantos norte-americanos (Kenneth Hagin, Morris Cerullo, T.L.
Osborn, Kenneth Copeland, Frederick Price e muitos outros) é um grave câncer na
Igreja, que se alastra por muitas nações. Quem dá testemunho balizado disso é
Hank Hannegraaf, em seu excelente livro Cristianismo em Crise (CPAD), em
pesquisa séria e sólida. O Movimento da Fé, aqui representado exponencialmente
por R.R.Soares e Edir Macedo, mas também por tantos outros líderes de maior ou
menor monta, é um perigoso entrave ao assentimento da mensagem da Cruz no
coração do pecador. Toda essa pregação de "Você vai obter vitória",
"Você é um vencedor", "Basta tomar posse da bênção",
"Use a palavra para trazer à existência as coisas que não existem",
"Use a fé que Deus usou para criar o mundo", toda essa parafernália é
oriunda das leis de visualização e reprogramação mental que vêm das filosofias
e religiões orientais, carregadas também de aspectos inerentes ao Gnosticismo
heresia grega que exalta o conhecimento para a libertação do Homem, para seu
bem-estar físico, emocional, material e social.
SUBSÍDIO
BIBLIOLÓGICO
Professor, mostre aos alunos os princípios cristãos estabelecidos por
Paulo que nos ajudam desenvolver relacionamentos saudáveis: “Não devemos julgar
ou desprezar outras pessoas cujas convicções diferem das nossas. Devemos
reconhecer o senhorio de Jesus Cristo como realidade prática. Isso significa
que devemos proteger a liberdade que os cristãos têm, individualmente, de
tomarem suas próprias decisões quanto às ‘contendas sobre dúvidas’. Jesus, não
a minha consciência, é o Senhor do meu irmão. As ‘contendas sobre dúvidas’, nas
quais divergimos, não são erradas nem certas em si mesmas. Mas, qualquer ato
que viole a consciência é errado para as pessoas. No exercício de nossa
liberdade, devemos permanecer sensíveis às convicções dos outros. Escolher agir
de maneira a beneficiar nossos irmãos é liberdade de fazer algo que viole a
consciência dos outros. Estaremos em situação bem melhor se, todos nós,
concordarmos em manter para nós mesmos nossas convicções sobre questões
duvidosas, e tratarmos de assuntos relacionados a amar e servir uns aos outros.
Lembremo-nos sempre do exemplo de Cristo. Como Jesus aceitou a você e a mim?
Ele nos recebeu em nossa imperfeição. Ele nos recebeu em nossa ignorância. Ele
nos recebeu enquanto velhas práticas ainda estavam ligadas a nós, como as
faixas de linho na sepultura ligavam o Lázaro que o Senhor ressuscitou (Jo
11.44). Jesus nos recebeu para uma experiência transformadora de amor,
confiante de que o poder do perdão de Deus nos limparia e nos purificaria”
(RICHARDS, Lawrence O.Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 7ª
Edição. RJ: CPAD, 2000, p.323).
III.
A FONTE DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS
1. Existe em razão da sabedoria e soberania de Deus. Paulo
queria que os Romanos se certificassem de que ele lhes ensinara o Evangelho de
Deus. O evangelho da graça faz parte do “mistério” que Deus deu a conhecer no
final dos tempos (Rm 16.25). Esse mistério, que esteve oculto, foi dado a
conhecer à Igreja através de revelação do Espírito Santo. Era sobre o desvendar
desse mistério que Paulo acabara de escrever. Deus, em sua soberania, permitiu
que a sua sabedoria fosse revelada no evangelho da graça. O resultado foi a
salvação a todo aquele que crer. A igreja de Roma era fruto disso.
Comentário: O “mistério” que esteve oculto
é a pregação sobre Jesus Cristo; a revelação do plano eterno da salvação de
Deus, que foi mantido em segredo (mistério). Os crentes são capacitados pelo
conhecimento do evangelho e o evangelho agora está disponível para todos! Deus
tem um propósito único para a redenção da humanidade que precede até mesmo a
queda (Gn 3). Pistas deste plano são reveladas no Antigo Testamento (Gn 3.15;
12.3; Ex 19.5-6; além das passagens universais nos Profetas). Contudo esta
agenda cheia não estava clara (1Co 2.6-8). Com a vinda de Jesus e do Espírito,
ela começa a ficar mais óbvia. Paulo usava o termo “mistério” para descrever
este plano redentivo total (1Co 4.1; Ef 2.11-3.13; 6.19; Cl 4.3; 1Tm 1.9). O
evangelho foi tornado conhecido das nações, e todas elas estão incluídas em Cristo
e através de Cristo (Rm 16.25-27; Cl 2.2).
2. Existe em razão da graça de Deus. Paulo encerra a sua Epístola com
uma razão de ser, a revelação da graça de Deus, mediante o Evangelho: “Mas que
se manifestou agora e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o
mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé, ao único
Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém!” (Rm
16.26,27). Essas palavras de adoração nos fazem lembrar outra expressão de
louvor do apóstolo: “Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas;
glória, pois, a ele eternamente. Amém!” (Rm 11.36).
Comentário: Este mistério ou plano de Deus - o evangelho
de Jesus Cristo (Ef 2.11-3.13), agora foi claramente revelado a toda a
humanidade “pelas Escrituras” – Deus manifestou este mistério na pessoa e
na obra de Jesus. Isto foi predito pelos profetas e o sua realidade se vê
no estabelecimento da igreja do Novo Testamento, formada de crentes judeus e
gentios –e Deus apresentou a oferta do evangelho ao mundo inteiro, o que foi
sempre o Seu propósito! (Gn 3.15; 12.3; Ex 19.5-6; Jr 31.31-34). O conceito
bíblico de “glória” é difícil de definir. A glória dos crentes é que
eles entendam o evangelho e se gloriem em Deus, não neles mesmos (1.29-31; Jr
9.23-24). Freqüentemente o conceito de brilho era acrescentado à palavra para
expressar a majestade de Deus (Ex 19.16-18; 24.17; Is 60.1-2). Somente Ele é
digno e merece ser honrado. É tão brilhante que a humanidade caída não pode
contemplá-lo (Ex 33.17-23; Is 6.5). Deus só pode ser verdadeiramente conhecido
através de Cristo (Jr 1.14; Mt 17.2; Hb 1.3; Tg 2.1). Paulo encerra sua epístola
com uma doxologia (Do grego δόξα [doxa] "glória" + -λογία [-logia],
"palavra") é uma fórmula de louvor e glorificação encontrada ao longo
das Escrituras.
SUBSÍDIO
BIBLIOLÓGICO
“Ele é poderoso (16.25-27)
Como é possível levar pecadores, motivados pelo egoísmo e paixões
pecaminosos, separados por preconceitos raciais e enormes diferenças sociais, a
crerem numa comunidade unida pelo amor desprendido? Somente Deus pode fazer
isso no mundo do século primeiro. Somente Deus pode assim proceder em nossos
dias. A mensagem de Romanos é de que ele o fará, através da justiça imputada a
nós pela fé, construída verdadeiramente pela confiança contínua em nosso Deus
vivo” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma
análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo.10ª Edição. RJ: CPAD,
2012, p.752).
CONCLUSÃO
Nada mais apropriado do que encerrar uma carta incentivando as relações
interpessoais saudáveis. É isso o que Paulo faz no final da carta aos Romanos.
Primeiramente vemos o quanto ele valorizou o relacionamento interpessoal
saudável, doutrinando a igreja a respeito dos perigos das contendas e divisões.
O individualismo, o sensualismo e as heresias deveriam ser resistidos
energicamente. Muitos dos nomes que Paulo citou haviam labutado ombro a ombro
com ele na edificação do Corpo de Cristo. Não eram lembranças nostálgicas, mas
recordações que ajudavam a refrigerar a alma. Por último, não deveriam esquecer
de que a fonte e a origem de toda harmonia é Deus. Ele é a fonte de toda a
graça dispensada.
Comentário: Em 12.5, Paulo diz que “[...] somos um só
corpo em Cristo e membros uns dos outros”. Ele emprega o verbo grego esmen (“somos”)
no tempo presente e sugere o estado de que os membros pertencem tanto a Cristo,
quanto uns aos outros, ao mesmo tempo. É por essa razão que a igreja não deve
se conformar com a cosmovisão secular prevalecente sobre relacionamentos
(individualismo, hedonismo, egocentrismo, etc.), mas deve renovar-se através do
conceito de que os membros pertencem tanto a Cristo, como uns aos outros.
Assim, do mesmo modo que cada crente deve se relacionar com o Senhor, deve
igualmente se relacionar e cuidar dos outros crentes. Não há divindade além do
nosso Deus. Todos os outros deuses são falsos. Somente o Senhor Deus Todo
Poderoso, o Deus da Aliança, merece nosso louvor. Nós O louvamos pelo seu
presente de Jesus para expiar nossos pecados, seu presente de misericórdia para
aperfeiçoar nossas falhas, seu presente de paciência para nos ajudar a
consertar nossas inconsistências e, por último, seu presente de amor para
prover nossa salvação.
PARA
REFLETIR
A respeito da Carta aos Romanos, responda:
Paulo finaliza sua carta primeiramente recomendando a qual membro da
igreja de Cencreia?
Paulo finaliza sua carta primeiramente recomendando a irmã Febe.
Cite o nome de algumas irmãs que cooperaram com Paulo.
Febe, Priscila, Áquila, Maria.
Qual era a recomendação de Paulo em relação àqueles que causavam
dissensões e escândalos?
A igreja deve observá-lo e afastar-se dele.
Segundo a lição o que era o movimento herético do primeiro século
conhecido como gnosticismo?
Era um movimento sectário, que tinha como prática o sensualismo e o
antinomismo. Em outras palavras, como viam a matéria como algo ruim, não tinham
apreço pelo corpo, já que este era material.
Como Paulo encerra a sua carta?
Paulo encerra a sua Epístola com uma expressão de louvor e adoração.

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