Lição 10: Deveres civis, morais e Espirituais
Data: 5 de Junho de
2016
TEXTO
ÁUREO
“Toda alma esteja sujeita às
autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as
autoridades que há foram ordenadas por Deus” (Rm 13.1).
Comentário: Os crentes têm uma base racional distinta
para se submeterem, de modo apropriado, às autoridades governamentais: o
reconhecimento de que o próprio Deus é a fonte do governo na sociedade humana
(Pv 8.15,16; Dn 2.21).
VERDADE
PRÁTICA
Diante da
sociedade, o crente tem deveres civis, morais e espirituais.
LEITURA
DIÁRIA
Segunda — Rm 13.1 - É Deus que constitui as autoridades para que
governem com justiça
Terça — Rm 13.2 - Resistir às autoridades é resistir à ordenação de
Deus
Quarta — Rm 13.3 - As autoridades são constituídas para punir os que
fazem o mal
Quinta — Rm 13.5 - Os crentes devem respeitar as autoridades
Sexta — Rm 13.7,8 - Pagando os tributos e não devendo nada a ninguém, a
não ser o amor
Sábado — At 5.29 - A obediência a Deus deve vir sempre em primeiro
lugar
LEITURA
BÍBLICA EM CLASSE
Romanos 13.1-8.
1 — Toda alma esteja sujeita às
autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as
autoridades que há foram ordenadas por Deus.
2 — Por isso, quem resiste à
autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si
mesmos a condenação.
3 — Porque os magistrados não são
terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a
autoridade? Faze o bem e terás louvor dela.
4 — Porque ela é ministro de Deus
para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada;
porque é ministro de Deus e vingador para castigar o que faz o mal.
5 — Portanto, é necessário que lhe
estejais sujeitos, não somente pelo castigo, mas também pela consciência.
6 — Por esta razão também pagais
tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo.
7 — Portanto, dai a cada um o que
deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor;
a quem honra, honra.
8 — A ninguém devais coisa alguma, a
não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros
cumpriu a lei.
HINOS
SUGERIDOS
10, 185 e 436 da
Harpa Cristã.
OBJETIVO
GERAL
Conscientizar que o crente tem
deveres civis, morais e espirituais para com a sociedade na qual está inserido.
OBJETIVOS
ESPECÍFICOS
I. Apontar os
deveres civis daqueles que foram alcançados pela graça divina;
II. Explicar os
deveres civis dos crentes;
III. Relacionar os
deveres espirituais dos crentes.
INTERAGINDO
COM O PROFESSOR
Dando prosseguimento ao estudo da
Epístola aos Romanos, estudaremos o capítulo 13. Neste capítulo Paulo mostra
que a nossa vida de fé em Jesus Cristo precisa ser revelada em nossos
relacionamentos interpessoais e com as autoridades constituídas. O crente deve
respeitar e se submeter às autoridades legitimamente constituídas. Porém, isso
não significa que ele deva concordar com o pecado daqueles que estão em uma
posição de liderança, como por exemplo, a corrupção, o roubo e leis que são
contrárias a Palavra de Deus, como por exemplo, a legalização do aborto. Somos
cidadãos dos céus, mas enquanto vivermos neste mundo, precisamos pagar nossos
impostos e seguir as leis estabelecidas (13.1-5). Nosso respeito e submissão as
autoridades revelam o quanto amamos e respeitamos o Todo-Poderoso e as suas
Leis.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Na lição de hoje estudaremos o
capítulo 13 da Epístola aos Romanos. Paulo trata neste capítulo a respeito da
relação dos crentes com as autoridades. Viver pela fé na justiça de Deus
implica obedecer às leis, as autoridades governamentais, pagar impostos e
seguir as regras e normas estabelecidas, demonstrando então que somos uma nova
criatura. A submissão do crente às autoridades revela seu amor e sua obediência
às leis de Deus.
Comentário: Depois de comentar sobre a atitude própria do
crente em relação a Deus, em relação aos irmãos na fé e em relação aos de fora
(inclusive inimigos), Paulo agora descreve como os filhos de Deus devem
relacionar-se com as autoridades governamentais. Paulo começa seu texto dizendo
que todos devem se sujeitar às autoridades governamentais. Mas o que isso
significa? O desenrolar do capítulo 13 explica esta sujeição evidenciando seu
interesse em uma obediência não ao indivíduo governante, mas à autoridade
governamental no exercício de sua função. Podemos dizer porque a linguagem
paulina está sempre relacionado à obediência às leis. O governo civil é um meio
ordenado por Deus para reger e manter a ordem nas comunidades. Soma-se a esse,o
governo de ministros na Igreja e pais no lar. Em nosso mundo decaído, essas
autoridades são instituições da “graça comum” de Deus, colocada como anteparo
contra a anarquia e contra a dissolução da sociedade ordenada. No texto áureo,
o termo “autoridade” é a tradução do grego exousia, Strong
1849: Uma das quatro palavras para “poder” (dunamis, exousia, ischus
e kratos), exousia significa a autoridade ou o direito de
agir, habilidade, privilégio, capacidade, autoridade delegada. Exousia é
o direito de usar dunamis. É importante salientar que Paulo não
sugere que Deus aprova uma autoridade corrupta, oficiais ímpios ou legislação
injusta, embora algumas vezes, em punição aos pecados de uma pessoa ou por
outros motivos conhecidos por Deus, ele permita que os governantes maus tenham
autoridade por algum tempo. Idealmente, Deus concede autoridade para fazer boas
obras (v.3-4). A maneira como essa autoridade é exercida será responsabilidade
de cada um a quem ela foi concedida.
I. DEVERES CIVIS (Rm 13.1-7)
1. A natureza do Estado. O apóstolo Paulo parte do princípio de que toda
autoridade é constituída por Deus. [...] “Não há potestade que não venha de
Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus” (Rm 13.1 — ACRF). A
tradução Almeida Corrigida Revisada Fiel usada aqui deixa ambíguo o sentido
desse texto ao usar a palavra potestade em vez de autoridade. O termo potestade
dá uma conotação de que a referência seja a seres espirituais. Todavia, o termo
exousia (autoridade), que ocorre 102 vezes em o Novo Testamento grego, quatro
vezes neste capítulo, possui o sentido, nesse contexto, de governantes civis. A
referência, portanto, diz respeito às autoridades civis, quer locais, quer
nacionais. O princípio da autoridade constituída, ou delegada, vem de Deus, e
por isso o crente tem o dever de se submeter a ela. Esse princípio é fartamente
documentado no Antigo Testamento, onde é mostrado que nenhum governante exerce
autoridade fora do domínio de Deus (Pv 8.15,16; Dn 2.21; Is 45.1-7).
Comentário:Como Paulo vai desenvolver a ideia da submissão à
autoridade civil em Romanos 13.1-7? Paulo declara que esses governantes foram
designados por Deus, de modo que os que se lhes opõem estão resistindo à
ordenação de Deus. O insubmisso é definido em termos de praticar a maldade (v.
3), não pagar os impostos (v. 7) e não temer e honrar os líderes (v. 7),
estrutura esta que se repete em outro texto Paulino e até mesmo na fala de
Pedro (Tt 3.1 e 1Pe 2.13-14), onde sujeição sempre vem antes ou em paralelismo
com obedecer às leis, não agindo como um malfeitor. Desta forma, poderíamos
reescrever a ordenança paulina, trazendo o que foi escrito aos romanos debaixo
de um império para nosso momento, sob uma democracia representativa
constitucional como “Todos devem obedecer a lei”.
2. O propósito do Estado. A natureza espiritual de um governo civil
está no princípio da autoridade a ele delegada. O propósito da sujeição do
crente à autoridade constituída, segundo Paulo, é especificado em Romanos
13.3,4. A razão dada é a promoção do bem e a punição do mal por parte da
autoridade. Em outras palavras, a manutenção da ordem. Sem obediência a
autoridade corre-se o risco de se cair numa anarquia. É por isso que o apóstolo
diz que o governo é ministro de Deus para a promoção do bem comum, bem como
para frear o mal. A palavra ministro, no grego, é diáconos, vocábulo que mostra
o princípio divino por trás do governo humano. São ministros a serviço de Deus,
mesmo que sejam governantes pagãos, como, por exemplo, os imperadores Ciro e
Nabucodonosor (Is 45.1; Dn 4.17). O princípio bíblico em relação às autoridades
é que o cristão as respeite e as honre (Rm 13.7). A desobediência civil só se
justifica no caso de conflito entre a lei humana e a divina (At 5.29). No caso
de governos que decretam leis injustas e estados totalitários que privam o
exercício da fé, o cristão, em razão da sua consciência para com Deus, deve
moldar-se pela Palavra de Deus, para isso, estando disposto a assumir todas as
consequências de seus atos.
Comentário: Os crentes de Roma deveriam ter em mente que
os magistrados foram designados por Deus com o fim de promover o interesse do
povo sobre quem têm responsabilidade. Portanto, a fim de evitar a ira de Deus,
e também por causa da consciência daqueles a quem a carta de Paulo foi escrita
– os crentes de todas as épocas – devem submeter-se às autoridades civis. Os
que seguem o curso oposto, seria bom que se lembrassem de que estão se opondo
ao próprio Deus; além disso, o magistrado não porta sua espada sem motivo. A
autoridade do Estado visa o benefício da sociedade, essa é a sua função normal,
e Paulo pressupõe que isso pode ter lugar em termos práticos,mesmo quando as
autoridades do governo sejam reconhecidamente não cristãos, como era o caso
daquela igreja. Pelo fato de o governo civil existir para o bem de toda a
sociedade, Deus lhe confere o “poder da espada”, o uso legal da força para
aplicar as leis justas (v.14), e os crentes devem reconhecer isso como parte da
ordem de Deus (v.1-2). Entretanto, se um governo civil proíbe aquilo que Deus
exige ou exige aquilo que Deus proíbe, o crente não deve submeter-se, assim,
alguma forma de desobediência civil se torna inevitável (At 4.18-31; 5.17.29).
O compromisso maior dos cristãos é com Cristo, o Senhor (Fp 2.11); a sua
verdadeira pátria está nos céus (3.20). Isso relativiza a importância do estado
e de todas as instituições humanas.
3. A igreja e o Estado. Paulo mostra que a sujeição por parte dos cristãos
às autoridades deve-se primeiramente por razões de obediência. Nesse caso o
crente deve submeter-se ao poder coercitivo da lei, pagando impostos e
tributos. É interessante notar que Paulo fala de dois tipos de tributos nesse
capítulo, phoros e telos. O primeiro termo é uma referência aos impostos
diretos enquanto a segunda aos indiretos. Paulo aconselhou os crentes a
cumprirem seus deveres pagando seus impostos (Mt 22.21). Mas havia uma razão a
mais para a submissão à autoridade — a consciência do crente. O crente não
deveria se sujeitar a autoridade simplesmente por medo da lei, mas por uma
questão de consciência diante de Deus.
Comentário: A esfera de autoridade da Igreja relaciona-se
com o governo civil no âmbito da moralidade. Os crentes devem exigir que os
governos civis cumpram o seu papel; devem orar pelo governo civil,
obedecer-lhes e estar atentos em relação a eles lembrando-os de que foi Deus
quem os estabeleceu para governar proteger e manter a ordem. No versículo cinco
Paulo dá duas razões pelas quais os crentes devem obedecer a autoridade: 1)
Pelo castigo, isto é, para evitar a punição que as autoridades executam sobre
aqueles que fazem o mal (v.4), e 2) Pela consciência, isto é, pois queremos ter
a consciência tranqüila perante Deus, que estabeleceu a autoridade e nos manda
obedecer-lhe.
SUBSÍDIO
BIBLIOLÓGICO
“Submissão as autoridades
(13.1)
‘Toda alma esteja sujeita às
potestades superiores’. O apóstolo recomenda a submissão à autoridade
constituída. A seguir, o texto declara a razão por que devemos nos submeter às
autoridades: ‘Porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades
que há foram ordenadas por Deus’. A palavra ‘potestade’ refere-se a ‘autoridade
ou poder delegado’. Neste parte do versículo, Paulo declara que toda a
autoridade vem de Deus.
13.2. Neste versículo, o resistir às
autoridades significa resistir a Deus, por isso estamos legalmente obrigados a
reconhecer e a obedecer às autoridades constituídas. Resistir à autoridade é
opor-se à lei divina, pois Deus mesmo reconhece a lei civil. Quebrar a lei ou
transgredi-la implica em consequências negativas, isto é, em condenação, não só
da parte das autoridades civis, mas também da parte de Deus.
13.3,5. ‘Porque os magistrados não
são terror para as boas obras’. Quando alguém pratica o bem não tem o que
temer. Note que Paulo declara que a autoridade civil é ministro de Deus (v.4),
por isso, o crente deve orar a Deus pela autoridades constituídas e submeter-se
a elas (v.5). Devemos nos submeter às autoridades por dever de consciência. O
crente obedece, não por medo de ser punido, mas porque sua consciência lhe
mostra o que deve fazer” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de
Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.139).
II.
DEVERES MORAIS (Rm 13.8-10)
1. A dívida que todos devem ter. O apóstolo reconhece os deveres do cristão em
relação ao Estado, e aconselhou a não ficarem em débito com ninguém: “A ninguém
devais coisa alguma [...]” (Rm 13.8). Em palavras atuais, significa que o
crente deve ter o “nome limpo na praça”. Por outro lado, Paulo reconhece outra
natureza de dívida, esta não negativa, mas positiva para o crente. A dívida do
amor. Não podemos dever nada a ninguém, exceto “o amor com que vos ameis uns
aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei” (Rm 13.8). Orígenes, um
dos pais da igreja antiga, dizia que “a dívida de amar é permanente e nunca a
saldamos; por isso devemos pagá-la diariamente, e sem dúvida, continuaremos
devendo”. Amar o semelhante é uma obrigação moral que temos para com a raça
humana.
Comentário: Tendo-se preocupado, em 13.1-7, com o
cumprimento, pelo crente, da sua responsabilidade política, Paulo prossegue
passando agora a resumir a sua exortação ética particularmente ao mandamento do
amor, que abrange tudo. “A ninguém devais coisa alguma”: o tempo
presente grego da proibição pode ser traduzido assim: “continue não
devendo nada a ninguém”. O versículo, provavelmente, não proíba todas
as dívidas, mas certamente proíbe uma atitude de contentamento com o
endividamento ou achar que o endividamento seja uma situação normal (Sl 37.21).
Esse versículo repete na forma negativa a ordem positiva do versículo 7: “Daí a
todos o que é vossa obrigação dar-lhes”.
2. A segunda tábua da lei. Paulo havia falado muito sobre a Lei nos capítulos
anteriores, e aqui novamente ele volta a citá-la: [...] “quem ama aos outros
cumpriu a lei” (Rm 13.8). A lei dada a Moisés no Sinai foi escrita em duas
tábuas (Êx 34.1). Os quatro primeiros mandamentos enfatizam o relacionamento
vertical, isto é, entre Deus e os homens: Não ter deuses estranhos; não fazer imagens;
não profanar o nome de Deus e guardar o sábado. Por outro lado, os outros seis
mandamentos são horizontais, isto é, enfocam o relacionamento entre as pessoas:
Honrar os pais; não matar; não adulterar; não furtar; não dar falso testemunho
e não cobiçar. O interesse do apóstolo pelas relações interpessoais fica claro
quando ele cita, em Romanos 13, esses mandamentos: “Com efeito: Não
adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não
cobiçarás [...]” (Rm 13.9).
Comentário: Se realmente compreendermos o mandamento de
amar ao próximo, nós cumpriremos todos os deveres sociais e observaremos
especialmente aqueles mandamentos mais fundamentais nos relacionamentos
humanos. O versículo 9 é um resumo das leis morais de Deus; todavia, um resumo
não deve ser usado para contradizer um dos itens que está resumindo. Portanto,
dizer que o amor ao próximo exige que alguém quebre algumas das leis de Deus de
vez em quando, é um mal-entendido das Escrituras. O amor aqui descrito é
reflexo do amor divino demonstrado em o Pai dar seu Unigênito, por amor por
aqueles que não O amavam, para padecer no lugar de pecadores. Crer e desfrutar
dessa tremenda realidade do amor divino sustenta o amor por Deus e pelo próximo
que os dois grandes mandamentos das Escrituras exigem (Mt 22.35-40). O nosso
amor é a expressão da gratidão pelo amor gracioso de Deus para conosco e deve
imitá-lo como modelo (Ef 4.32; 1Jo3.16), e o amor de Deus não é sentimental,
mas orientado para a ação (Jo 3.16; 1Jo 4.10) e constante.
3. O segundo grande mandamento. Paulo reforça o seu argumento sobre a lei do
amor citando Levítico 19.18. Ele conclui dizendo que “o cumprimento da lei é o
amor” (Rm 13.10). O mandamento do amor sintetiza todos os outros preceitos que
promovem as relações (Rm 13.9).
Comentário: Os crentes têm obrigações para com o Estado;
e os crentes também têm obrigações para com outros seres humanos. Os versículos
8 a 14 continuam a discussão do capítulo 12 sobre a responsabilidade cristã de
amar os outros. O amor cristão é descrito por Paulo em 1Co 13, onde é marcante
sua total ausência de interesse próprio. Mais do que simples emoção – como
normalmente é entendido pelo mundo – o amor cristão é um princípio de ação; é
uma questão de fazer algo pelos outros por compaixão a eles, sem levar em
consideração se sentimos ou não afeição por eles. É por esse amor que seremos
reconhecidos como discípulos de Jesus (Jo 13.34-35). O crente deve se preocupar
com o próximo como alguém que foi criado a imagem de Deus; essa é a atitude que
devemos demonstrar para com os nossos semelhantes (Lc 6.31).
SUBSÍDIO
BIBLIOLÓGICO
“Deveres Morais (13.11-14)
Neste texto, encontramos um
imperativo moral para um viver cristão autêntico. É um apelo à vigilância
cristã e à conscientização da urgência do tempo.
13.11. ‘E isto digo, conhecendo o
tempo’. Que há dentro desse tempo? São os sinais predeterminados da vinda de
Cristo. Por isso, a continuação do versículo 11 é uma exortação ao
despertamento espiritual contra toda a indiferença e frieza. Estar despertado
implica em estar de prontidão espiritual.
13.12. ‘As obras das trevas’ se
contrapõem às obras da luz, pois são originadas pelo príncipe das trevas, e
suas obras são más e traiçoeiras. Entretanto, o Senhor nos oferece as ‘armas da
luz’ que são a graça, a bondade e a verdade do reino de Cristo.
13.13,14. ‘Andemos honestamente’
(v.13). Diz respeito ao comportamento moral do crente, ‘não em glutonaria, nem
em bebedeiras, nem em desonestidade, nem em dissoluções, nem em contendas e
invejas’. Ora, o padrão neotestamentário rejeita as obras da carne. Deus
abomina a licenciosidade e a intemperança. Porém, no versículo 14, Paulo
convida: ‘Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo’. Significa recebê-lo no
coração e deixá-lo dominar inteiramente a nossa vida. Não há vitória moral fora
de Cristo. Estar revestido de Cristo é ter a presença pessoal do Espírito Santo
dentro de nós, limpando e purificando o nosso interior” (CABRAL, Elienai.
Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.140).
III.
DEVERES ESPIRITUAIS (Rm 13.11-14)
1. Consciência escatológica (v.11). Encabeçando a lista dos deveres de natureza
espiritual, Paulo apresenta um de natureza escatológica: “E isto digo,
conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do sono [...]” (Rm 13.11). A
palavra tempo, aqui, traduz o termo grego kairós, que significa tempo oportuno.
Para o apóstolo, a vinda de Jesus era uma realidade sempre presente na vida do
crente.
Comentário: “conhecendo o tempo” - Este termo para
tempo (kairos) era usado no sentido de um período especial de tempo, não o
tempo regular cronológico (chronos). Os crentes têm que viver à luz da
expectativa da volta de Cristo a qualquer momento. Os versículos 11 a 14 têm
uma orientação escatológica, isto é, em direção ao fim do tempo. O contraste
entre trevas e luz é uma característica da literatura judaica, também comum nos
escritos de João e Paulo. É a tensão do “já” contra o “ainda não” da vida
cristã como o estímulo para um viver piedoso, pois a era do Reino de Deus foi
inaugurada e está para ser consumada em breve, e é muito semelhante ao texto de
1Ts 5.1-11.
2. Consciênia da salvação e do
Espírito Santo (vv.11,14). Nos dois
últimos versículos de Romanos 13, observamos que há a necessidade de uma
consciência que seja soteriológica e pneumatológica (Rm 13.11). A referência
direta ao Salvador está na palavra salvação e a referência indireta ao Espírito
Santo está na frase: [...] “E não tenhais cuidado da carne em suas
concupiscências” (Rm 13.14). É o Espírito quem produz o fruto na vida do crente
de forma que este possa vencer as concupiscências da carne (Gl 5.19-22). Cabe
ao cristão andar no Espírito para não satisfazer os desejos da carne.
Comentário: “a nossa salvação está
mais perto” – A salvação é uma decisão inicial e um processo.
A salvação não será completada enquanto os crentes não tenham recebido seus
novos corpos (1Jo 3.2; 1Ts 4.13-18; Hb 9.28; 1 Pe 1.5). Teologicamente isto é
chamado de “glorificação” (Rm 8.30). É a esperança de cada geração de cristãos
ter a expectativa de que o Senhor retornará durante as suas vidas (Lc 21.28).
Paulo não era exceção (1Ts 4.15). Os versículo 13 e 14 tiveram um impacto
transformador na vida de Agostinho, no verão de 386 d.C.. Ele escreve em suas Confissões 8.29:
“Eu não queria ler mais, nem precisava; no final desta frase, instantaneamente
uma luz clara inundou meu coração e todas as trevas de dúvida desapareceram”. A
vida cristã começa com a decisão (justificação e santificação instantânea), mas
tem que resultar em um estilo piedoso de vida (santificação progressiva), que
termine na semelhança de Cristo (glorificação). Para isso, a pessoa tem que
aceitar a oferta divina em Cristo (Jo 1.12; 3.16; Rm 10.9-13). Esta decisão
inicial não é o fim, mas o começo! No versículo13, “Andemos honestamente”,
significa literalmente “caminhar”. Isto era uma expressão idiomática hebraica
referente ao estilo de vida.
SUBSÍDIO
ESCATOLÓGICO
“Romanos 14.10-12
Cada um de nós dará contas do que faz
a Cristo, não aos demais irmãos. Embora a Igreja procure ser inflexível em sua
posição contra certas atividades ou comportamentos expressamente proibidos
pelas Escrituras (adultério, homossexualidade, assassinato e roubo), ninguém
deve criar regras e regulamentos adicionais, concedendo-lhes uma condição
semelhante à lei de Deus. Muitas vezes, os cristãos baseiam seus critérios
morais em opiniões, particularidades pessoais ou preceitos culturais, em vez de
na Palavra de Deus. Quando o fazem, mostram como sua fé é fraca e não imaginam
como Deus é suficientemente poderoso para guiar seus filhos. Quando nos
colocamos perante Deus e prestamos contas de nossa vida, não nos preocuparemos
com o que nosso vizinho cristão fez (2Co 5.10)” (Bíblia de Estudo Aplicação
Pessoal. RJ: CPAD, p.1575).
CONCLUSÃO
Nesta lição, vimos
as responsabilidades que o cristão deve assumir, tanto no convívio social como
espiritual. Como ser social, temos deveres para com o Estado. Devemos respeitar
a ordem estabelecida. Todavia, como ser moral e espiritual temos deveres para
com o outro. Não somos apenas cidadão do céu (Fp 3.20), somos também cidadãos
da Terra. Devemos investir nos relacionamentos horizontais, mantendo sempre em
mente que o salvo em Cristo não é uma ilha. Precisamos uns dos outros.
Comentário: O princípio dominante deste capítulo é o
amor. Paulo falou da importância do amor antes de oferecer exemplos de como
devemos nos portar (12.9-10) e voltará ao mesmo tema em 13.8-10. Jesus citou o
amor nos dois grandes mandamentos, e Paulo o vê como a qualidade fundamental em
todo o nosso serviço a Deus. Ao falar de nosso dever como cidadãos, Paulo não
afirmou que os governos sejam sempre bons. Ele identifica a função básica do
governo e, mais ainda, a obrigação do crente de ser submisso às autoridades.
Lembremos que naqueles dias, quando escreveu esta carta, o império romano foi
dominado por um dos piores líderes da história, Nero. Nessa situação, não coube
aos crentes se rebelar contra o governo. A vingança pertence a Deus! Por isso,
o crente não procura a vingança (12.19-21), pois ela pertence a Deus. Mas ele
emprega os governos para trazer a vingança divina contra os malfeitores.
Finalmente, vimos que o dever primordial do crente é o amor, um fato fundamental
para entender as aplicações dos próximos capítulos. Toda a lei de Deus se
resume no amor. Adultério, homicídio, furto, cobiça, etc., são atos contra
outros que ferem o princípio do amor divino, modelo a ser por nós imitado. O
crente deve viver no contexto da eternidade. Cada um de nós está se aproximando
ao nosso encontro com Deus, por essa razão, não podemos brincar com
o pecado, nem praticar as obras das trevas que o mundo faz. Quem vive
despreocupado com a eternidade certamente não estará preparado para o seu
encontro com o Senhor.
PASTOR LUCIMAR FERNANDES
PARA REFLETIR
A respeito da Carta
aos Romanos, responda:
Quem constitui as autoridades?
Deus. As autoridades são ministros a
serviço de Deus, mesmo que sejam governantes pagãos, como, por exemplo, os
imperadores Ciro e Nabucodonosor.
Qual a razão do crente se submeter às autoridades?
Paulo mostra que a sujeição por parte
dos cristãos às autoridades deve-se primeiramente por razões de obediência.
O que pode acontecer quando a sociedade deixa de
obedecer às autoridades?
Caos e desordem.
Qual o princípio bíblico em relação às autoridades?
O princípio bíblico em relação às
autoridades é que o cristão as respeite e as honre (Rm 13.7).
O que significa “a ninguém devais coisa alguma” (Rm
13.8)?
Em palavras atuais, significa que o
crente deve ter o “nome limpo na praça”. Por outro lado, Paulo reconhece outra
natureza de dívida, esta não negativa, mas positiva para o crente. A dívida do
amor. Não podemos dever nada a ninguém, exceto “o amor com que vos ameis uns
aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei” (Rm 13.8).


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