Lição 2- Deus, o Primeiro Evangelista
10 de Julho de 2016
TEXTO ÁUREO
"Ora, tendo a Escritura previsto que Deus
havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão,
dizendo: Todas as nações serão benditas em ti." (Gl 3.8)
VERDADE PRÁTICA
Deus, que deu início ao trabalho de evangelização,
exige de cada um de nós uma atitude evangelística responsável e amorosa.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Gênesis 12.1-8
1 - Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua
terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te
mostrarei. 2 - E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o
teu nome, e tu serás uma bênção. 3
- E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em
ti serão benditas todas as famílias da terra. 4 - Assim, partiu Abrão, como o Senhor lhe tinha dito, e foi Ló com ele;
e era Abrão da idade de setenta e cinco anos, quando saiu de Harã.
5 - E tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e
toda a sua fazenda, que haviam adquirido, e as almas que lhe acresceram em
Harã; e saíram para irem à terra de Canaã; e vieram à terra de Canaã.
6 - E passou
Abrão por aquela terra até ao lugar de Siquém, até ao carvalho de Moré; e
estavam, então, os cananeus na terra.
7 - E apareceu o Senhor a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra.
E edificou ali um altar ao Senhor, que lhe aparecera.
8 - E moveu-se dali para a montanha à banda do oriente de Betel e armou
a sua tenda, tendo Betel ao ocidente e Ai ao oriente; e edificou ali um altar
ao SENHOR e invocou o nome do SENHOR.
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Na lição de
hoje estudaremos acerca da chamada do patriarca Abraão. Ele ouviu a voz de Deus
e saiu, pela fé, da sua terra, do meio da sua parentela para uma terra que Deus
haveria de lhe mostrar. Deus chamou Abraão para uma missão especial, e ele
obedeceu ao chamado. O Todo-Poderoso não queria trazer privilégio e favores
para Abraão e seus descendentes. O propósito era a partir dele e dos seus
descendentes, preparar o mundo para a chegada do Messias. Deus amou a humanidade perdida de tal maneira que não mediu esforços
para anunciar as Boas-Novas. Como filhos de Deus, não podemos ficar
insensíveis, indiferentes diante dos milhares que ainda não ouviram nada ou
quase nada a respeito do evangelho de Jesus Cristo. A evangelização dos
pecadores não é uma opção do crente, mas é uma ordenança de Cristo para a
Igreja (Mc 16.15).
COMENTÁRIO/INTRODUÇÃO
Enfocaremos, na lição
de hoje, a experiência do patriarca Abraão, que ouviu, do próprio Deus, o
anúncio do Evangelho. A partir daquele momento, caberia aos descendentes do
patriarca, por meio de Isaque e de Jacó, preparar o mundo para a chegada do
Messias. Vê-se, pois, que Deus se compraz em anunciar as Boas-Novas à
humanidade caída e carente de sua graça. A chamada de Abraão evidencia-nos que
a Bíblia é um livro evangélico com uma missão claramente evangélica. De Gênesis
a Apocalipse, Deus proclama, quer pessoalmente, quer através de seus profetas e
apóstolos, a Salvação a todos os povos da Terra. Por conseguinte, a exemplo do
Senhor dos Céus e da Terra, proclamemos com zelo o Evangelho de Jesus Cristo.
comentário: Sendo
Deus o primeiro evangelista da História Sagrada, toda a sua palavra é
amorosamente evangelizadora. É por isso que a Bíblia, ao contrário de outros
livros tidos como sagrados, é lida e relida, sem jamais deixar de ser
apaixonante. Embora concluída há mais de dois mil anos, ela é repleta de
manchetes que, todas as manhãs, surpreendem-nos por sua graça, misericórdia e
alvíssaras. Do Gênesis ao Apocalipse, temos uma proclamação evangelística que,
tendo início na criação, vai até a consumação de todas as coisas, inaugurando o
Novo Céu e a Nova Terra.
I - A CHAMADA DE ABRAÃO
É com Abraão que tem
início o Evangelho de Cristo. Antes do patriarca, houve diversos anúncios de
redenção, mas nenhum tão claro e evidente quanto ao que o próprio Deus lhe
fez.
comentário: Deus,
em primeiro lugar, intima Abraão a deixar a sua nacionalidade: “Sai-te da tua
terra”. A fé no Deus Único e Verdadeiro não pode circunscrever-se a uma
nacionalidade. Seu caráter reivindica seja ela proclamada a todos, em todo o
tempo e lugar, por todos os meios. Por esse motivo, não sou favorável a uma
igreja oficial, pois sempre estará a serviço do Estado.
1. Abrão, o caldeu. A história de Abrão
tem início quando seu pai, Tera, deixando Ur dos Caldeus, foi peregrinar em
Harã, e, ali, habitaram (Gn 11.31). Pelo texto sagrado, depreendemos que era
intenção de Tera chegar a Canaã, a fim de proporcionar melhores condições à
família. Mas Tera veio a morrer antes de chegar ao seu destino.
comentário: Ao ser chamado por Deus a peregrinar numa terra desconhecida e
mui distante, Abraão não passava de um gentio como eu e você. Era um caldeu
entre os caldeus. O idioma que falava não era o hebraico, mas a língua aramaica
que, nascida em Damasco, estendia-se até as fronteiras com a Índia. Mas aprouve
a Deus evangelizá-lo, separando-o dentre as gentes, para, por meio dele, levar
o mundo a uma surpreendente realidade espiritual. De tal forma converte-se
Abraão ao Deus Único e Verdadeiro que, ante o seu chamamento, deixa uma cidade
segura e confortável para andejar um chão ermo e cheio de sobressaltos. Suas
experiências com o Senhor são profundas; faz-se amigo de Deus (Is 41.8). Não demora para que o seu nome seja
mudado, indicando uma nova dimensão em sua vida espiritual. Dantes, era Abrão:
grande pai. Mas, agora, é Abraão, que em hebraico significa pai de uma multidão
não somente étnica, mas destacadamente espiritual (Gn 17.5). Logo, o patriarca
hebreu torna-se o nosso pai na fé (Tg 2.21).
2. Abraão, o
evangelizado. Após a morte de
Tera, o Senhor chama Abrão a uma nova realidade espiritual. E, nesse momento,
proclama-lhe o Evangelho Eterno: "Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da
tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te
mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o
teu nome, e tu serás uma bênção" (Gn 12.1,2). Os termos de sua chamada, ou
evangelização, são precisos e fortes. Ele teria de sair de sua terra, a fim de
formar um povo profético, sacerdotal e real. Nessa condição, partilharia a sua
fé com todas as nações, conduzindo-as ao encontro com o Cristo, que haveria de
chegar na plenitude dos tempos (Gl 4.4). Enfim, sua missão era ser uma bênção
evangélica ao mundo. Por esse motivo, Abraão é o pai de todos os que creem (Rm
4.11). Vê-se, pois, que Deus, ao chamar Abraão, evangelizou-o, conforme
enfatiza o apóstolo Paulo: "Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia
de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão,
dizendo: Todas as nações serão benditas em ti" (Gl 3.8).
comentário: “o
Senhor chama Abrão a uma nova realidade”, note que para Deus enviar Ele
primeiro transforma a pessoa, colocando-a em um novo contexto. “Sai-te
da tua terra, e da tua parentela”, essa ordem mostra a necessidade de sair
do meio daquilo que não glorifica a Deus, o Senhor o convida primeiro a deixar
a comunhão desse mundo para que não o atrapalhe na caminhada. “a terra
que eu te mostrarei”, mostra que em seguida à separação do mundo o crente é
enviado à Terra designada por Ele. “E far-te-ei uma grande nação”,
após o envio o Senhor começa fazer promessas, pois Ele quer ressaltar a fé em
nós, como fez com Abraão. Para alguém ir ao campo missionário deve ter uma fé
semelhante a de Abraão. “partilharia a sua fé com todas as nações”,
a intenção de Deus era fazer com que o modelo de fé de Abraão alcançasse o
mundo. Quando evangelizamos estamos fazendo isso, levando a fé de Abraão aos
confins da Terra. “pai de todos os que creem”, porque a nossa fé é
a mesma de Abraão, a crença nas promessas de um Deus invisível e a disposição
de deixar tudo por esse Deus.
3. O evangelista Abraão. Já evangelizado, Abraão faz-se
evangelista e sai a apregoar o conhecimento divino. Entre os gentios, era o
profeta do Senhor (Gn 20.7). Dessa forma, implantou a genuína fé naquela
região, levando os seus descendentes a adorar ao Único e Verdadeiro Deus. Eis
por que, na genealogia de Cristo, Mateus designa-o como o principal ascendente
do Messias (Mt 1.1). A partir da chamada de Abraão, o povo hebreu passou a
viver como o povo escolhido de Deus para anunciar às nações as virtudes do
Altíssimo, conforme atestam as Escrituras Sagradas.
comentário : Em sua belíssima teologia da justificação pela fé, Paulo, depois de condenar energicamente o falso
evangelho anunciado nas regiões da Galácia, escreve: É o caso de Abraão, que
creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Sabei, pois, que os que são
da fé são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia
de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão,
dizendo: Todas as nações serão benditas em ti. De sorte que os que são da fé
são benditos com o crente Abraão. (Gl 3.6-9) Aos israelitas, que ainda não
haviam recebido o Cristo de Deus, a chamada de Abraão era mais étnica do que
espiritual. O apóstolo, porém, iluminado pelo Espírito Santo, viu, atrás
daquela narrativa, uma das mais profundas teologias do Novo Testamento. Em
Gênesis, escondia a essência do Evangelho: Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te
da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te
mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o
teu nome, e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem e
amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias
da terra. (Gn 12.1-3).
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
"O primeiro punhado de promessas feitas a
Abraão, que na ocasião talvez ainda tivesse em Ur dos caldeus, inclui uma
promessa ao mundo. Realmente, essa é a promessa mais plena de todas. É ótimo
receber uma bênção, mas é melhor ainda conceder uma bênção. Dessa forma, é
assegurado a Abraão que 'em ti serão abençoadas todas as famílias da terra' (Gn
12.3). Essa promessa e garantia são repetidas em Gênesis 18.19; 22.19 (cf. At
3.25; Gl 3.8). Pouca diferença faz se aceitamos a tradução acima ou a leitura
sugerida: 'por ti todas as famílias da terra serão abençoadas'. A diferença
trata-se apenas de metodologia, não de princípios. O fator importante e
principal é que o chamado de Abraão não se trata de favoritismo pessoal de um
deus particularista para estabelecer uma religião local em prática e desígnio.
Ele origina-se no Deus de glória e é designado pelo bem-estar da humanidade.
Assim como Deus não chama seu ministro para o bem do ministro, mas para o bem
da consagração, da comunidade e do mundo, Ele não chamou Abraão pelo bem de
Abraão. O mundo estava à vista, e a humanidade era o objetivo, qualquer que
fosse a metodologia. Essa promessa, com seu desígnio de intenção universal, foi
transferida no devido tempo aos patriarcas, Isaque (Gn 26.4) e Jacó (Gn 28.14). De uma forma um
tanto diferente, tanto enriquecida quanto mais específica, Judá a herdou de Jacó
(49.10) e tornou-se o portador do bastão de comando de Israel, embora Levi
tenha sido escolhido para o sacerdócio. Assim não há enfraquecimento de
universalidade no período patriarcal. O desígnio e a intenção de Deus lhe são
declarados enfaticamente" (PETERS, George W. Teologia Bíblica de Missões.
1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000, pp. 134,135).
II - A PALAVRA DE DEUS É EVANGÉLICA
A Bíblia Sagrada é um livro essencialmente
evangélico. Do Gênesis a Malaquias, demonstra que Jesus é o Cristo prometido
por Deus aos patriarcas e santos profetas, haja vista a exposição messiânica
que o Divino Mestre fez aos discípulos no caminho de Emaús (Lc 24.13-35).
Na
queda de Adão, temos a mentira que aprisiona, a verdade que liberta e a
promessa da semente que, lançada no Éden, germinaria no Calvário, trazendo a
salvação a todos os homens.
1. A Lei de Moisés é
evangélica. Em Gênesis, Deus faz diversos anúncios evangélicos,
destacando a redenção da humanidade (Gn 3.15; 12.1,2). Inicialmente, o Senhor
proclama aos nossos pais, ainda no Éden, a vinda da semente da mulher, que
haveria de pisar a cabeça de Satanás. Mais tarde, ao convocar Abraão à
verdadeira fé, promete-lhe que, através de sua geração, seriam abençoadas todas
as nações da terra. No Êxodo, a Páscoa ilustra não apenas a liberdade de
Israel, mas também a libertação de todos os que, em todos os lugares, recebem o
Cordeiro de Deus como o seu Salvador (Êx 12.1-28; 1 Co 5.7; 1 Pe 1.19). Somente
Jesus é capaz de tirar os pecados do mundo (Jo 1.29). Finalmente, em
Deuteronômio, Moisés fala abertamente sobre o Messias que havia de vir: "O
SENHOR, teu Deus, te despertará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como
eu; a ele ouvireis" (Dt 18.15).
COMENTÁRIO: O discurso com que Satanás enredou a
queda de Adão era lógico e filosofante. Nem mesmo Aristóteles seria capaz de
armar silogismos como aqueles. O Inimigo mentiu, fazendo-se amigo; distorceu a
verdade, levando-a a parecer mentira. Desevangelizando Adão e Eva, induziu toda
a humanidade à rebelião contra Deus. E, assim, aprisionou nossos pais. A queda
de nossos primeiros genitores chocou os seres angelicais. Até ali, homens e
anjos formavam uma mesma grei, apesar de estarem separados por uma barreira
dimensional. Mas, agora, com o pecado, éramos tão inimigos de Deus quanto
Satanás. O Senhor dos céus e da terra, contudo, não tardaria a proclamar o evangelho
que, no Calvário, desfaria a inimizade que separa a criatura do Criador.
2. A história de
Israel é evangélica. No auge da história de Israel, quando o povo de Deus já
se havia libertado de todos os seus inimigos por intermédio de Davi, o Senhor
promete ao seu ungido: "Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para
sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre" (2 Sm 7.16). Essa
promessa, declaradamente evangélica, refere-se ao Senhor Jesus, que, além de
ser conhecido como filho de Davi, é aclamado como Rei dos reis e Senhor dos
senhores (Mt 1.1; Ap 19.16).
comentário: A Igreja, por ser Igreja, não pode ser trancada na burocracia
estatal, pois a sua natureza leva-a a forçar todas as portas, inclusive as do
inferno. Israel jamais poderia ter restringido a sua fé a um território, a uma
cidade, a um santuário e a um objeto sagrado. Infelizmente, foi o que
aconteceu. Embora fundassem uma terra santa, não foram suficientemente zelosos para santificar os povos
além de suas fronteiras. Ao elegerem Jerusalém como a cidade santa por
excelência, não saíram, a partir dela, a proclamar a Palavra de Deus até aos
confins da terra. Quanto ao Santo Templo,
achavam que Deus estava restrito àquela casa e que, de lá, jamais sairia. E,
para completar o seu exclusivismo religioso, fizeram da
arca sagrada um totem. Supunham que, tendo-a por perto, nenhum mal viria a
alcançá-los. O Senhor mostrou-lhes, porém, que aquele objeto tão belo e tão
cobiçado viria a perder-se um dia (Jr 3.16). Enfim, os
israelitas, ao contrário de Abraão, não conseguiram transcender a própria
nacionalidade na divulgação da verdadeira fé. Logo, o Deus de Israel é também o
Deus de todos os povos, porque sua é a terra e a sua plenitude. Até mesmo os
apóstolos demoraram a entender o alcance universal do evangelho de Cristo.
Fez-se necessária a convocação de um concílio, para que, iluminados pelo
Espírito Santo, autorizassem Paulo e Barnabé a prosseguirem o seu ministério
junto aos gentios.
3. A poesia de Israel
é evangélica. Na poesia de Israel,
o Senhor anuncia a chegada do Salvador através de versos e cânticos. No auge de
sua dor e angústia, confessa Jó: "Porque eu sei que o meu Redentor vive, e
que por fim se levantará sobre a terra" (Jó 19.25). No Hinário de Israel,
Davi, o suave cantor, profetiza o triunfo do Messias (Sl 2.1-12). Mas, também,
descreve-lhe o sofrimento em favor da humanidade (Sl 22.1-31). Vemos ainda uma
bela referência acerca de sua morte e ressurreição (Sl 16.10).
Comentário: “Na poesia de Israel, o Senhor
anuncia”,
se refere aos livros poéticos de Jó, Ester, Salmos, Cantares, Provérbios e
Eclesiastes. “No auge de sua dor e angústia, confessa Jó”, a confissão
de Jó já seria muito linda se ele não tivesse passando por todo aquele
sofrimento. “descreve-lhe o sofrimento em favor da humanidade”, são
profecias que depois foram confirmadas nos acontecimentos da crucificação do
Senhor.
4. Os profetas são
evangélicos. Os profetas, inspirados pelo Espírito Santo, descreveram a
vinda de Cristo detalhadamente. Isaías profetizou acerca de sua concepção
virginal e de seu sofrimento vicário (Is 7.14; 53.1-12). Jeremias falou da Nova
Aliança que o Senhor, por intermédio do Israel Messiânico, haveria de
estabelecer com toda a humanidade (Jr 31.31-33). Miqueias mostrou o lugar do
nascimento de Cristo, e Daniel revelou a sua soberania (Mq 5.2; Dn 7.13.14).
Comentário: Os profetas inspirados pelo Espírito
Santo, profetizaram sobre a vinda de Cristo e o mistério do evangelho em
relação aos gentios, porém, nem mesmo eles podiam entender sobre o que estavam
falando, embora soubessem estar falando de algo muito grande, muito profundo. O
profeta Isaías falou deste mistério (Is 49.6), o salmista Davi (Sl 22.37), o
profeta Daniel (Dn 7.14), o profeta Oséas (Os 2.23), o profeta Jeremias (Jr
31.31-33) e Pedro (1ª Pd 1.10-15), como diversos outros profetizaram.
Deus não poderia revelar-lhes este mistério, pois não estavam em condições de poder entender que Cristo não apenas viria para consumar a obra redentora, mas, que após consumá-la Ele iria habitar no homem, e não apenas com o homem. Ainda mais confusos ficariam se soubessem que Cristo iria habitar também nos gentios, como afirmou Paulo: "... aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós esperança da glória".
Deus não poderia revelar-lhes este mistério, pois não estavam em condições de poder entender que Cristo não apenas viria para consumar a obra redentora, mas, que após consumá-la Ele iria habitar no homem, e não apenas com o homem. Ainda mais confusos ficariam se soubessem que Cristo iria habitar também nos gentios, como afirmou Paulo: "... aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós esperança da glória".
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
"A fase mosaica enriqueceu a religião dos
israelitas de muitas maneiras, tornando-a uma religião de redenção milagrosa,
monoteísmo positivo, consagração devotada, ética dinâmica, fé responsável, amor
e obediência, culto organizado, lei em comum e uma grande esperança. Embora ela
não acrescentasse muitas referências à universalidade, enfatizava o caráter
inclusivo no prelúdio memorável que precede a inauguração de Israel como uma
nação, a realização do Decálogo e do pacto. Se esse prelúdio fosse devidamente
compreendido, ele teria uma importância revolucionária e renovadora para Israel
ao conceder significado, propósito e sentido à sua história" (PETERS,
George W. Teologia Bíblica de Missões. 1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 20000, p.
135).
III - EXECUTANDO O TRABALHO DE DEUS
Seguindo o exemplo do próprio Deus, Israel deveria
evangelizar o mundo, preparando-o para a chegada de Cristo. Infelizmente,
apostatou da fé abraâmica. Por isso, o Senhor disciplinou-os com o amargo
exílio na Babilônia. Não obstante o seu fracasso, os israelitas cumpriram
parcialmente a missão que lhes confiou o Deus de Abraão.
1. Israel e a
evangelização mundial. Os israelitas contribuíram para a evangelização do mundo,
porque deles vêm os patriarcas, a Lei de Moisés, os pactos, os profetas, as
Escrituras e o próprio Cristo (Rm 9.1-5). No auge de sua história, quando do
reinado de Salomão, em vez de aproveitarem a prosperidade para fazer missões,
caíram na idolatria. Todavia, o apóstolo Paulo amorosamente pondera: "E,
se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua diminuição, a riqueza dos gentios,
quanto mais a sua plenitude!" (Rm 11.12)
comentário : Todavia, Israel tem uma missão a
cumprir, um serviço a ser feito neste mundo no âmbito evangelístico que será
realizado no período milenar do governo de Cristo. Neste glorioso período,
Israel pregará o evangelho do reino em todo o mundo (Mt 24.14). Haverá um
conhecimento universal de Deus (Is 11.9; 54.13; Mt 24.14). Haverá abundância de
salvação (Is 33.6). Os judeus serão os mensageiros do Rei (Mq 4.1-3). Eles
realizarão um grande movimento missionário (Is 52.7). "... a terra se
encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar" (Is 11.9).
Com a difusão do conhecimento do Senhor, muitas pessoas se converterão. A
evangelização será de fato uma das atividades primordiais dos seguidores de
Cristo, como vaticinou o profeta Isaías: "Quão suaves são sobre os montes
os pés dos que anuncia as boas novas, que fazem ouvir a paz, que anuncia o bem,
que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina." (Is 52.7).
Haverá um avivamento mundial! (Zc 8.22,23).
2. A missão
intransferível da Igreja. O fracasso de Israel não adiou o plano divino da
evangelização mundial. Por meio da igreja, a Palavra de Deus vem alcançando os
confins da terra. Entretanto, o que acontecerá se a Igreja falhar em sua obra
evangelizadora? Não há, em toda a Terra, nenhum outro povo que nos possa
substituir (Rm 10.15-17). A evangelização mundial é a tarefa intransferível da
Igreja de Cristo. Somente nós poderemos executá-la.
Comentário: O apóstolo Paulo
afirma que a Igreja é chamada de "coluna e firmeza da verdade" (1ª Tm
2.15), porque deve sustentar e ser legítima anunciadora da Palavra de Deus
sobre a face da Terra. Num mundo onde a iniquidade aumenta a cada dia (Mt
24.12), cabe a Igreja a difícil tarefa de anunciar a verdade, de mostrar ao
mundo a Palavra de Deus, resplandecendo como astro no meio de uma geração
corrompida e perversa (Fp 2.15). A Igreja é a porta-voz de Deus sobre a face da
Terra. Ela tem o Espírito Santo (Jo 14.7), cuja função é guiar a igreja em toda
a verdade e dizer tudo o que tiver ouvido bem como anunciar o que há de vir,
glorificando e anunciando tudo o que diz respeito a Cristo (Jo 16.13,14). Por
isso, não pode haver qualquer outro "mensageiro" divino além da
Igreja enquanto durar esta dispensação.
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
"Deus refere-se três vezes a Israel como
'minhas testemunhas' (Is 43.10,12; 44.8). A verdadeira questão é: uma
testemunha de quem? O Senhor declara explicitamente: 'O povo que formei para
mim proclamará meus louvores' (43.21). Proclamar seus louvores para quem? O
versículo 9 nos dá a orientação: 'Que todas as nações se unam ao mesmo tempo,
que se reúnam os povos'. Esse é o público de Israel. Essa é a sua missão! Esse conceito de serviço não é
enfraquecido pelo fato de que quatro canções servis dedicadas a esse 'Servo
ideal' de Deus que é o próprio Cristo. O serviço de Israel é estabelecido
claramente. Israel tem uma missão a cumprir, um serviço a ser feito. As
palavras de Paulo ecoam o verdadeiro chamado de Israel no Antigo Testamento:
'Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a
ignorantes' (Rm 1.14). O fato de Israel não ter reconhecido essa posição de
serviço e não ter servido à humanidade não elimina o ideal do Antigo Testamento
para com a nação, e o chamado da mesma. Se mantivermos na mente essa dupla
posição e relação de Israel, grande parte das Escrituras ganhará uma nova
perspectiva e significado mais profundo. Israel nunca deixa de ser o povo de
Deus, a nação do Senhor, embora, devido ao fracasso, ela seja temporariamente
como serva de Deus. Ela permanece desqualificada até que o genuíno
arrependimento a restaure novamente. Tal restauração é prometida pela graça de
Deus e exigida pela justiça e fidelidade de Deus" (PETERS, George W.
Teologia Bíblica de Missões. 1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 20000, pp. 137,138).
CONCLUSÃO
Temos um Deus evangelizador. Ele se compraz em
anunciar Boas-Novas à humanidade. Hoje, porém, o Senhor o faz através de nós.
Nem aos anjos é facultada esta tarefa. Por isso, falemos de Cristo a todos, em
todo tempo e lugar. Jesus em breve virá. O Deus evangelizador espera de todos
nós uma atitude também evangelizadora.
comentário: No Éden, ao evangelho de Cristo, no
Calvário, todas as nações foram abençoadas no patriarca Abraão. Em ambos os
eventos, Deus fez-se presente para atestar o seu amor pela humanidade caída.
Ele criou o mundo em seis dias. No sétimo, veio a descansar de seu trabalho.
Todavia, quando da queda de nossos pais, o Senhor recomeçou o seu labor não
apenas preservando a sua criação, mas também evangelizando seus filhos rebeldes
e apostatas. Jesus afirmou, certa vez, que o Pai trabalha até
agora. Por essa razão, o Filho continuava o seu labor. Mas qual o trabalho do
Pai? Não é criar, porque tudo quanto havia de ser criado, já o foi. Todavia, a
evangelização sempre haverá de ser um trabalho incompleto, por mais que nos
esforcemos. Neste momento, Deus não mais anuncia pessoalmente o evangelho, como
fez no Éden e ao patriarca Abraão. Entretanto, não cessa de abrir portas,
abençoar missões e missionários. Por intermédio de mim e de você, Ele estende
as fronteiras de seu Reino. Paulo dizia-se imitador de Deus, porque se sentia
na obrigação de proclamar-lhe a Palavra a tempo e fora de tempo.
PARA REFLETIR
1 - Por que Deus
anunciou o Evangelho primeiro a Abraão?
Porque, a partir da chamada de Abraão, o povo
hebreu passou a viver como o povo escolhido de Deus para anunciar às nações as
virtudes do Altíssimo, conforme atestam as Escrituras Sagradas.
2 - Qual a missão de
Israel no âmbito da redenção da humanidade?
Proclamar o Salvador às nações.
3 - Qual a
contribuição de Israel à evangelização?
Os israelitas contribuíram para a evangelização do
mundo porque deles vêm os patriarcas, a Lei de Moisés, os pactos, os profetas,
as Escrituras e o próprio Cristo (Rm 9.1-5).
4 - Por que a missão
evangelizadora da Igreja é intransferível?
Porque por meio da igreja, a Palavra de Deus vem
alcançando os confins da terra.
5 - Você tem
evangelizado com zelo e amor?
Resposta pessoal.
MINISTÉRIO S.O.S DA ALMA
PASTOR LUCIMAR FERNANDES

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