quarta-feira, 27 de julho de 2016

Lição 5 A Evangelização Urbana e suas Estratégias
31 de Julho de 2016


TEXTO ÁUREO
"E aconteceu que, acabando Jesus de dar instruções aos seus doze discípulos, partiu dali a ensinar e a pregar nas cidades deles." (Mt 11.1)


VERDADE PRÁTICA
a evangelização urbana é o primeiro desafio missionário da igreja e o estágio inicial para se alcançar os confins da terra.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Atos 2.1-12
1 - Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar;
2 - e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados.
3 - E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.
4 - E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.
5 - E em Jerusalém estavam habitando judeus, varões religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu.
6 - E, correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua.
7 - E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! Não são galileus todos esses homens que estão falando?
8 - Como pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?
9 - Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, e Judeia, e Capadócia, e Ponto, e Ásia,
10 - e Frígia, e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos (tanto judeus como prosélitos),
11 - e cretenses, e árabes, todos os temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus.
12 - E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer?

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Evangelizar os centros urbanos é um dos maiores desafios da Igreja no século 21, pois, segundo dados da ONU, 54% da população mundial vive nas grandes cidades. Com o crescimento da população urbana vêm também os problemas e desafios. É preciso atender às necessidades da população, mas nem sempre essas necessidades são atendidas, gerando falta de habitação, transporte, energia, desemprego, etc. Muitos não têm direito aos serviços básicos como educação e saúde garantidas. Como Igreja, não podemos fechar os olhos para a realidade enfrentada nos centros urbanos. O que fazer para alcançar essas pessoas? Temos que ir até elas. Precisamos orar e pedir a Deus estratégias para sairmos das quatro paredes dos templos e sermos "sal" fora do saleiro.
COMENTÁRIO/INTRODUÇÃO
Nesta lição, veremos algumas estratégias a serem usadas na evangelização de uma cidade. Trataremos também dos desafios enfrentados pelo evangelista nessas áreas e, finalmente, mostraremos como efetivar a conquista de uma área urbana. Esta, se bem conduzida, resultará na difusão integral da Palavra de Deus. Por esta razão, é urgente coordenar todas as nossas ações na abordagem de uma cidade, para que sejam implementados os pontos básicos do evangelismo autenticamente bíblicos: discipulado, estabelecimento de igrejas e missões. Comentário: Nesta lição vamos refletir a respeito de missões urbanas, que é uma missão da Igreja de Cristo, missão esta que se torna cada vez mais complexa devido às transformações que a sociedade sofreu nestes últimos tempos, se tornando urbanizada. Há muitos desafios à tarefa da evangelização urbana; devemos pensar maduramente acerca do preconceito que costumamos ter contra certas pessoas, que forma uma espécie de barreira. Nas zonas urbanas, tais barreiras nos saltam mais aos olhos, pois há pessoas que são consideradas indesejáveis ou pelo menos ignoradas no cotidiano urbano. Como devemos agir para com esses seres humanos, segundo a Palavra de Deus? Esta lição é apropriada para o momento, para a nossa reflexão sobre a evangelização urbana e o que precisamos mudar em nós e em nossos sistemas de evangelização.
I - ESTRATÉGIAS URBANAS DE EVANGELISMO
Na evangelização urbana, levemos em conta a estratégia de Jonas, do Pentecostes e dos pioneiros pentecostais. Comentário: Não são poucas as igrejas que, hoje, extinguem-se em confusões e desinteligências, pois já não saem a evangelizar, pois querem evangelizar sem sair. A evangelização, contudo, é dinâmica. Evangelizar e sair são verbos geminados. Quem evangeliza, sai; quem sai, evangeliza. Por isso, a ordem do Senhor é clara: “Ide”. Ela também poderia ser traduzida como “indo”. O evangelista jamais deixa de ir; sai dia e noite, pois a sua sementeira não conhece tempo nem estação. Faça como o evangelista da parábola. Jesus garante que ele saiu, mas não diz se ele voltou.
1. A estratégia de Jonas. O profeta não dispunha de tempo para percorrer toda Nínive com o juízo de Deus. Por isso, traçou uma estratégia simples, porém eficaz: "E começou Jonas a entrar pela cidade caminho de um dia, e pregava, e dizia: Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida" (Jn 3.4). Ele usou as vias principais da capital assíria para apregoar a mensagem divina que, dessa forma, não demorou a chegar ao rei (Jn 3.6). Na evangelização de uma área urbana, escolha pontos estratégicos: avenidas, praças, terminais de ônibus, trens e metrôs para o evangelismo pessoal. Se possível, também faça uso de outdoors, programas de rádio e serviço de som para anunciar a Cristo.  Comentário: A Bíblia diz que Nínive era tão grande que uma pessoa demoraria três dias para atravessá-la (Jn 3.3). A exploração arqueológica tem mostrado que a cidade tinha entre cerca de 12 Km de circunferência com uma população estimada em 120 mil pessoas e que requeria três dias para ser atravessada, cerca de 32 quilômetros de caminhada por dia. Antes do início da ação missionária, antes da proclamação, precisamos primeiro ter sido tocado pelo evangelho. A mensagem central evangélica é do amor e da compaixão (Jo 3.16). Jonas foi enviado para uma cidade perversa, sanguinária, cheia de toda a sorte de maldade. Mas havia uma advertência: falar somente o que fosse ordenado pelo Senhor. Ele estava indo em nome de Deus e por isso só poderia falar o que Senhor mandasse. Por isso, em assuntos espirituais, nunca fale o que você acha ou pensa, mas fale o que for mandado por Deus, e lembre-se: Deus nunca vai mandar você falar o que for contrário ao que já está escrito na Palavra dEle. 
2. A estratégia do Pentecostes. Não foi sem motivo que Deus escolheu o Pentecostes para fundar a sua Igreja. Nesse evento judaico tão importante, achavam-se em Jerusalém israelitas de todas as partes do mundo (At 2.1-12). E, quando da descida do Espírito Santo, eles ouviram as maravilhas de Deus em sua própria língua. Ao retornarem aos seus lugares de origem, levaram a semente do Evangelho que, mais tarde, germinaria congregações e igrejas.  A Igreja pode aproveitar a realização de eventos esportivos, artísticos e culturais para divulgar o Evangelho. Se possível, deve montar uma equipe com falantes de outros idiomas para apresentar o Evangelho aos representantes de outras nações. Comentário: Em Pentecostes, esses judeus estrangeiros haviam feito a peregrinação a Jerusalém para celebrar a festa prescrita pela lei mosaica, também conhecida como ‘festa das semanas’ ou ‘Dias dos primeiros frutos’, uma celebração dos primeiros rebentos da colheita. A Lei exigia que os homens judeus fossem a Jerusalém três vezes no ano para celebrar as principais festas (Dt 16.16): Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos. Enquanto todos os apóstolos pregaram naquele dia (veja 2:4,7,15,37), temos o relato somente da mensagem de Pedro - Ele explicou o sinal das línguas como cumprimento da profecia de Joel (2.14-21). Baseando sua mensagem nas profecias do Velho Testamento sobre o Cristo, Pedro pregou sobre a morte, ressurreição e ascensão de Jesus (2.22-36). Ah se esse modelo fosse seguido! Como nossos púlpitos se distanciaram desse modelo de sermão!                                         3. A estratégia dos pioneiros. Orientados pelo Espírito Santo, Daniel Berg e Gunnar Vingren escolheram a cidade de Belém, no Pará, como ponto de partida para a sua missão no Brasil. Logo em sua chegada, em 19 de novembro de 1910, constataram que a capital paraense era geograficamente estratégica para se alcançar o país em todas as direções. Por isso, ore e estude detalhadamente a região que você quer alcançar. Comentário: É notório na história missiológica protestante no Brasil que enquanto as denominações protestantes históricas começaram seu trabalho na região Sudeste (congregacionais, presbiterianos, metodistas e salvacionistas), no Rio Grande do Sul (luteranos e episcopais) e na Bahia (batistas), a Assembleia de Deus começou no extremo Norte do país. Daniel Berg difundiu a mensagem pentecostal conciliando o trabalho de colportagem (venda de Bíblias) e o evangelismo pessoal de casa em casa, isso em obediência a uma expressa chamada de Deus. Eles não sabiam falar a língua portuguesa, não tinham dinheiro, não podiam contar com amigos nem instituições de apoio; em suma, não tinham nenhuma garantia. Mas, com a ajuda de Deus, lançaram as bases do maior Movimento Pentecostal do mundo e fundaram, em Belém, a Igreja-mãe das Assembleias de Deus no Brasil. Não está relatado em nenhuma pesquisa acerca das origens das ADs no Brasil que os pioneiros tenham ‘enxergado’ estrategicamente a cidade de Belém, pelo contrário, é evidente que eles dera ouvidos ao Espírito Santo! Gunnar Vingren, no livro Diário do Pioneiro, assim descreve a chegada: “Quatorze dias após havermos saído de Nova Iorque, chegamos ao Pará. Era o dia 19 de novembro de 1910. O navio ficou fora do porto, e uma pequena embarcação nos transportou até o cais. (...) Quando desembarcamos, não havia ninguém para nos receber, mas acompanhamos as pessoas que iam para a cidade e confiamos que o Senhor iria nos guiar. (...) Chegamos a um parque e nos sentamos em um banco. Oramos a Deus, pedindo a sua ajuda e direção.” Daniel Berg, no seu livro de memórias Enviado por Deus, assim relata: “No dia 19 de novembro de 1910, avistamos a cidade de Belém, no Estado do Pará. Estávamos ansiosos por conhecer a terra para a qual o Senhor nos enviara. Todos os passageiros tinham pressa em desembarcar. Parentes e amigos os esperavam no cais. Porém nós não tínhamos ninguém. (...) E começamos a andar até alcançarmos o jardim de uma praça. Sentamo-nos em um banco e oramos ao Senhor para que nos mostrasse o caminho que devíamos seguir. Começava a escurecer.” Evidentemente, em um trabalho evangelístico, precisamos estabelecer metas, estratégias e alvos, mas acima de qualquer coisa, devemos ouvir o Espírito Santo.
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
"Jonas tinha sido enviado para pregar em Nínive, cidade assíria no início do século VIII a.C., descreveu-a como 'uma grande cidade, de três dias de caminho' (Jn 3.3). Através desta declaração, é provável que o profeta desejasse dizer que seriam necessários três dias para alcançar todas as partes da cidade, em sua missão e pregação. Podemos julgar o tamanho de sua população através da declaração expressa em Jonas  4.11. Alguns entendem que o Senhor Deus, ao se referir à população inocente de Nínive, estaria mencionando todas as crianças demasiadamente pequenas para saberem a diferença que existe entre a mão direita e a esquerda, e que totalizavam 120.000 crianças; isto sugeriria uma população total de aproximadamente 600.000 pessoas. Talvez Jonas estivesse pensando na 'grande Nínive', uma vez  que todas as principais cidades frequentemente consistiam de uma fortaleza murada com muitas outras vilas vizinhas estendendo-se por muitos quilômetros, e que, na linguagem hebraica, era chamada de cidade e suas aldeias (Js 15.45,47). Outros, entretanto, consideram essa expressão de Jonas 4.11 como metafórica, e designando toda a população a quem Deus entendia como tendo um conhecimento imperfeito do bem e do mal. Uma população total de 120.000 pessoas está bem de acordo com o número registrado de 69.574 pessoas acomodadas em Calá, uma cidade com uma dimensão que correspondia a menos da metade de Nínive em 879 a.C." (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, pp. 1362,1363).

II - OS DESAFIOS DA EVANGELIZAÇÃO URBANA
Na evangelização urbana, há desafios e imprevistos que podem ser convertidos em oportunidade.
1. Incredulidade e perseguição. Vivemos tempos trabalhosos, em que falsos obreiros anunciam um falso evangelho.  É preciso anunciar a Cristo com sabedoria, poder e eficácia (2 Tm 4.17). Nossa mensagem não pode ser confundida com a dos mercenários e falsos profetas. A mensagem da cruz precisa ser pregada na virtude do Espírito Santo (1 Co 1.18). Diante das perseguições,  não podemos desistir ou nos calar. Jesus também foi perseguido em sua própria cidade, mas levou a sua missão até o fim (Lc 4.28-30).   Comentário: Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo (1 Jo 4.1). O motivo para provar todo espírito, é que "muitos falsos profetas" se abrigarão na igreja. Isso acontecerá, principalmente, pelo aumento da tolerância da igreja quanto a doutrinas anti-bíblicas, perto do fim dos tempos (Mt 24.11; 1Tm 4.1; 2Tm 4.3,4; 2Pe 2.1,2). O cristão deve testar todos que, sendo cristãos professos, são mestres, escritores, pregadores e profetas, e mesmo todo indivíduo que afirma que sua obra ou mensagem provém do Espírito Santo. O crente nunca deve crer que certo ministério ou experiência espiritual é de Deus, somente porque alguém afirma isto. Além disso, nenhum ensinamento, nem doutrina, devem ser aceitos como verdadeiros somente por causa de sucesso, milagres, ou unção aparente da pessoa (Mt 7.22; 1Co 14.29; 2Ts 2.8-10; 2Jo 7; Ap 13.4; 16.14; 19.20). As Escrituras destacam o fato de o Espírito Santo habitar no crente (1Co 6.19). É por meio do Espírito Santo que podemos vencer o mal que há no mundo, inclusive o pecado, Satanás, provações, tentações, tristezas, perseguições e falsos ensinos, e podemos então vitoriosamente cumprir a vontade de Deus para a nossa vida e para o progresso do Evangelho.
2. Enfermos. As áreas urbanas acham-se tomadas de enfermos e doentes terminais. No tempo de Jesus, não era diferente. Ao entrar em Jericó, Ele deparou-se com um cego que lhe rogava por misericórdia (Lc 18.35). E, às portas de Naim, encontrou o funeral do filho único de uma viúva (Lc 7.11-17). Ungido pelo Espírito Santo, curou o primeiro e ressuscitou o segundo. A Igreja deve desenvolver capelanias hospitalares, e visitar os enfermos e moribundos. Comentário: “Capelania Hospitalar é uma prestação de serviço religioso ministrado aos enfermos em hospitais da rede pública ou privada, garantido por lei federal e leis estaduais, como previsto na Constituição Brasileira de 1988, nos seguintes termos: "é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva" (Constituição Federal art. 5º, VII)”. A Capelania ganhou muita força nestes últimos anos, principalmente no Brasil pelas Lideranças Evangélicas, já que os hospitais, presídios, escolas, universidades e outras instituições vem se preocupando com a qualidade no atendimento das pessoas com carências espirituais, afetivas e emocionais, necessitando de uma pessoa de estimulo e entusiasmo. Note que, Jesus em seu ministério terreno, desenvolveu eficazmente o que chamamos hoje de Capelania. Nos Estados Unidos e outros países da Europa onde se pratica a Capelania o Evangelho cresce com muita eficácia.
3. Endemoninhados. Quem se dedica à evangelização urbana deve estar preparado, também, para casos difíceis de possessão demoníaca. Muitos são os gadarenos espalhados pela cidade (Mt 8.28-34). Por isso, o evangelista precisa orar, jejuar e ter uma vida santa (Mc 9.29). A igreja não pode fazer da libertação dos oprimidos um espetáculo. Mas deve, no poder do Espírito Santo, orar pelos enfermos e pelos cativos de Satanás (Mt 10.8). Comentário: “E, chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e para curarem toda a enfermidade e todo o mal.” (Mt 10.1). Jesus deu aos discípulos o poder sobre os demônios junto com o poder para curar toda enfermidade e todo o mal. "E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas;" (Mc 16.17). É mais que claro que aquele que acredita em Jesus verdadeiramente, esses sinais ali descritos devem o acompanhar, não é opcional. Alguns acham complicado ver uma pessoa possessa de demônios e colocar a mão sobre a cabeça dela e expulsar o mal "no nome de Jesus", mas quem sai a campo anunciando as boas-novas deve estar pronto para deparar-se com situações que exijam libertação dos oprimidos, e aqui não há espaço para espetáculo. O endemoniado Gadareno vivia entre os sepulcros, sem roupa e que estava possesso de demônios. Homem este que nenhuma cadeia, corrente nem algemas o prendia. Mas ao encontrar Jesus foi liberto e saiu dali para testemunhar para a sua família (Lc 8.26-36). O liberto virou missionário!

III - COMO FAZER EVANGELISMO URBANO
A evangelização urbana só será bem-sucedida se tomarmos as seguintes providências: treinamento da equipe, estabelecimento de postos-chave e acompanhamento do trabalho.
1. Treinamento da equipe. Antes de chegar à Macedônia, o apóstolo Paulo já podia contar com uma equipe altamente qualificada, para implantar o Evangelho na Europa. Primeiro, tomou consigo a Silas e, depois, o jovem Timóteo (At 15.40; 16.1,2). Acompanhava-os, também, Lucas, o médico amado (At 16.11). Com este pequeno, mas operoso grupo, o apóstolo levou o Evangelho a Filipos, a Tessalônica e a Bereia, até que a Palavra de Deus, por intermédio de outros obreiros, chegasse à capital do Império Romano (At 16.12; 17.1, 10). Comentário: Antes de qualquer treinamento é preciso a igreja conhecer o contexto urbano onde se localiza ou pretende avançar. Saber quais os tipos de pessoas existentes na cidade. Quais as suas preferências e necessidades básicas. Identificar os focos de convergência da juventude, pois “Deus chama a igreja para o seu contexto particular, como um instrumento da sua graça e salvação, desenvolvendo e realizando a missão como um processo criativo e transformador”. Não há como evangelizar sem sentir que é necessário passar pelas samarias atuais (Jo 4.1-30). Sabe-se que Evangelismo é a tarefa de apresentar Cristo aos pecadores não remidos, individualmente, para que possam serem salvos por Ele, e isto exige que tenhamos domínio da história da Salvação; “Paulo foi um pregador fiel e relevante. Ele lia o texto e o povo. Conhecia as Escrituras e a cultura. Jamais mudou a mensagem, mas sempre buscou os melhores métodos para alcançar os melhores resultados. Por isso, fixou-se nas cidades mais importantes do império, porque estava convencido de que a partir dali, o evangelho poderia se espalhar para outros horizontes. Nas quatro províncias que Paulo plantou igrejas, as províncias da Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia Menor, procurou sempre se estabelecer em lugares geográfica, econômica e religiosamente importantes, pois sabia que as igrejas nessas cidades tornar-se-iam multiplicadoras na evangelização mundial.”. Ainda é necessário dizer que, é dever do evangelista Executar sua tarefa de pregar a todos quer ouçam, quer deixem de ouvir (Ez 2.7).
Se conseguir levar a igreja toda ao evangelismo, isto será maravilhoso, caso contrário terá que usar o método que Deus mostrou a Gideão. Muitos dentro de nossas igrejas estão dentro de uma dessas categorias descritas:
Categoria Tomé: São aquelas que duvidam de tudo, por isso não saem para evangelizar e não conseguem crer que Deus poderá dar uma grande quantidade de peixes, mas estão completamente enganadas Lucas 5:4,5,6.
Categoria do filho desobediente: São aqueles que se aprontam, dão o nome, se entusiasmam, mas nunca aparecem Mateus 21:28,29,30
Categoria de Isaías: Estes sim estão prontos a fazerem a obra de Deus, pois sempre dirão: “Eis me aqui Senhor, usa-me a mim”
Eles podem ser poucos, no entanto, são os que darão resultado, pois estão dispostos, custe o que custar a fazer a obra de Deus.
Então com esta equipe formada, reine-a o mais arduamente possível. Tenha ordem e disciplina no que faz e acima de tudo não seja somente um chefe, mas um líder, exemplo.
2. Estabelecimento de postos-chave. Sempre que chegava a uma cidade gentia, Paulo buscava uma sinagoga, de onde iniciava a proclamação do Evangelho (At 17.1-3). Embora o apóstolo, na maioria das vezes, fosse rejeitado pela comunidade judaica, a partir daí expandia sua ação evangelística urbana até alcançar os gentios. É necessário que sejam encontrados postos principais para a evangelização urbana. Pode ser a casa de um crente, ou a de alguém que está se abrindo à Palavra de Deus (At 16.15). Na evangelização, as bases são muito importantes. Comentário: Neste caso, Jesus conhecia o contexto da cidade de Sicar. Ele conhecia o modo de vida desse povo. Foi em razão disso que em sua conversa com a Samaritana, ele quer usar o método indutivo, ou seja, ele começou a conversação partindo do particular para o geral - do problema pessoal para a solução. Os argumentos usados por ele foram tão convincentes que a mulher abriu-lhe o coração: “vai, chama o teu marido e vem cá. A mulher respondeu: não tenho marido. Disse-lhe Jesus: disseste bem: Não tenho marido, porque tiveste cinco e o que tens agora não é o teu marido”, (vv. 18 e 19). Paulo estabelecia suas bases evangelística para a partir delas, avançar com o Evangelho, e isso fez dele o maior missionário da história da Igreja. Sempre que Paulo chegava em uma cidade, procurava ali uma sinagoga. Sabia que nesse ambiente religioso, judeus e pessoas tementes a Deus se reuniam para estudar a lei e orar. Seu propósito era argumentar com essa pessoas, a partir do Antigo Testamento, que Jesus é o Messias, o Salvador do mundo. Paulo sempre aproveitou os lugares seculares para alcançar as pessoas não religiosas. Tanto em Corinto como em Éfeso, Paulo lançou mão desse recurso. Não podemos limitar o ensino da Palavra de Deus apenas aos locais religiosos. Em Corinto Paulo ensinou na casa de Tício Justo e em Éfeso, na escola de Tirano. Paulo ia ao encontro das pessoas, onde elas estavam. Era um evangelista que tinha cheiro de gente. Estava nas ruas, nas praças, nas escolas. Era um pregador fora dos portões. Ainda hoje podemos e devemos usar esses recursos. Podemos e devemos plantar igrejas, usando espaços neutros, como fábricas, escolas e hotéis. Muitas pessoas que, ainda hoje, encontram resistência para entrar num lugar religioso não oferecem qualquer resistência para ir a um lugar neutro.
3. Acompanhamento do trabalho. Procure estar atento à nova frente evangelística. Ao partir para uma nova área urbana, alguém deve ser deixado como responsável para cuidar dos novos convertidos que foram alcançados, como fazia o apóstolo Paulo (At 17.14). E, periodicamente, devem haver visitas até que amadureçam o suficiente para caminhar por si próprias (At 18.23). Não descuide do trabalho de discipulado. Fortaleça-os na fé, na graça e no conhecimento da Palavra de Deus. Quem se põe a evangelizar as áreas urbanas deve estar sempre atento. Por isso mesmo, tenha uma equipe amorosa, competente e disponível. Comentário:Paulo ensinava publicamente e também de casa em casa, testemunhando tanto a judeus como a gregos o arrependimento e a fé em Cristo Jesus. Paulo era um evangelista e um mestre. O lar sempre foi um lugar estratégico para o crescimento da igreja. O apóstolo Paulo, mais do que qualquer outro, observou a necessidade de não apenas evangelizar, mas plantar igrejas locais que vivam Cristo e falem do Seu Nome. Paulo usa as expressões plantar (1Co 3.6-9; 9.7,10,11), lançar alicerces (Rm 1.20, 1 Co 3.10) e dar a luz (1 Co 4.15) ao se referir ao plantio de igrejas. No modelo paulino de plantio de igrejas, podemos observar que as principais estratégias utilizadas foram:                                                                                                                        
- Introduzir-se na sociedade local, a partir de uma pessoa receptiva, de ou um grupo aberto a recebê-lo e ouvi-lo;                                                                 - Identificar ali o melhor ambiente para a pregação do Evangelho, seja público, como uma praça, ou privado como um lar                                                         - Evangelizar de forma abundante e intencional, a partir da Criação ou da Promessa, e sempre desembocando em Cristo, sua cruz e ressurreição;              - Expor a Palavra, sobretudo ela. Expor de tal forma que seja ela inteligível e aplicável para quem ouve;                                                                             - Testemunhar do que Cristo fez em sua vida;                                                   - Incorporar rapidamente os novos convertidos à igreja, à comunhão dos santos, seja em uma casa, ou um agrupamento maior;                                      - Identificar líderes em potencial e investir neles, seja face a face, ou por cartas;
- Não se distanciar demais das igrejas plantadas, visitando-as e se comunicando com as mesmas, investindo no ensino das Escrituras                                        - Orar pelos irmãos, pelas igrejas plantadas e pelos gentios ainda sem Cristo, levando as igrejas também a orar;                                                                    - Administrar as críticas e competitividade, sem permitir que tais atos lhe retirem do foco evangelístico;                                                                            - Utilizar a força leiga e local para o enraizamento e serviço da igreja;                - Investir no ardor missionário e responsabilidade evangelística das igrejas plantadas.

SUBSÍDIO DIDÁTICO
Professor, utilize o quadro para mostrar alguns passos que precisamos dar para evangelizar as cidades. Peça que os alunos também sugiram ações, completando assim o quadro. Enfatize também os vários tipos de evangelismo que podem ser realizados:
1. Oração e jejum em favor da cidade que se quer alcançar.
2. Estabelecer metas em relação à cidade que se quer alcançar.
3. Curso básico de evangelismo pessoal, preparando as pessoas para apresentar o plano da salvação.
4. Mapear as áreas da cidade, ruas, becos, vielas que se quer alcançar.
5. Providenciar material evangelístico (folhetos, Bíblias, revistas, etc).
6. Distribuir as equipes por faixa etária que se pretende alcançar (crianças, jovens, adultos, idosos).
7. Atrações especiais (louvor, encenação, etc.).

CONCLUSÃO
A evangelização urbana é o grande desafio do século 21. As cidades tornam-se cada vez maiores e mais complexas, exigindo da Igreja de Cristo ações específicas, personalizadas e efetivas. Se, por um lado, lidamos com as massas, por outro lado, temos de tratar particularmente com cada pessoa, para que todos venham a ter um encontro pessoal com Deus. Seguindo o exemplo de Jesus e de Paulo, façamos da evangelização urbana a base para alcançarmos os confins da Terra. As cidades são estratégicas na proclamação mundial do Evangelho. Comentário: A igreja está inserida na sociedade, com ela se relaciona direta e diariamente e nesse contexto, a missiologia está sempre presente, levando os crentes a atuarem de modo a obedecer à Grande Comissão. A força atual da igreja só será medida quando se puser em prática a missiologia urbana, com todos os elementos que ela supõe. Devemos realizar as missões urbanas buscando a restauração da imagem de Deus na vida dos descrentes. Devemos ir em busca de todos, sem nos esquecer dos marginalizados e inconvenientes, como o homem gadareno (Mt 22). Estes serão alcançados pela igreja fiel nessa tarefa missionária. Empenhemo-nos por ver toda a igreja, a noiva de Cristo, completamente reunida para as bodas do Cordeiro (Ap 19.7-9).
PARA REFLETIR
A respeito da evangelização urbana, responda:

Qual a estratégia de Jonas?                                                                           O profeta não dispunha de tempo para percorrer toda Nínive, por isso, traçou uma estratégia simples, porém eficaz: "E começou Jonas a entrar pela cidade caminho de um dia, e pregava, e dizia: Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida" (Jn 3.4).
Fale sobre a estratégia do Pentecostes.                                                      E, quando da descida do Espírito Santo, eles ouviram a mensagem da cruz em sua própria língua. Ao retornarem aos seus lugares de origem, levaram a semente do Evangelho que, mais tarde, germinaria congregações e igrejas.
Qual a estratégia adotada por Daniel Berg e Gunnar Vingren?   Orientados pelo Espírito Santo, Daniel Berg e Gunnar Vingren escolheram a cidade de Belém, no Pará, como ponto de partida para a sua missão no Brasil.
Quais os desafios da evangelização urbana?                                               Incredulidade, perseguição, enfermos, endemoninhados.
5 - Que providências podem tornar bem-sucedida a evangelização urbana? Treinamento da equipe, estabelecimento de postos-chave e acompanhamento do trabalho.



terça-feira, 19 de julho de 2016

LIÇÃO 04- O TRABALHO E ATRIBUTOS DO GANHADOR DE ALMAS

Lição 4 - O Trabalho e Atributos do Ganhador de Almas
24 de Julho de 2016


TEXTO ÁUREO
"Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério." (2 Tm 4.5)

VERDADE PRÁTICA
A missão do evangelista é falar de Cristo a todos, em todo lugar e tempo, por todos os meios possíveis.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Atos 8.26-40
26 - E o anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te e vai para a banda do Sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserto.
27 - E levantou-se e foi. E eis que um homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros e tinha ido a Jerusalém para adoração,
28 - regressava e, assentado no seu carro, lia o profeta Isaías.
29 - E disse o Espírito a Filipe: Chega-te e ajunta-te a esse carro.
30 - E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías e disse: Entendes tu o que lês?
31 - E ele disse: Como poderei entender, se alguém me não ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse.
32 - E o lugar da Escritura que lia era este: Foi levado como a ovelha para o matadouro; e, como está mudo o cordeiro diante do que o tosquia, assim não abriu a sua boca.
33 - Na sua humilhação, foi tirado o seu julgamento; e quem contará a sua geração? Porque a sua vida é tirada da terra.
34 - E, respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo ou de algum outro?
35 - Então, Filipe, abrindo a boca e começando nesta Escritura, lhe anunciou a Jesus.
36 - E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado?
37 - E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.
38 - E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou.
39 - E, quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, e não o viu mais o eunuco; e, jubiloso, continuou o seu caminho.
40 - E Filipe se achou em Azoto e, indo passando, anunciava o evangelho em todas as cidades, até que chegou a Cesareia.
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Professor, já na introdução da aula procure enfatizar que todo crente tem como tarefa suprema evangelizar e ganhar pessoas para Cristo. Porém, na lição de hoje, vamos tratar a respeito do dom de evangelista. Este é um dom ministerial, outorgado à Igreja pelo Espírito Santo. Os que recebem esse dom são impulsionados, pelo Espírito Santo, a proclamar a salvação. Paulo, na epístola aos Efésios, capítulo 4, versículo 11, apresenta o dom de evangelista como sendo o segundo dom ministerial em importância. Atualmente, diante da iminente volta de Jesus, a Igreja necessita muito de evangelistas, pessoas comissionadas por Deus para anunciar o evangelho aos que estão perdidos, longe de Deus. Ore com seus alunos e peça que o Senhor levante evangelistas em sua classe.
COMENTÁRIO/INTRODUÇÃO
Ganhar almas é tarefa de todo discípulo de Cristo. Nesse sentido, você eu somos evangelistas. Isso significa que, tanto o pastor quanto as ovelhas, têm o dever de anunciar a todos, em todo tempo e lugar, o evangelho que salva, liberta e redime plenamente o pecador. Todavia, não podemos esquecer o obreiro chamado por Deus, e ordenado pela igreja, para exercer o ministério evangelístico. Nesse caso específico, o evangelista não pode ser um ganhador de almas eventual, mas alguém que proclama o Evangelho de forma concentrada, metódica e com objetivos bem definidos. Vejamos, pois, quem é o evangelista, esse obreiro tão essencial à expansão do Reino de Deus.  Comentário: O evangelista é um precioso dom de Cristo à sua Igreja. Sem o ministério da proclamação, o evangelho teria morrido em Jerusalém. Mas, por intermédio de obreiros como Filipe, a mensagem da cruz, ultrapassando as fronteiras da Judeia, chegou a Samaria. E, desse recanto gentio tão desprezado, as Boas-Novas não demoraram a chegar aos confins da Terra.
O evangelista assemelha-se ao bandeirante que, jamais temendo o desconhecido, sai a falar de Cristo aos povoados mais remotos e estressantes. O seu retorno, porém, é jubiloso. De maneira sacrifical, apresenta preciosas almas ao Senhor. Seja falando a uma única pessoa, seja pregando às multidões, o seu amor pelos que perecem é o mesmo, Proclamar o evangelho é a sua missão.
Neste capítulo, enfocaremos o evangelista como o agente das Boas-Novas. Veremos que ele é essencial à expansão do Reino de Deus. Paulo destaca o seu ministério como um dos mais importantes da Igreja. Ele é o semeador que saiu a semear.

I - EVANGELISTA, GANHADOR DE ALMAS
Se a nossa principal missão é ganhar almas, é inadmissível uma igreja desprovida de evangelistas. Sem esse ministério, a igreja definha e perde a sua mais preciosa razão de ser.
Comentário: “Devemos evangelizar não porque seja agradável, fácil, ou porque podemos ter sucesso, mas porque Cristo nos chamou. Ele é o nosso Senhor. Não temos outra escolha senão obedecer”. O ministério evangelístico não se limita a uma opção pessoal; firma-se numa intimação do próprio Cristo.
1. Definição. A palavra evangelista, originária do termo grego euaggelistes, define o obreiro vocacionado por Deus através do Espírito Santo, e confiado à Igreja por Cristo, visando à proclamação extraordinária das Boas-Novas de Salvação (Ef 4.11; At 8.6). 
Comentário: A palavra “evangelista” provém do vocábulo grego , e significa aquele que traz boas-novas. Trata-se de um termo que, usado na Grécia Clássica, designava o que portava uma notícia agradável. Em suma, era o mensageiro do bem. A partir da fundação da Igreja de Cristo, no Pentecostes, a palavra passou a designar aquele que proclama o evangelho. A palavra “evangelista” é constituída por dois vocábulos gregos: bom, e , anjo ou mensageiro Se considerarmos a sua etimologia, concluiremos que o evangelista, sendo o “anjo” do bem, tem de estar sempre a postos a transmitir a Palavra de Deus. Eis porque, no Apocalipse, os responsáveis pelas igrejas da Ásia Menor foram assim nomeados pelo Senhor. Enquanto pastores, eram compelidos pelo Espírito Santo a fazer o trabalho de um evangelista.
2. O evangelista no Antigo Testamento. A palavra hebraica que designa o portador de Boas- Novas é basar, que, entre outras coisas, significa mensageiro e pregador (Is 40.9; 52.7). Em hebraico, a palavra evangelho é besorah, que também significa boas notícias, a exemplo de sua congênere em língua grega. Comentário: Se o ministério diaconal foi constituído formalmente por um concílio, o evangelístico não precisou de formalidade alguma para sobressair. Os dois primeiros evangelistas da Igreja Primitiva, a propósito, surgiram dentre os sete diáconos. Logo após ser consagrado ao diaconato, Estêvão começou a destacar-se como evangelista. Sua palavra fez-se tão irresistível, que levou o clero judaico a condená-lo à morte traiçoeiramente (At 8.1,2). Estêvão morreu, mas a evangelização reavivou-se com as incursões de Filipe. Ao deixar Jerusalém, proclamou, entre os gentios de Samaria, um evangelho autenticamente pentecostal. Sua palavra era acompanhada de milagres, sinais e maravilhas; era simplesmente irresistível. Lucas bem que poderia ter cognominado o capítulo 8 de seu segundo livro como “Atos de Filipe”.
3. O evangelista em o Novo Testamento. Na Igreja Primitiva, o primeiro discípulo de Cristo a receber o título de evangelista foi o diácono Filipe (At 21.8). Todavia, conforme podemos observar por todo o livro de Atos, a igreja, como um todo, agia e reagia evangelisticamente, haja vista a dispersão dos crentes de Jerusalém. Por onde passavam, anunciavam as Boas-Novas do Reino (At 8.4). 
Comentário: Mais tarde, quando da conclusão da terceira viagem missionária de Paulo, encontraremos novamente Filipe, dessa vez em Cesareia. Lucas, que fazia parte da equipe do apóstolo, reconhece-lhe o ministério, tratando-o como evangelista. Era a primeira vez na História da Igreja Cristã que um obreiro recebia semelhante distinção. É chegado o momento de evangelizarmos também os que, presumindo-se evangélicos, acham-se tão distantes do evangelho quanto os católicos. Se estes têm ídolos, aqueles possuem deuses. Não raro, nossos deuses são mais deletérios do que os ídolos. Pelo menos, os ídolos católicos têm boca, mas nada falam, ao passo que os deuses evangélicos abrem a bocarra para dizer o que Deus jamais diria. Se os ídolos romanos levam para o inferno, os deuses do evangelho midiático a ninguém conduz para o céu. Que todos saibam que somente o Senhor Jesus salva.
4. O evangelista na era da Igreja Cristã. A História da Igreja Cristã mostra que, em todos os reavivamentos, o Espírito Santo destaca a evangelização como o principal evento da igreja. Haja vista o ministério de Wesley, Daniel Berg, Gunnar Vingren e Bernhard Johnson. Ore para que o Senhor da Seara continue a despertar a Igreja a um novo avanço evangelístico
Comentário: O evangelho não deve ser pregado apenas ao mundo. Às vezes, temos de anunciá-lo também à Igreja. Era o que Paulo pretendia fazer, ao anunciar a sua visita aos romanos: “E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma” (Rm 1.15). Depreende-se que os irmãos de Roma, apesar de sua sinceridade, ainda não haviam compreendido, plenamente, a origem, o processo e a efetivação da fé salvadora em Jesus Cristo. Por isso, era urgente que o apóstolo descesse aos alicerces do Plano da Salvação, para que eles viessem a subir aos andares mais elevados do conhecimento divino. Assim como o pastor tem de fazer o trabalho de um evangelista, deve o evangelista, por seu turno, empenhar-se pastoralmente na edificação doutrinária das ovelhas. Hoje, mais do que ontem, os evangélicos, até mesmo os de igrejas tradicionais e históricas, carecem de fundamentos doutrinários. Ora, que firmeza terão os crentes se boa parte dos pastores acham-se firmados em teologias movediças?
SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO
"Evangelistas
No Novo Testamento, evangelistas eram homens de Deus, capacitados e comissionados por Deus para anunciar o evangelho, as boas-novas de salvação aos perdidos e ajudar a estabelecer uma nova obra numa localidade. A proclamação do evangelho reúne em si a oferta e o poder da salvação (Rm 1.16). Filipe, o 'evangelista' (At 21.8), claramente retrata a obra deste ministério, segundo o padrão do Novo Testamento. Filipe pregou o evangelho de Cristo (At 8.4,5,35). Muitos foram salvos e batizados em água. Sinais, milagres, curas e libertação de espíritos malignos acompanhavam as suas pregações. Os novos convertidos recebiam a plenitude do Espírito Santo. O evangelista é essencial  no propósito de Deus para a igreja. A igreja que deixar de apoiar e promover o ministério de evangelista cessará de ganhar convertidos segundo o desejo de Deus. Tornar-se-á uma igreja estática e indiferente à obra missionária. A igreja que reconhece o dom espiritual de evangelista e tem amor intenso pelos perdidos, proclamará a mensagem da salvação com poder convincente e redentor" (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, p. 1815).
II - ATRIBUTOS DE UM EVANGELISTA
Do obreiro chamado ao ministério evangelístico, requerem-se os seguintes atributos: amor às almas, conhecimento da Palavra de Deus, espiritualidade plena e disponibilidade. 
Comentário: Mais que um título, um dom. Em algumas igrejas, o evangelista é visto mais como investidura eclesiástica do que, propriamente, como dom ministerial. Vejamos, porém, o que diz Paulo acerca desse tão importante ofício sagrado: E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo. (Ef 4.11-13) Conclui-se que somente deve ser reconhecido como evangelista o que foi agraciado com semelhante dom. Doutra forma, teremos um clero inflado de evangelistas que, em vez de ganhar almas para Cristo, desgastam-se emocional e espiritualmente, aguardando uma eventual promoção ao pastorado.
1. Amor às almas. Paulo tinha um amor tão grande pelas almas que, por estas, chegava a sentir dores intensas, como se estivesse a dar filhos à luz (Gl 4.19). Por essa razão, afirmou que não poderia deixar de anunciar o Evangelho (1 Co 9.16). Foi esse amor que constrangeu Filipe a evangelizar Samaria e a dirigir-se "ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza" para falar com um etíope (At 8.26). O evangelista nada é, e nada fará sem o amor às almas perdidas. Pense nisto. E, de imediato, entregue-se em favor dos que caminham para o inferno. Esta é a sua missão.
Comentário: Ter ardente amor pelas almas perdidas: O evangelismo na igreja primitiva era caracterizado pelo esforço constante dos crentes no cumprimento do 'Ide' de Jesus. Nem as proibições, nem as ameaças de morte, nem as prisões, puderam deter aqueles irmãos que inflamados pelo poder de Deus e pelo amor às almas perdidas, em nada tiveram suas vidas por preciosas contanto que pudessem cumprir com alegria a sublime missão que lhes fora dada pelo mestre. Constrangidos pelo amor de Cristo (2 Co 5:14), eles não podiam deixar de falar do que tinham visto e ouvido (At 4:20). Se quisermos lograr êxito no evangelismo em nossos dias, a exemplo de nossos irmãos no início do cristianismo, devemos pedir ao Senhor que nos encha o coração de amor pelos perdidos.
2. Conhecimento da Palavra de Deus. Conhecendo profundamente a Palavra de Deus, Filipe soube como conduzir a Cristo o mordomo-mor de Candace que, de volta à Etiópia, vinha lendo o profeta Isaías. Eis como ele foi eficiente: "Então, Filipe, abrindo a boca e começando nesta Escritura, lhe anunciou a Jesus" (At 8.35). Lembre-se: o anúncio do Evangelho de Cristo exige do evangelista um perfeito manejo da Palavra da Verdade (2 Tm 2.15). Além disso, esteja preparado, com mansidão e temor, para apresentar a razão da esperança que há em nós (1 Pe 3.15). 
Comentário: Para se proclamar o evangelho de Cristo com eficácia, requer-se, antes de tudo, uma experiência real e marcante com o Cristo do evangelho. Além disso, deve o evangelista aprofundar-se no conhecimento de Deus, afim de apresentar em sua inteireza, tanto ao mundo quanto à Igreja, todos os desígnios divinos. Foi o que Paulo declarou ao presbitério de Éfeso: “Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos; porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus” (At 20.26,27). O evangelista, embora proclame uma mensagem simples e direta, não há de conformar-se com uma teologia rasa. Antes, aprofundar-se-á na Palavra da Verdade, para que venha a manuseá-la com destreza e oportunidade. Ao jovem Timóteo, recomenda Paulo: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2.15).
3. Espiritualidade plena. O batismo com o Espírito Santo é imprescindível ao exercício eficaz do ministério evangelístico (At 1.8). Filipe era um homem cheio do Espírito (At 6.2-4). E, por essa razão, teve um ministério pontilhado de milagres e atos extraordinários (At 8.6,7). Quem evangeliza não se contenta com uma vida espiritual medíocre, mas busca o poder do alto para proclamar, a todos e em todo tempo e lugar, que Jesus é a única solução. 
Comentário: Enfim, ajamos corretamente no púlpito. O que todos esperam de nós é uma conduta digna de um verdadeiro homem de Deus.
Não há honra tão elevada quanto proclamar o evangelho de Cristo.
Todavia, grande é nossa responsabilidade. Por isso, roguemos a Deus que jamais venhamos a escandalizar-lhe o nome. Que a nossa conduta seja sempre digna do Rei dos reis. E que o exemplo de Billy Graham cale profundamente em nossa alma. A Declaração de Modesto, posto que simples,é objetiva e prática. Se lhe seguirmos as diretrizes, poderemos concluir o nosso ministério com honra tanto diante de Deus quanto diante dos homens. Que o senhor nos guarde de tropeçar.
4. Disponibilidade. Embora fosse casado, o evangelista Filipe estava sempre disponível a cumprir com excelência o seu ministério. Em Atos 8, encontramo-lo em quatro lugares diferentes: Samaria, Gaza, Azoto e Cesareia. E, nem por isso, descuidou de sua família; suas quatro filhas eram profetisas (At 21.8,9). Filipe evangelizava tanto pessoal quanto coletivamente; era um obreiro completo.
Comentário: O ideal seria que os pregadores itinerantes viajassem acompanhados de suas esposas. Infelizmente, não são muitas as igrejas que concordam em arcar com mais essa despesa. A maioria acha que só deve ressarcir os gastos do obreiro consigo mesmo. E se este quiser levar a esposa, que pague do próprio bolso. Tal postura é contraproducente, pois fragiliza o obreiro, expondo-o a riscos espirituais e morais. Não disse o próprio Deus que não é bom que o homem esteja só? Caso o pregador viaje desacompanhado, deve tomar uma série de cuidados para não cair em armadilha alguma.

III - O TRABALHO DE UM EVANGELISTA
O trabalho básico de um evangelista consiste na proclamação do Evangelho, na apologia da fé cristã e na integração plena do novo convertido.
1. Proclamação do Evangelho. O trabalho prioritário e intransferível do Evangelista, enfatizamos, é pregar Cristo a todos, em todo tempo e lugar. Por esse motivo, não deve ele perder-se em burocracias inúteis e paralisantes. Noutras palavras, que o evangelista faça, de fato, o trabalho de um evangelista (2 Tm 4.5).  Quem foi chamado ao ministério evangelístico deve permanecer fiel à sua vocação (1 Co 7.20). 
Comentário: Em Atos dos Apóstolos, Lucas busca a precisão e a fidedignidade em todas as informações que transmite a Teófilo (At 1.1-3). No Dia de Pentecostes, por exemplo, lemos que, como resultado do sermão de Pedro, quase três mil pessoas se converteram (At 2.41). Mas, na casa de Cornélio, as conversões talvez não chegassem a uma dezena, e nem por isso o número deixou de ser expressivo ao Reino de Deus. Não exageremos os resultados de nosso trabalho. Na exposição dos fatos, nada de retórica; a verdade basta. Então, por que inventar milagres para glorificar a Deus? Sua glória é incompatível com a mentira. Sejamos  fiéis e verdadeiros nos relatórios e informações. Se fantasiarmos nossos feitos e façanhas, mais adiante seremos desmascarados. Quem ganha almas não é somente sábio; é verdadeiro e modesto.
2. Apologia da fé cristã. A proclamação do Evangelho compreende igualmente a apologia da Fé Cristã (Fp 1.15,16). O verdadeiro evangelista deve estar sempre preparado, objetivando defender a fé cristã ante as nações e os poderosos. Os últimos capítulos de Atos mostram como Paulo, além de anunciar Cristo, soube como defender a esperança evangélica diante das autoridades judaicas e romanas. Destacamos, outrossim, o seu discurso no Areópago de Atenas (At 17). Não se furte ao seu dever de apresentar a apologia da fé cristã. Estude, prepare-se e confie na presença do Espírito Santo. 
Comentário: A apologia de Paulo era diferente da nossa; era viva, dinâmica e relevante. Ele não se afadigava a provar a existência de Deus, pois todos, de uma forma ou de outra, sabiam que o Criador existia, pois a sua presença na criação é inegável. Antes, mostrando a relevância da mensagem da cruz aos gregos e romanos, o apóstolo deixava-lhes bem patente que Deus não somente existe, mas intervém na História do universo e na biografia de cada ser humano. Paulo também não se estressava em mostrar o Jesus Histórico, porquanto a existência do Filho de Deus já se achava, àquela altura, subscrita nas crônicas romanas. Mas, aproveitando cada oportunidade, o apóstolo realçava o Cristo que, ao vencer a morte, recebera do Pai todo o poder nos céus e na terra. A História a ninguém traz à vida, mas a mensagem da cruz de Cristo é suficiente para levar multidões ao novo nascimento.
3. Integração do novo convertido. Embora o evangelista não tenha responsabilidades pastorais efetivas, ele não pode descuidar-se da integração plena do novo convertido. Que cada alma ganha seja discipulada e incorporada também à igreja visível. O lado social do converso não pode ser ignorado. Comentário: O trabalho de um evangelista não se resume em trazer alguém à luz de Cristo, mas também acompanhar o novo crente, até que este venha a iluminar o mundo com o seu testemunho. Se, num primeiro momento, o evangelista é o amoroso obstetra, no seguinte, ele haverá de ser o pediatra atento à evolução do convertido. A partir daí, teremos cristãos testemunhais e exemplares. Mas, se não dermos importância à formação espiritual dos que recebem a Cristo, encheremos a igreja de crentes vazios, deficientes e rasos na fé. É o que vem ocorrendo em muitos arraiais que, tidos como evangélicos, das ovelhas querem apenas a gordura e a lã. A essa altura, uma pergunta ganha pertinência: “Até quando deve durar o discipulado?” Se levarmos em conta as reivindicações apostólicas, o discipulado, na vida de um crente, inicia-se com a sua conversão, e há de perdurar até que seja ele recolhido pelo Senhor. Quanto ao discipulado do novo convertido, em si, que persista até que ele venha a parecer-se em tudo com Jesus Cristo. Somente um discipulado genuinamente bíblico fará a diferença entre o cristão e o não cristão.
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
 "Evangelista
Aquele que é chamado para pregar o Evangelho em muitos lugares. Palavra derivada do verbo euangelizo. Evangelizar significa trazer boas-novas a alguém, especificamente anunciar informações a respeito da salvação cristã (1 Co 15.1-4). A palavra é encontrada três vezes no Novo Testamento. Os evangelistas  estão relacionados junto com os apóstolos, profetas, pastores e doutores, como aqueles que são chamados para compartilhar a construção da igreja. Filipe foi chamado de 'o evangelista' (At 21.8). Embora fosse um dos sete escolhidos para aliviar os apóstolos da  tarefa de distribuir alimentos (At 6.5), ele foi especialmente notado por sua atividade evangelizadora. De Jerusalém, ele foi até Samaria e pregou com grande sucesso. Dali, foi enviado para evangelizar um oficial da corte etíope, que estava viajando para casa depois de visitar Jerusalém. Então pregou o Evangelho desde Azoto até Cesareia, onde tinha sua casa (At 8.40). Timóteo, o jovem ministro, foi exortado a realizar o trabalho de um evangelista como um acompanhamento de sua supervisão pastoral. Está claro que, embora os apóstolos e outros compartilhassem o trabalho de evangelização, havia homens que Deus chamava especialmente para essa tarefa. Nos anos posteriores, os escritores dos quatro Evangelhos foram chamados de evangelistas porque registraram, de forma persuasiva, os fundamentos do Evangelho de Cristo" (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, pp. 725,726).
CONCLUSÃO
Filipe destacou-se como o maior evangelista da Igreja Primitiva. Evangelizando a Judeia, chegou a Samaria. Portanto, que todos nós façamos com excelência o trabalho de um evangelista. A responsabilidade é de todos. Então, proclamemos Cristo a tempo e fora de tempo. Comentário: Não sei quantas almas já ganhei. Mas uma coisa não deixo de fazer: evangelizar pessoalmente. Às vezes, falo de Cristo numa fila de banco; outras, num táxi; e, ainda outras, num leito hospitalar. Nem sempre tenho condições de explanar todo o Plano da Salvação. Todavia, deixo bem claro, ao meu interlocutor, que Jesus Cristo é a única esperança para esta geração confusa, deprimida e sem horizontes. Com poucas palavras, você pode livrar alguém do lago de fogo. Então, esmere-se no exercício do ministério evangelístico, pois quem ganha almas sábio é.
PARA REFLETIR
A respeito da missão do evangelista, responda:
1 - Defina o evangelista.
A palavra evangelista, originária do termo grego euaggelistes, define o obreiro vocacionado por Deus através do Espírito Santo, e confiado à Igreja por Cristo, visando à proclamação extraordinária das Boas-Novas de Salvação.
2 - Segundo a lição, qual o maior evangelista da Igreja Primitiva?
Filipe.
3 - Em Atos 8, quais os lugares evangelizados por Filipe?
Em Atos capítulo 8, encontramo-lo em quatro lugares diferentes: Samaria, Gaza, Azoto e Cesareia. 
4 - Quais os atributos de um evangelista?
Amor às almas, conhecimento da Palavra de Deus, espiritualidade plena e disponibilidade.
5 - Quais as funções de um evangelista?
Proclamação do Evangelho, apologia da fé cristã e integração do novo convertido.