Lição 3: Justificação, somente pela fé em Jesus Cristo
Data: 17 de Abril
de 2016
TEXTO ÁUREO
“E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi
fortificado na fé, dando glória a Deus” (Rm 4.20).
Comentário: Dar glória a
Deus é a garantia da qualidade da fé, visto que é dependência do poder de Deus
e é também confiança em sua promessa proferida (v. 21). A vida de fé que Abraão
demonstrou era de natureza tal que os atributos de Deus formavam o seu alicerce
e, por conseguinte, era uma vida na qual a glória de Deus foi exibida. Foi
exercendo essa espécie de fé que ele foi justificado.
VERDADE PRÁTICA
A justificação dos pecados diante de Deus ocorre
somente pela fé.
LEITURA DIÁRIA
Segunda — Rm 4.2 - Abraão foi justificado pela fé e não
pelas obras da carne
Terça — Rm 4.3 - Abraão creu em Deus e por isso Ele o
aceitou e justificou
Quarta — Rm 4.6 - Feliz é o homem a quem Deus imputa a
sua justiça
Quinta — Rm 4.7 - Felizes são aqueles a quem o Senhor
perdoa as iniquidades
Sexta — Rm 4.9 - A Palavra de Deus afirma que a fé foi
imputada como justiça a Abraão
Sábado — Rm 4.16 - Salvação somente pela fé, mediante a
graça divina
LEITURA BÍBLICA EM
CLASSE
Romanos 4.17-22.
17 — (como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí), perante
aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos e chama as coisas
que não são como se já fossem.
18 — O qual, em esperança, creu contra a esperança que seria feito pai
de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência.
19 — E não enfraqueceu na fé, nem atentou para o seu próprio corpo já
amortecido (pois era já de quase cem anos), nem tampouco para o amortecimento
do ventre de Sara.
20 — E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi
fortificado na fé, dando glória a Deus;
21 — e estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era
poderoso para o fazer.
22 — Pelo que isso lhe foi também imputado como justiça.
HINOS SUGERIDOS
27, 156 e 464 da Harpa Cristã.
OBJETIVO GERAL
Explicar que somos justificados diante de Deus somente pela fé e não
pelas obras da carne.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve
atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os
seus respectivos subtópicos.
- Abalizar que a justificação manifestada em Jesus
Cristo veio para salvar judeus e gentios;
- Mostrar que Paulo procurou responder, de forma
bíblica, as contestações que seus interlocutores faziam quanto à justificação;
- Explicar como Paulo utilizou o exemplo de Abraão para
tratar a respeito da justificação pela fé.
INTERAGINDO COM O
PROFESSOR
Professor, a lição de hoje trata a respeito de uma das doutrinas mais
importantes apresentadas por Paulo na Epístola de Romanos — a justificação pela
fé. Ressalte, no decorrer de toda a lição, que ninguém pode ser justificado
diante de Deus pela Lei ou pelas obras da carne. O caminho da justificação é
somente pela fé na obra expiatória de Jesus Cristo. Paulo mostra que Cristo é o
único caminho para que judeus e gentios sejam absolvidos da penalidade do
pecado. O apóstolo, de maneira sábia, utiliza o exemplo do patriarca Abraão
para desfazer a ideia errada que os judeus tinham de que a aceitação de Deus
era obtida mediante as obras da Lei.
Glória a Deus, pois na Nova Aliança, tudo que recebemos da parte do
Senhor, inclusive a salvação, é decorrente única e exclusivamente da graça de
Deus.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, estudaremos a doutrina bíblica da justificação pela
fé, conforme a Carta aos Romanos nos capítulos 3.1- 4.25. Esses textos contêm
uma das mais contundentes defesas de Paulo em favor da justificação pela fé,
independente das obras. Para uma melhor compreensão deste tema tão relevante, a
argumentação do apóstolo será dividida em três partes: a justificação
manifestada, a justificação contestada e a justificação exemplificada. A
chamada de Abraão, o grande patriarca de Israel, será a base da argumentação de
Paulo para provar a doutrina da justificação somente pela fé. O argumento de
Paulo é que todas as bênçãos de Deus e todas as suas promessas são frutos da
sua graça para conosco.
Comentário: No Calvário,
a justiça de Deus chega ao seu cumprimento histórico, através de Cristo e sua
missão redentora. Já vimos na lição anterior que a justificação pela fé foi um
dos pilares da Reforma Protestante. Também vimos que a salvação é pela graça
mediante a fé e não o resultado das obras nem mesmo da adição de fé mais obras.
Assim sendo, a salvação não é uma conquista do homem, mas um presente de Deus.
Não é uma medalha de honra ao mérito, mas uma manifestação do favor imerecido
de Deus. Martinho Lutero disse: “Esta doutrina é a cabeça e a pedra fundamental.
Por si só, ela gera, alimenta, edifica, preserva e defende a igreja de Deus. E
sem ela, a igreja de Deus não poderia existir nem por uma única hora”. Martin
Lloyd-Jones afirmou que a justificação pela fé “é a grande doutrina central de
todo protestantismo, e vocês descobrirão que em cada avivamento ela sempre vem
na vanguarda”. A igreja cai ou permanece de pé por causa desta doutrina. Ela é
a espinha dorsal de todas as doutrinas bíblicas. John Piper diz: “Pregar e
viver a justificação pela fé glorifica a Cristo, resgata pecadores
desesperados, encoraja santos imperfeitos e fortalece igrejas frágeis”.
I. A JUSTIFICAÇÃO
MANIFESTADA (Rm 3.21-26)
1. Um culpado que é inocentado. Em Romanos 3.21, lemos: “Mas,
agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e
dos Profetas”. Paulo nos mostra como Deus se revelou para alcançar os gentios e
judeus. Os gentios estavam debaixo da ira de Deus, porque falharam em
conhecê-lo. Os judeus também estavam debaixo da ira divina, por não conseguirem
guardar a Palavra do Senhor. O vocábulo manifestou, no grego, vem de uma raiz
cujo significado é tornar manifesto ou visível ou conhecido o que estava
escondido ou era desconhecido. Deus, na pessoa de Jesus Cristo, tornou
conhecido o seu grande amor para com os pecadores. Encontramos Paulo recorrendo
a uma figura extraída do mundo jurídico para esclarecer o seu pensamento. O
termo justiça traduz a palavra grega dikaiosyne, muito comum no contexto de um
tribunal. A imagem é de alguém que é inocentado por um juiz, mesmo sendo
culpado pelos seus atos. Concluímos então que, mesmo culpados, Deus quis nos
justificar e perdoar.
Comentário: A
justificação é um ato legal, forense e judicial de Deus. É feita no tribunal de
Deus e não em nosso coração. É um ato jurídico ou uma sentença divina na qual
Ele declara perdoado todo pecador que crer em Jesus. Louis Berkhof define: “A
justificação é um ato judicial de Deus no qual Ele declara, baseado na justiça
de Jesus Cristo, que todas as exigências da lei estão satisfeitas com respeito
ao pecador”. A justificação é o contrário de condenação. Ela é um ato único e
legal que remove a culpa do pecado e restaura o pecador à sua condição de filho
de Deus, com todos os seus direitos, privilégios e deveres. A justificação não
ocorre na vida do pecador, não produz mudanças no seu caráter, mas no Tribunal
de Deus. Justificação é uma declaração e santificação é transformação. Mas, é a
partir da justificação que o Espírito Santo inicia no pecador todo o processo
de santificação até a sua glorificação.
2. Um prisioneiro que é libertado. Em Romanos 3.24, Paulo usa o
verbo grego apolytroseo para se referir à redenção efetuada por Jesus Cristo.
Essa palavra, conforme definem os léxicos da língua grega, tem o sentido de
redenção, resgate ou libertação. No contexto neotestamentário tem o sentido de
libertar mediante o preço de um resgate. No mundo antigo um escravo podia ser
resgatado mediante o pagamento de um preço. É exatamente isso que Deus fez.
Enviou Jesus Cristo para resgatar o homem que estava preso em seus delitos e
pecados (Ef 2.1,2). Tanto judeus como gentios deveriam se conscientizar dessa
realidade. Ninguém pode se autolibertar.
Comentário: Como uma
pessoa pode se tornar aceitável diante de Deus? A resposta está clara no Novo
Testamento, especialmente nos escritos de Paulo, como a passagem clássica de
Romanos 3.21-25. Nas Escrituras, a justificação é o contrário da condenação. É
a declaração que diz que o pecador que crê é justo, e isso devido à retidão
imputada de Cristo, o “dom da justiça”, conforme lemos em 5.17. Agora a justiça
de Cristo é legalmente considerada como possessão do pecador crente. Todos os homens
são pecadores e necessitam do perdão de Deus. A justiça de Deus é para todos e
sobre todos, judeus e gentios, porque todos erraram o alvo, deixando de ser
conforme o propósito de Deus. Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus
(Rm 3.23). Infelizmente, a palavra portuguesa “justificação”, originária do
latim, dá a idéia de “tornar justo”, no sentido de produzir justiça no
justificado. Mas o termo grego original dikaiosyne não se refere a
uma mudança intrínseca no indivíduo, e sim a uma declaração feita por Deus.
Visto que não temos justiça própria e somos culpados diante de Deus, ele nos
declara justos com base na expiação de nossos pecados por Cristo e na sua
justiça imputada a nós.
3. Um inocente que é culpado. Se o sistema judicial foi útil
para elucidar o pensamento do apóstolo, da mesma forma a figura extraída do
sistema de sacrifícios levítico também o auxiliou. Isso pode ser visto no
texto: “Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para
demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a
paciência de Deus” (Rm 3.25). A palavra propiciação (gr. hülasterion), que está
relacionada ao termo propiciatório é uma terminologia muito utilizada no Antigo
Testamento para se referir aos sacrifícios pelo pecado. No sistema levítico,
quando alguém pecava tornava-se culpado de algo, e um animal inocente era
sacrificado para que a culpa fosse expiada. Paulo mostra que tanto os gentios
como os judeus não podem chegar a Deus pelos seus esforços ou obras, mas única
e exclusivamente pelo sangue de Jesus: o inocente Cordeiro de Deus que foi
sacrificado por nós.
Comentário: A
justificação é um presente que Deus concede ao homem. Paulo diz: sendo
justificados gratuitamente, por Sua graça (Rm 3.24). A palavra gratuitamente
significa “como um presente”, “sem pagamento”; e a palavra graça significa “por
um favor imerecido”. Ela não pode ser comprada por obras humanas ou conquistada
por méritos pessoais. Ela é exclusivamente pela graça - gratuita para o
pecador, mas ela teve um alto custo para Deus. Para nós a salvação é grátis,
mas para Deus custou à vida de Seu Filho. “Sabendo que não foi mediante coisas
corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil
procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de
cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1Pe 1.18-19). É por
meio do sacrifício de Jesus, que Deus toma a culpa do pecador e a atribui a
Jesus Cristo. E a justiça que há em Jesus Cristo é imputada ao pecador. Jesus
pagou a pena em nosso lugar, e por isso nenhuma condenação há para aquele que
nEle confia. Cristo “…foi entregue por causa das nossas transgressões e
ressuscitou por causa da nossa justificação”. A justificação pela fé é a doutrina
que marca o rompimento dos reformadores com a Igreja de Roma. A justificação,
de acordo com o ensino de Roma, era pelas obras. Esse ensino escravizava a
mente e o coração das pessoas, que nunca podiam descansar em Deus, tendo a
necessidade de praticar constantemente as obras recomendadas pela igreja.
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“A Doutrina da Justificação
A estudarmos a Doutrina do Pecado descobrimos que ninguém pode ser
justificado pela justiça humana. Entretanto, é na doutrina da justificação, no
texto de 3.1 a 5.21, que o pecador encontra o caminho da justificação, através
da obra expiatória de Cristo. No primeiro estado, o pecador está perdido e sem
possibilidade alguma de se justificar diante de Deus. No segundo estado, o
pecador encontra Cristo que o justifica.
É a partir do capítulo 3.21 que o pecador, judeu ou gentio, encontra um
novo caminho através dos méritos de Cristo Jesus. É aqui que ele pode ser
perdoado e declarado livre da pena do seu pecado, perante Deus.
Justificação significa absolvição da culpa, cuja pena foi satisfeita.
Significa ser declarado livre de toda culpa tendo cumprido todos os requisitos
da lei.
Justificação é um termo forense que denota um ato judicial da
administração da lei. Esse ato judicial legaliza a situação do transgressor
perante a lei e o torna justo, isto é, livre de toda a condenação. Cristo
assumiu a pena do pecador e foi sentenciado no lugar do pecador. Ele sofreu a
pena contra o pecador. Cumprida a pena, o veredicto final da justiça divina é a
justificação do pecador. Entende-se então que ser justificado não significa que
a justiça tenha sido adiada, ou que ela não tenha sido cumprida” (CABRAL,
Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005,
p.52).
II. A JUSTIFICAÇÃO
CONTESTADA (Rm 3.27-31)
1. A justificação se opõe à salvação meritória. Paulo
desejava que o seu ensino não fosse mal interpretado, então recorrendo ao
método da diatribe, se adiantando em responder as contestações que seus
interlocutores poderiam fazer-lhe. “Onde está, logo, a jactância? É excluída.
Por qual lei? Das obras? Não! Mas pela lei da fé” (Rm 3.27). A lei dizia faça e
o judeu devoto estava convicto de que Deus o justificaria pelo que fazia. No
entanto, a graça que Paulo ensinava dizia não faça, mas aceite o que Jesus já
fez. O que seria feito então do orgulho judaico que se vangloriava em ser o
povo eleito de Deus e das boas obras que praticavam? Não levaria Deus isso em
conta nessa nova doutrina de Paulo? Nas palavras do apóstolo, não! É bem fácil
imaginar que para um judeu devoto, guardador da lei e praticante de boas obras,
que o ensino da justificação “pela fé somente” era bem difícil de digerir. Não
é fácil abrirmos mão do nosso orgulho e deixarmos de nos vangloriarmos pelos
nossos feitos. Todavia, a doutrina da justificação pela fé diz que não há
mérito humano quando a graça de Deus se manifesta. A conclusão de Paulo é que
“o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei” (Rm 3.28).
Comentário: A fonte da
justificação é a graça de Deus, o fundamento da justificação é a obra de Cristo
e o meio da justificação é a fé. A fé é o canal através do qual a justificação
é concedida ao pecador que crê; é o meio pelo qual ele toma posse das bênçãos obtidas
por Cristo (como a paz com Deus, Rm 5.1). Ela não é uma boa obra, mas um dom de
Deus, como Paulo ensina em Efésios 2.8-9. É o único meio de receber o que Deus
fez por nós (“sola fides”), ficando excluídos todos os outros atos ou obras. A
morte expiatória de Cristo assegura uma parte de nossa justificação, ou seja,
aquela que diz respeito ao perdão, enquanto sua ressurreição obtém para nós o
outro elemento, o da justiça. Como morte e ressurreição permanecem juntas como
aspectos gêmeos da realização central de Cristo, o mesmo acontece com a
expiação e a justificação. A morte na cruz não foi o final para Jesus. Sua
morte foi o cumprimento de uma importante etapa de sua obra, que teve
continuidade em sua ressurreição, ascensão, sessão à destra do Pai e em sua obra
permanente como Profeta, Sacerdote e Rei. Por sua vez, foi a ressurreição que
deu significado à morte e lançou luz para os discípulos sobre tudo o que havia
ocorrido anteriormente. Foi sua ressurreição que deixou claro para os
discípulos e para todos aqueles que o viram pregado na cruz que ele realmente
era quem dizia ser: o Messias prometido. Além do mais, a própria ideia da
ressurreição exige a morte primeiro, ou isso não é ressurreição. Da mesma forma
como morte e ressurreição são inseparáveis e mutuamente necessárias, assim
também a justificação não pode ocorrer sem a expiação pelos pecados, pois as
pessoas não podem ser consideradas justas se elas estão sob a ira de Deus. Por
outro lado, a expiação também não pode ser entendida sem seu companheiro
inseparável, o recebimento da justiça, que nos capacita não apenas a sermos
trazidos a um estado de inocência, mas nos faz aptos para entrarmos em comunhão
com um Deus justo e santo. Relativo à ‘trapos de imundícia’, os “atos de
justiça” que Isaías tinha em mente eram, muito provavelmente, os rituais
superficiais oferecidos por Israel, desprovidos de uma fé e de uma obediência
sinceras. m Isaías 65.1-7, o Senhor rejeita os sacrifícios pecaminosos de
Israel. Eles são um insulto ao Senhor, fumaça para seu nariz, assim como a
“obediência” ritualista de Isaías 58 não impressionou ao Senhor porque seu povo
continuava oprimindo o pobre. Os “atos de justiça” eram “trapos imundos” porque
não eram nem um pouco justos. Tinham aparência boa, mas não passavam de farsa,
literalmente uma cortina de fumaça para acobertar a incredulidade e a
desobediência deles. Então, não é correto pensar que todo “ato de justiça” do
crente são trapos imundos aos olhos de Deus. Aliás, no versículo anterior,
Isaías 64.5, Isaías declara: “Vens ajudar aqueles que praticam a justiça com
alegria, que se lembram de ti e dos teus caminhos”. Não é impossível o povo de
Deus praticar atos de justiça que agradam a Deus. Sobre isso, John Piper
explica: “Às vezes as pessoas são descuidadas e falam de forma negligente sobre
toda a justiça humana, como se não houvesse nada que agradasse a Deus. Muitas
vezes elas citam Isaías 64.6 que diz que nossa justiça é como ‘trapo de
imundícia’. É verdadeiro – gloriosamente verdadeiro – que ninguém do povo de
Deus, antes ou depois da cruz, seria aceito pelo Deus imaculadamente santo se a
justiça perfeita de Cristo não nos fosse imputada (Romanos 5.19; 1 Coríntios
1.30; 2 Coríntios 5.21). Mas isso não quer dizer que Deus não produza nessas
pessoas ‘justificadas’ (antes e depois da cruz) uma justiça experiencial que
não é ‘trapo de imundícia’. Ao contrário, ele o faz; e essa justiça é preciosa
a Deus e é exigida, não como fundamento da justificação (que é a justiça de
Cristo somente) mas como evidência de sermos filhos verdadeiramente
justificados de Deus”. Os que geram fruto em cada boa obra e crescem no
conhecimento de Deus são totalmente agradáveis a Deus (Cl 1.10). Apresentar
nosso corpo como sacrifício vivo agrada a Deus (Rm 12.1). Cuidarmos de nosso
irmão mais fraco agrada a Deus (Rm 14.18). Obedecer nossos pais agrada a Deus
(Cl 3.20). Ensinar a Palavra de forma autêntica agrada a Deus (1 Ts 2.4). Orar
por autoridades de governo agrada a Deus (1 Tm 2.1-3). Sustentar familiares em
necessidade agrada a Deus (1 Tm 5.4). Partilhar recursos financeiros com outros
agrada a Deus (Hb 13.16). Agrada a Deus quando guardamos os seus mandamentos (1
João 3.22). Em linhas gerais, sempre que você confia em Deus e o obedece, ele
se agrada disso.
2. A justificação se opõe ao orgulho nacionalista. A segunda
indagação que Paulo procura responder é a seguinte: “É, porventura, Deus
somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios,
certamente” (Rm 3.29). Esse é outro ponto que contrastava com a crença do
judaísmo do primeiro século — o exclusivismo. A doutrina da justificação pela
fé revela que Deus não é somente dos judeus, que se achavam privilegiados pelo
legalismo em relação à Torá, mas dos gentios também. Deus não é uma divindade
nacionalista, mas Ele é o Deus de toda a Terra. Não há dúvidas de que Paulo
tinha em mente o shema judaico quando argumentou sobre esse assunto: “Ouve,
Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (Dt 6.4). Se Deus é o único
Deus, como de fato afirma o monoteísmo judaico, então Ele é o Deus dos gentios
também. Não podemos cair no erro de achar que Deus é nossa propriedade
exclusiva.
Comentário: A parábola do
fariseu e do publicano (Lc 18.9-14) sobre dois grandes pecadores foi contada
pelo Senhor Jesus. Um dos homens sabia que era pecador e o confessou diante de
Deus. O outro não sabia que era pecador e gabava-se de sua justiça. É a
história de um homem que pensava ser bom, mas que foi para o inferno e de outro
que sabia ser mau e foi para o céu. A aplicação desta parábola é clara: Quando
consideramos nossa própria atitude na oração, é ela mais parecida com a do
fariseu ou com a do coletor de impostos? Humilhamo-nos na presença de Deus ou
achamo-nos agradecendo-lhe porque não somos como outras pessoas pecadoras?
Humilhamo-nos ou agradecemo-lhe por nossa força e o fato que não caímos como
outros caíram? Sentimos a necessidade de exclamar, como o fez o coletor de
impostos: "Ó Deus, sê propício a mim, pecador"?
3. A justificação se opõe ao antinomismo. “Anulamos,
pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes estabelecemos a lei” (Rm 3.31).
Essa é última pergunta a ser respondida por Paulo dentro dessa seção. Os judeus
legalistas defendiam a observância dos preceitos da lei e acusavam Paulo de ser
antinomista, isto é, ensinar que a lei não tem mais nenhum sentido. Paulo
estaria ensinando que a justificação pela fé tornara a lei desprezível? A
resposta de Paulo é não! O problema não era com a Lei, que tinha a função de
servir de condutora até Cristo, mas com os homens que se mostraram incapazes de
cumpri-la. Nem judeu nem tampouco gentio algum foi capaz de cumprir a Lei.
Somente Jesus Cristo a cumpriu em nosso lugar. Qualquer tentativa de cumprir a
Lei hoje é nula, além de ser uma afronta àquEle que se mostrou o único
habilitado a fazê-lo — Jesus Cristo, nosso Senhor.
Comentário: O Antinomismo
(gr. Anti=contra; Nomos=lei, literalmente contra a Lei ou contra o sistema da
Lei) é uma das heresias mais antigas da História da Igreja. Já aparece no
gnosticismo helenizado de Marcião que negava qualquer importância real e
espiritual ao Antigo Testamento, e por conseguinte desde a Lei até os profetas,
mas especialmente a primeira que era considerada irrelevante e sem mais
importância a partir de Cristo, por meio do qual fora estabelecida uma nova
relação com os homens. O Antinomismo, portanto, não só rejeita a Lei mas não vê
para essa lei qualquer significação nos dias de hoje, seja do ponto de vista da
fé ou mesmo da ética. Contra a acusação dos judeus de que Paulo era
antinomista, Paulo mostra que nunca houve outro recurso de salvação senão
aquele provido por Deus. A esse respeito o Antigo Testamento deu seu testemunho
claro e irretorquível. Isso fica evidente da experiência de Abraão e Davi, dois
vultos memoráveis da história de Israel, por demais estimados por toda a nação.
De fato, desde a entrada do pecado neste mundo, justificação pela fé sempre foi
o método de salvação.
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
Professor, o subtópico três mostra que o antinomismo se opõe a
justificação. Antes de discorrer a respeito do assunto faça a seguinte
indagação: “O que é antinomismo?”. Ouça os alunos com atenção e explique que
“literalmente significa contra a lei. Doutrina que assevera não haver mais
necessidade de se pregar nem de se observar as leis morais do Antigo
Testamento. Calibrando esta assertiva, alegam os antimonistas que, salvos pela
fé em Cristo Jesus, já estamos livres da tutela de Moisés. Ignoram porém, serem
as ordenanças morais do Antigo Testamento pertencentes ao elenco do direito
natural que o Criador incrustara na alma de Adão. Como podemos desprezar os Dez
Mandamentos? Todo crente piedoso os observa, pois o Cristo não veio revogá-los;
veio cumpri-los e sublimá-los. Além do mais, as legislações modernas estão
alicerçadas justamente no Decálogo” (ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário
Teológico. 8ª Edição. RJ: CPAD, 1999, p.44).
III. A JUSTIFICAÇÃO
EXEMPLIFICADA (Rm 4.1-25)
1. Abraão, circuncisão e justificação (Rm 4.1-8). Na seção de
Romanos 4.1-8, o apóstolo Paulo toma o exemplo do patriarca Abraão para fazer
um contraste entre a justificação pela fé e pelas obras. A antiga tradição
judaica afirmava que Abraão já guardava a Torá, mesmo tendo vivido séculos
antes dela. Ele a teria guardado por “antecipação”, pois segundo o judaísmo,
apoiando-se em Gênesis 17.23, Abraão é circuncidado como sinal da aliança entre
ele e Deus. Da mesma forma o sacrifício de Isaque confirmaria tal crença (Gn
22). Em outras palavras, as obras justificaram Abraão. Contra essa
argumentação, Paulo mostra que Abraão não poderia ter sido aceito por Deus em
virtude da circuncisão, pois ele creu em Deus, tendo sido isso imputado como
justiça, antes dele ser circuncidado e pelo menos quatro séculos antes do
advento da Lei. O que justificou Abraão não foi o que ele fez, mas o que Deus
fez por ele. Esse é o princípio do Evangelho — somos aceitos não pelo que
fizemos, mas pelo que Cristo fez por nós.
Comentário: Paulo
encerrou o capítulo 3 com a afirmação que a fé confirma e não anula a lei. Ele
continua o seu argumento, citando o exemplo do pai do povo da aliança, Abraão.
Todos os judeus respeitavam profundamente o pai de sua nação. Mostrando que
Abraão foi justificado por fé, e não por obras de lei, Paulo reforça a sua
defesa do evangelho entre os judeus. Abraão recebeu a graça de Deus pela fé
antes de ser circuncidado (veja Gênesis 12, onde recebeu as promessas, e
Gênesis 17, onde recebeu a ordenança da circuncisão 24 anos depois). A
circuncisão por si só não serve para nada diante de Deus. É necessária a
obediência, andando “nas pisadas da fé que teve Abraão...antes de ser
circuncidado” (Rm 4.12).
2. Abraão, promessa e justificação (Rm 4.9-17). Na Aliança
Abraâmica, Deus prometeu fazer dos descendentes de Abraão uma grande nação. Ele
também prometeu ao patriarca que lhe daria como herança a terra e faria do seu
servo uma bênção para todos os povos (Gn 12.1-3). Fazendo referência a essa
promessa divina, Paulo argumenta que a justificação não poderia decorrer da
obediência à lei pelo fato de que quando Deus fez a promessa a Abraão, este nem
mesmo era circuncidado (Rm 4.10-15). A própria crença judaica dizia que a fé
obediente de Abraão nas promessas de Deus lhe foi imputada como justiça (Gn
15.5,6). Para Paulo, se as bênçãos divinas prometidas a Abraão dependessem da
obediência ao código mosaico, então as promessas de Deus teriam falhado, visto
que ninguém fora capaz de cumprir ou guardar a lei.
Comentário: Os
judaizantes do passado pregavam que a justiça provinha das obras (At 15.1; Gl
2.21). apóstolo Paulo diz pela inspiração que somos salvos pela fé e não pelas
obras. (Ef 2.8-10). A salvação pela fé, e não pelas obras, isto é, pela guarda
da Lei, não é uma doutrina peculiar do Novo Testamento; é, também,
característica do Antigo Pacto. Paulo retrocede no tempo, para além de Moisés,
e toma Abraão como exemplo de fé. Abraão tinha fé em Deus, isto é, cultivava um
dedicado e leal relacionamento com seu Deus, cria nas suas promessas (Rm
4.20,21; Gn 12.1-3; 15.5,6) e vivia em obediência ao Senhor (Gn 12.1-4;
22.1-19; Hb 11.8-19; Tg 2.21,22;). A fé de Abraão foi "imputada" por
justiça. "Imputar" significa creditar na conta da pessoa. Isso significa
que a fé salvífica do cristão é tida como equivalente à justiça no tocante ao
seu efeito. A Escritura nos ensina que somos justificados pela fé (Rm 3.28,30)
ou mediante a fé (Rm 5.1; Gl 2.16; Fp 3.9), mostrando, assim, que existe uma
estreita relação entre a justificação e a fé.
3. Abraão, ressurreição e justificação (Rm 4.18-25). Na teologia
de Paulo em Romanos 4.18-25 há um paralelismo entre a fé de Abraão e a fé do
cristão — ambos creram em um Deus que torna possível as coisas impossíveis.
Paulo mostra que Deus tornou possível a concretização das promessas a Abraão,
mesmo sendo seu corpo já “amortecido” pelo fato de sua idade avançada, e dessa
forma recompensou a sua fé. A sua fé, mesmo contra as evidências externas,
garantiu-lhe a concretização das promessas (Rm 4.16-22). Da mesma forma, a fé
do cristão na morte e ressureição de Jesus, o Filho de Deus, é a garantia de
que as promessas de Deus em sua vida também serão cumpridas (Rm 4.23,25).
Comentário: “O capítulo 4 é uma apologia contra uma das
interpretações rabínicas prevalecente nos dias de Paulo. De acordo com a
exegese judaica, Abraão recebera a justiça de Deus (Gn 15.6) por meio de seus
méritos e virtudes (Josefo (1); Ec 44.20; 1 Mc 2.52). Para exaltar o patriarca,
um partido judeu afirmava que Abraão cumpriu a lei antes de o Senhor a ter
entregue a Moisés (2 Baruque 57.1,2). Alguns deles chegaram ao extremo:
afirmavam que não foi o Senhor quem escolhera Abraão, mas Abraão quem escolhera
o Senhor.(2) Segundo essa escola, Abraão era o modelo dos que são justificados
pelas boas obras, ele mereceu conforme a lógica do trabalho e recompensa.
Contra essa abordagem é que Paulo desenvolve o texto do capítulo 4”. Se no
Antigo Testamento a recepção da promessa por parte de Abraão foi possível pelo
fato condicional de sua justiça pela fé (Rm 4.13), na nova aliança a pessoa
justificada pela fé receberá a vida (Rm 1.17; Gl 3.11).
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“Paulo diz que, se Abraão, o pai dos judeus segundo a carne, tivesse
sido julgado por obras ou justiça própria, teria que gloriar-se diante de Deus.
Porém o que aprendemos é que Abraão foi como qualquer outro homem, pecador e
sem justiça nenhuma. Ele foi declarado justo por meio da fé (Rm 4.3). Os judeus
vangloriavam-se em Abraão e criam que isto lhes garantiria a justificação,
apenas por serem ‘filhos de Abraão segundo a carne’. Os versículos 4 e 5,
apresentam dois modos de justificação: por méritos e por graça.
A justificação por méritos se baseia nas obras do homem para obter a sua
salvação. A justificação por graça baseia-se sobre o princípio da fé. Deus
justifica o pecador pela fé. Ele imputa justiça ao que crê, isto é pela graça
de Deus” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição.
RJ: CPAD, 2005, p.59).
CONCLUSÃO
Chegamos ao final de uma importante lição sobre a doutrina da
justificação pela fé. Nesta lição aprendemos que Paulo recorreu a experiência
do patriarca Abraão para argumentar contra a crença judaica que associava a
aceitação das obras como garantia de justificação diante de Deus. Para Paulo
isso não poderia ser verdade já que o velho patriarca não possuía mérito algum
quando recebeu as promessas de Deus. As bênçãos recebidas por ele, assim como
as da Nova Aliança, decorrem exclusivamente da graça de Deus em resposta a fé.
Comentário: Em Romanos
ficamos sabendo que justo é, portanto, quem foi declarado livre em processo,
não por não ser efetivamente culpado, mas por ser reconhecido como tal. O
judaísmo na época de Paulo, a prática de uma ética em conformidade com a lei
era conditio sine qua non para o juízo de Deus. Isto é, o
cumprimento dos mandamentos da lei e as boas obras condicionam o surgimento da
justiça divina. Paulo entra em cena agora e diz que, se Abraão, o pai dos
judeus segundo a carne, tivesse sido julgado por obras ou justiça própria,
teria que gloriar-se diante de Deus. No entanro, Abraão foi como qualquer outro
homem, pecador e sem justiça nenhuma. Ele foi declarado justo por meio da fé
(Rm 4.3). A doutrina da justificação pela fé é o cerne da teologia paulina,
utilizada especialmente quando em confronto direto com o ensino judaico, que
defendia que o homem encontra a graça de Deus quando cumpre a vontade divina
por meio da lei. É somente pela fé na eficácia do sacrifício de Cristo na cruz
que o homem pode ser considerado justo diante de Deus. Paulo chama a atenção
aos gálatas por desprezarem este sacrifício e misturar a justificação com a
santificação, confiando nas obras de justiça (Gl 1.6,9), o que Paulo chama de
“outro evangelho”. Cuidemos para que não caimos no mesmo erro.
PARA REFLETIR
A respeito da Carta aos Romanos, responda:
Segundo a lição, por que os gentios estavam debaixo da ira de Deus?
Os gentios estavam debaixo da ira de Deus, porque falharam em
conhecê-lo.
Na pessoa de quem Deus tornou conhecido o seu grande amor para com os
pecadores?
Na pessoa de Jesus Cristo.
Existem méritos humanos quando a graça de Deus se manifesta?
A doutrina da justificação pela fé diz que não há mérito humano quando a
graça de Deus se manifesta.
A justificação pela fé torna a lei desprezível?
A resposta de Paulo é não! Porém, judeu nem tampouco gentio algum foi
capaz de cumprir a Lei.
Qual era a função da lei?
A Lei tinha a função de servir de condutora até Cristo.


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