Lição 4: Os
benefícios da Justificação
Data: 24 de Abril de 2016
TEXTO ÁUREO
“Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós,
sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).
Comentário: Tal como o
trecho de 8.1-4, 32, esta passagem ilumina o propósito especial e a eficácia
que Paulo atribui regularmente à morte de Cristo. Em outras palavras, Cristo
morreu especificamente ‘por nós’ (v 8), os quais agora cremos e estamos
justificados mediante a nossa fé, pois a sua morte realmente obteve para nós a
‘reconciliação’ que ‘recebemos, agora’ (v 11).
VERDADE PRÁTICA
A justificação pela fé em Cristo nos libertou de Adão, símbolo do velho
homem, para nos colocar em Cristo, onde fomos feitos uma nova criação.
LEITURA BÍBLICA EM
CLASSE
Romanos 5.1-12.
1 — Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso
Senhor Jesus Cristo;
2 — pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos
firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.
3 — E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações,
sabendo que a tribulação produz a paciência;
4 — e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança.
5 — E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está
derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado.
6 — Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos
ímpios.
7 — Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo
bom alguém ouse morrer.
8 — Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós,
sendo nós ainda pecadores.
9 — Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos
por ele salvos da ira.
10 — Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela
morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela
sua vida.
11 — E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso
Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.
12 — Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo
pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que
todos pecaram.
HINOS SUGERIDOS
90, 310 e 400 da Harpa Cristã.
INTERAGINDO COM O
PROFESSOR
Professor, você já parou para refletir a respeito das bênçãos
decorrentes da justificação pela fé? Pare e pense no que Cristo fez por você.
Louve ao Salvador. Adore-o pela sua graça e redenção. O Filho de Deus assumiu o
castigo que era nosso. Ele tomou sobre si a nossa condenação. Na cruz Cristo
cumpriu a nossa pena nos justificando perante o Pai e fazendo de nós novas
criaturas. Ele nos libertou da lei do pecado. Uma vez livres e justificados
pela fé temos paz com Deus (Rm 5.1) e acesso à graça (Rm 5.2). Como pecadores
jamais poderíamos pagar a nossa dívida para com o Pai. Quando pela fé recebemos
o perdão de Deus, a culpa que perturbava as nossas consciências foi substituída
pela graça e misericórdia divina.
COMENTÁRIO/INTRODUÇÃO
Nos quatro primeiros capítulos da Epístola aos Romanos, Paulo já havia
escrito a respeito das origens e das bases da nossa justificação. Faltava agora
falar dos resultados dessa justificação. Que benefícios ela nos trouxe? Quais
seriam as bênçãos a ela associada? Paz, alegria, esperança são algumas dessas
bênçãos associadas à justificação. Todavia, Paulo vai além, ele mostra que tudo
isso só foi possível porque Deus nos fez participante de uma bênção maior —
sermos parte da nova criação. Esse fato será mostrado através do contraste
feito entre Adão, símbolo da velha criação e Cristo, o segundo Adão, cabeça de
uma nova criação.
Comentário: A primeira
abordagem de Paulo sobre a justiça de Deus pela fé em Cristo se dá no capítulo
1, versos 16 à 17. Em seguida, o apóstolo passa a demonstrar que todos os
homens pecaram e foram destituídos da glória de Deus em Adão (Rm 1.16 à Rm 3.20
). Após demonstrar que diante de Deus todos os homens tornaram-se escusáveis
(judeus e gregos), o apóstolo volta a abordagem inicial: a justificação pela fé.
No capítulo 4, o apóstolo apresenta exemplos de justificação pela fé no Antigo
Testamento: Abraão e Davi, ou seja, Paulo evoca a autoridade da Escritura para
dar sustentação a sua argumentação (Rm 4.1-25). Chegamos ao capítulo cinco.
Este pode ser chamado um capítulo de transição da qual passamos da doutrina da
justificação para a da santificação. Mas antes destra transição o Apóstolo
ainda apresenta de forma singular as vantagens únicas da justificação pela Fé
em Cristo Jesus. Vamos então analisar os benefícios da justificação. Após
estudar o capítulo cinco da carta de Paulo aos Romanos, será possível
divisarmos como todos os homens tornaram-se pecadores, e como é possível ser
participante da graça de Deus. Verificaremos, ainda, qual é a condição dos que estão
em Cristo, e a condição daqueles que continuam inimigos de Deus.
I. A BÊNÇÃO DA GRAÇA
JUSTIFICADORA (Rm 5.1-5)
1. A bênção da paz com Deus. No capítulo cinco de Romanos,
Paulo mostra os benefícios da justificação pela fé logo no primeiro versículo:
“Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus
Cristo”. O uso que Paulo faz da palavra paz aqui é diferente daquele usado no
mundo antigo. No geral, o termo significava ausência de guerra. Porém, Paulo se
refere ao vocábulo paz conforme ele aparece no Antigo Testamento e cujo
significando era a salvação dos piedosos, prosperidade e bem-estar. Embora os
manuscritos mais aceitos do original grego tragam a palavra tenhamos em vez de
temos, os teólogos concordam que o argumento de Paulo aqui é a paz como efeito
imediato dessa justificação. Assim sendo essa paz deve ser desfrutada aqui e
agora. Robertson, erudito em grego bíblico, traduz essa expressão como gozemos
de paz com Deus. Portanto, uma paráfrase das palavras de Paulo ficaria da
seguinte forma: “Já que fomos justificados por meio da fé, desfrutemos, pois,
dessa paz com Deus”. Deus tem paz para todos os que foram justificados em
Cristo Jesus e deseja que desfrutemos dela.
Comentário: Não é correto
nos pautarmos nas divisões de textos como capítulos e versículos quando da
interpretação das cartas bíblicas. Ao analisar o texto, não podemos atrelar a
análise tão somente a um capítulo ou a um, dois ou três versículos. Antes, a
análise de qualquer versículo ou frase deve ser considerada dentro do contexto
geral da carta. Precisamos estar atentos, pois as divisões em versículos e
capítulos acabam por influenciar a leitura bíblica. As divisões em capítulos e
versículos devem ser considerados somente como auxilio para localização e
referenciamos certos textos. A observação anterior é válida na análise deste
capítulo. Quando o apóstolo diz: "Tendo sido, pois, justificados pela
fé..." ( Rm 5:1 ), ele termina uma argumentação e introduz uma nova ideia.
Quando o apóstolo escreve 'Tendo sido, pois, justificados pela fé...', ele dá
por encerrada a discussão sobre a superioridade dos judeus, ou que somente os
gentios eram pecadores, ou que a justiça de Deus era proveniente da lei
mosaica. Ao ser justificado pela fé em Deus, as questões abordadas
anteriormente passam à segundo plano, uma vez que não há distinção alguma entre
gentios e judeus. "Sendo, pois, justificados pela fé..." remete à
versículos anteriores ( Rm 1:16 -17 e Rm 3:21 -22), e apresenta um novo aspecto
da justificação pela fé. Os cristãos pela fé adquiriram paz com Deus, por
intermédio de Cristo Jesus. Por meio da fé os cristãos são declarados justos e
obtiveram paz com Deus. A condição alcançada em Cristo contrasta com a condição
apresentada no verso 10. O homem por causa do pecado tornou-se inimigo de Deus,
e bem sabemos que por conta própria o homem não buscou e nem busca tal
reconciliação (Rm 3.10-12). Coube a Deus, em seu infinito amor trazer e
proporcionar ao homem tamanha reconciliação, ou seja, a “Paz” que somente
obtemos por meio da Fé salvadora em Cristo Jesus.
2. A bênção de esperar em Deus. Antes de falar da bênção de esperar
em Deus, Paulo fala como se deu esse acesso: “Pelo qual também temos entrada
pela fé a esta graça, na qual estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da
glória de Deus” (Rm 5.2). A fé no Cordeiro de Deus nos abriu a porta da graça.
Observe o comentário que William Barclay faz a respeito desse texto: “O próprio
Jesus nos introduz na presença de Deus; nos abre a porta de acesso à presença
do Rei dos reis. E quando se abre essa porta o que encontramos é a graça; não
condenação, nem juízo, nem vergonha; senão o intocado e imerecido amor de
Deus”. A porta se abriu para a esperança. No contexto de Romanos, esperança
significa enfrentar o tempo presente, com todos os seus desafios, porque se tem
certeza quanto ao futuro. O futuro não é algo mais desconhecido, porque a fé em
Jesus nos tornou participantes do seu reino.
Comentário: Desde já, vale
observar que, ao falar da salvação em Cristo, Paulo apresenta a condição dos
cristãos (paz com Deus), para depois apresentar como alcançaram tal condição
(pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça). Ou seja, durante a
análise da carta aos Romanos, demonstraremos que, geralmente, o ponto de
partida para o apóstolo apresentar o plano da salvação é o da condição alcançada
(paz com Deus), e em seguida, ele retroage até demonstrar qual era a condição
anterior (inimizade). Por intermédio de Jesus os cristãos têm entrada a esta
graça, ou seja, alcança a graça da justificação e amizade com Deus pela fé.
Este versículo demonstra que por Cristo e pela fé os cristãos recebem a graça
de Deus, e o verso anterior fixa-se em demonstrar a graça alcançada:
justificação e amizade com Deus. Paulo reitera que ele e todos quantos estão em
Cristo (...também temos...), estão firme na graça proveniente do evangelho
(...na qual estamos firmes...). Enquanto muitos se gloriam das questões
relativo à carne ( 2Co 11:18 ), os cristãos gloriam-se na esperança proposta
por meio do evangelho. Embora o apóstolo não volte a falar que não há
diferenças entre gentil e judeu explicitamente, ele acaba por falar de modo
velado destas distinções promovidas pelos homens, e não por Deus. Gloriar-se na
esperança da glória de Deus é uma das maneiras de trazer à lembrança dos
cristãos àqueles que se vangloriam da carne. Enquanto os da fé gloriam-se na
esperança proposta e nas tribulações, os segundo à carne gloriam-se em questões
meramente humanas "Pois que muitos se gloriam segundo a carne, eu também
me gloriarei" ( 2Co 11:18 ); "Se convém gloriar-me, gloriar-me-ei no
que diz respeito à minha fraqueza" ( 2Co 11:30 ). Enquanto os da carne
buscavam elementos para gloriarem-se na carne dos irmãos em Cristo "Porque
nem ainda esses mesmos que se circuncidam guardam a lei, mas querem que vos
circuncideis, para se gloriarem na vossa carne" ( Gl 6:13 ), Paulo
demonstra que o cristão deve gloriar-se tão somente na cruz de Cristo,
esperança da glória "Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz
de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu
para o mundo" ( Gl 6:14 ).
3. A bênção de sofrer por Jesus. Na lista dos benefícios ou
bênçãos vindos da cruz encontramos uma que, no contexto atual, escandaliza
muita gente. Paulo tem no sofrimento uma motivação para se gloriar! “E não
somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação
produz a paciência, e a paciência a experiência; e a experiência, a esperança”
(Rm 5.3,4). A palavra grega thlipsis, traduzida em português como tribulação,
significa pressões, dificuldades e sofrimentos. Que tipo de fé era essa que se
alegrava no sofrimento? Era a fé pura, sem os resquícios da Teologia da
Prosperidade, sem os paliativos espirituais criados para entreter os cristãos
modernos.
Comentário: “E não somente
isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz
a paciência” (v. 3); Enquanto os da fé gloriam-se na esperança proposta e nas
tribulações, os segundo à carne gloriam-se em questões meramente humanas
"Pois que muitos se gloriam segundo a carne, eu também me gloriarei"
( 2Co 11:18 ); "Se convém gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à
minha fraqueza" ( 2Co 11:30 ). Enquanto os da carne buscavam elementos
para gloriarem-se na carne dos irmãos em Cristo "Porque nem ainda esses
mesmos que se circuncidam guardam a lei, mas querem que vos circuncideis, para
se gloriarem na vossa carne" ( Gl 6:13 ), Paulo demonstra que o cristão
deve gloriar-se tão somente na cruz de Cristo, esperança da glória "Mas
longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo,
pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" ( Gl 6:14
). A fé é a 'entrada' à graça de Deus, que pela esperança proposta concede
forças para suportar as tribulações ( Hb 12:2 ). Quando o apóstolo diz que 'a
esperança não traz confusão', ele aponta para o Espírito Santo, que foi
concedido através do amor de Deus. Ao escrever este verso Paulo tinha em mente
a declaração feita aos cristãos de Éfeso: "Em quem também vós estais,
depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e,
tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O
qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para
louvor da sua glória" ( Ef 1:13 -14). O penhor geralmente é equivalente ao
valor da dívida, e Paulo demonstra que os cristãos já haviam recebido o que é
infinitamente superior à herança: o Espírito Santo de Deus. Esta relação entre
tribulação, paciência, experiência e esperança também foi abordado por Pedro e
Tiago, porém, cada um à sua maneira (Tg 1.2 -4; 1Pe 1.6 -7). http://www.estudobiblico.org/pt/detalhe/ver/romanos-capitulo-5-196
SUBSÍDIO DIDÁTICO
Inicie o tópico fazendo a seguinte indagação: “Quais são as bênçãos
decorrentes da justificação?”. Incentive a participação de todos e ouça os
alunos com atenção. Em seguida copie no quadro o esquema abaixo. Utilize-o para
mostrar aos alunos algumas das bênçãos decorrentes da justificação. Leia e
discuta as referências bíblicas com os alunos.
II. AS BÊNÇÃOS DO
AMOR TRINITÁRIO (Rm 5.5-11)
1. O amor que o Pai outorga. A visão que Paulo possui a respeito
do Senhor é muito diferente da do judaísmo dos seus dias. O Deus que Paulo está
revelando em suas epístolas é amor. Por isso, muito diferente daquele que os
judeus conheciam. A expressão amor de Deus, que aparece em Romanos 5.5, no
original está no caso genitivo, indicando origem ou posse. Deus é a origem e a
fonte do amor. Embora o antigo Israel houvesse quebrado a aliança, sendo digno
de punição, Deus em seu amor infinito o procura para uma reconciliação. Esse é
o amor que perdoa. O Deus da teologia paulina ama suas criaturas e como prova
maior desse amor enviou seu Filho para morrer por elas (Jo 3.16). A
justificação pela fé nos dá uma nova percepção da pessoa de Deus e seus
atributos, e essa percepção mostra que Ele é amor.
Comentário: Amor, ágape;
Strong 26: Uma palavra à qual a cristandade deu um novo significado. Fora do
Novo Testamento, ela raramente ocorre nos manuscritos gregos existentes no
período. Agape denota uma benevolência invicta e boa vontade inconquistável que
sempre procuram o bem maior da outra pessoa, independentemente do que ela faz.
É o amor autoconcedido que dá livremente sem pedir nada em troca e sem
considerar o valor de seu objeto. Agape é mais um amor por escolha do que philos,
que é amor por acaso; e refere-se à vontade, ao invés da emoção. Agape descreve
o amor incondicional que Deus tem pelo mundo. "Deus é amor" (1Jo
4.8,16): "Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse
amor". Paulo diz: "... Deus derramou seu amor em nossos corações, por
meio do Espírito Santo que ele nos concedeu" (Rm 5.5). O amor de Deus é um
exercício de sua bondade para com os pecadores, individualmente, por meio do
qual, tendo se identificado com o bem-estar dessas pessoas, entregou seu Filho
para ser o Salvador delas, e agora as leva a conhecê-lo e a desfrutá-lo em uma
relação de aliança, assim, a natureza desse amor derramado é visto na cruz. Ali
Deus agiu ‘no tempo certo’, tanto no sentido que a morte de Cristo teve lugar
de acordo com o tempo de Deus (Jo 17.1; At 2.23; Gl 4.4), como também porque
essa benção nos veio no momento de nossa mais profunda necessidade. Esse é o
ponto tocado por Paulo quando ele diz: ‘quando nós ainda éramos fracos’ (v 6),
‘sendo nós ainda pecadores’ (v 8) e ‘quando inimigos’ (v 10).
2. O amor que o Espírito distribui. Deus é a fonte do
amor e o Espírito Santo é quem o instrumentaliza na vida do crente. Paulo diz
que o amor de Deus está “[...] derramado em nosso coração pelo Espírito Santo
que nos foi dado” (Rm 5.5b). O apóstolo tem em mente a profecia de Joel 2.28 e
o evento de Pentecostes em Atos dos Apóstolos 2.4, onde há a infusão do
Espírito Santo sobre os crentes. Há alguns fatos interessantes com o tempo
verbal grego (tempo perfeito) da palavra ekchéo, traduzida aqui como derramar.
Esse verbo enfatiza uma ação passada, mas que continua com os efeitos no
presente. É como se ele dissesse, “o amor de Deus foi derramado em nossos
corações no passado quando cremos no Senhor, mas seus efeitos continuam vivos
no presente”. Temos, pois, razão para amarmos porque o Espírito Santo faz-nos
viver esse amor.
Comentário: Quando o
apóstolo diz que 'a esperança não traz confusão', ele aponta para o Espírito
Santo, que foi concedido através do amor de Deus. Ao escrever este verso Paulo
tinha em mente a declaração feita aos cristãos de Éfeso: "Em quem também
vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa
salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da
promessa. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão
adquirida, para louvor da sua glória" (Ef 1.13-14). O penhor geralmente é
equivalente ao valor da dívida, e Paulo demonstra que os cristãos já haviam
recebido o que é infinitamente superior à herança: o Espírito Santo de Deus.
3. O amor que o Filho realiza. O amor é originário do Pai,
operacionalizado pelo Espírito e realizado pelo Filho. Cristo é a manifestação
suprema do amor de Deus (Rm 5.6-8). Se quisermos conhecer o amor de Deus, basta
olharmos para Cristo, o bendito Filho de Deus.
Comentário: O amor é medido
pelo que oferece; Deus deu seu único Filho para morrer pelos pecadores, e assim
tornar-se o único mediador que nos pode levar a Deus; amor grande (ver Ef 2.4;
3.19). Jesus é a suprema revelação de Deus ao homem. O amorável Salvador era
Deus manifestado na carne quando veio do Céu para revelar o Pai (Hb 1.2).
Cristo, Deus Filho, estava com Deus Pai no princípio e criou todas as coisas.
Cristo é divino no mais pleno e absoluto sentido da palavra. Ele é também
humano no mesmo sentido, exceto porque não conheceu o pecado. O apóstolo Paulo
chega ao seguinte ponto em Efésios 5.1-3: “Portanto, sejam imitadores de Deus,
como filhos amados, e vivam em amor, como também Cristo nos amou e se entregou
por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus. Entre vocês não
deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual como também de nenhuma
espécie de impureza e de cobiça; pois essas coisas não são próprias para os
santos.”
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“O amor divino derramado em nós (5.5b)
Temos a força que energiza a nossa esperança que é ‘o amor de Deus
derramado em nossos corações pelo Espírito Santo’. Esse amor só é derramado
sobre um coração justificado. O interessante desse versículo é o destaque ao
amor que Deus tem por nós, e não o amor que temos para com Ele. Descobrimos
também neste versículo a participação das três Pessoas da Trindade na nossa
justificação. Clifton J. Allen, em seu Comentário aos Romanos, escreve sobre
isto: ‘As três Pessoas da Trindade têm sua parte na nossa salvação. Deus nos
justifica por causa da nossa fé. Sua justiça se torna possível por causa da
redenção dada por Cristo. O Espírito Santo nos torna cônscios da nossa
necessidade, faz com que exerçamos a fé, e faz transbordar os nossos corações
com o amor de Deus. O amor de Deus satisfaz a terna afeição do coração ou
corresponde ao desejo do coração’. Portanto, recebemos o amor de Deus em nossos
corações e somos transbordados de alegria, graça, poder e vida nova” (CABRAL,
Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005,
pp.64,65).
III. AS BÊNÇÃOS DA
NOVA CRIAÇÃO (Rm 5.12-21)
1. O homem em Adão. Os efeitos e as bênçãos da justificação são
agora ilustrados por Paulo com as figuras de Adão e Cristo. Primeiramente Paulo
fala do “homem em Adão”, em Romanos 5.12-14. Existem várias interpretações a
respeito deste texto bíblico, mas a ideia mais aceita pelos intérpretes é que
Adão, como cabeça da raça humana, representava toda a humanidade. Nesse
aspecto, todos pecaram, pois, todos descenderam de Adão. Para Paulo, o “homem
em Adão”, símbolo da velha criação, está condenado; em desobediência; dominado
pelo pecado e vencido pela morte. O homem em Adão é, portanto, um projeto
falido. Não há nenhuma esperança para ele.
Comentário: É interessante notar
que a palavra ‘portanto’ usada no começo do versículo 12, indica que aquilo que
se segue está ligado, na mente de Paulo, com o que precedeu, pelo que a
comparação e o contraste que ele traça entre Adão e Cristo é sua elaboração
teológica do que já havia sido dito. Paulo salienta a idéia de ‘um só homem’
por toda essa passagem, e isso indica que ele encarava tanto Adão como Cristo
como indivíduos históricos. No caso de Adão, ele enfoca a atenção sobre a sua
‘ofensa’, mediante a qual todos os homens se ‘tornaram pecadores’ (v 19). Eles
mostraram-se solidários com Adão, que foi o representante deles diante de Deus,
e isso os constitui pecadores, quando Adão pecou. Essa comparação que Paulo faz
só será concluída nos versículos 18-21. Paulo não explica como toda a
humanidade se viu envolvida com Adão em seu pecado, simplesmente assevera o
fato. Pecado é descrito na Bíblia como transgressão da lei de Deus (1Jo 3.4) e
rebelião contra Deus (Dt 9.7; Js 1.18). Quando Adão caiu (pecado original),
isso resultou em seus descendentes sendo “contaminados” pelo pecado. Davi
lamentou esse fato em um de seus Salmos: “Eis que em iniqüidade fui formado, e
em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51.5). Note a progressão em Romanos 5.12:
O pecado entrou no mundo através de Adão, morte segue o pecado, morte vem a
todas as pessoas, todas as pessoas pecam porque herdaram pecado de Adão. Porque
“...todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23), precisamos
de um sacrifício perfeito e sem pecado para purificar nosso pecado – isso é
algo que somos incapazes de fazer sozinhos.
2. O homem em Cristo. O contraste entre Adão e Cristo
é feito com cores vivas pelo apóstolo em Romanos 5.15-17. O “homem em Cristo”,
símbolo da nova criação de Deus, é justificado, obediente, dominado pela graça
e dominado pela vida com Deus. O primeiro Adão é alma vivente, o segundo Adão é
Espírito vivificante; o primeiro Adão é da terra, o segundo Adão é do céu; o
primeiro Adão é pecador, o segundo Adão é justo; o primeiro Adão é morte, o
segundo Adão é vida. É exatamente isso que o apóstolo ensina em outro lugar aos
cristãos de Éfeso. Em Cristo, somos abençoados com toda sorte de bênçãos
espirituais; escolhidos nEle antes da fundação do mundo para sermos santos;
fomos feitos filhos de Deus; temos a redenção dos nossos pecados pelo seu
sangue e fomos selados com o Espírito Santo (Ef 1.1-13).
Comentário: A Bíblia
apresenta Adão como o primeiro homem, e dá ao Senhor Jesus Cristo, o curioso
título de “o último Adão” (1Co 15.45). O que significa esse termo e por que é
que o deu? Quais são as semelhanças entre Adão e Jesus que levam a Jesus ter
este título? Quais são as diferenças? Enquanto Adão foi feito à imagem de Deus,
Cristo é “a imagem do Deus invisível” (Cl 1.15). A Bíblia nos diz que o último
Adão, Jesus Cristo, foi o único meio por quem Deus criou todas as coisas (Jo
1.1–3, Cl 1.15–20, Hb 1.2). Assim, Jesus era pré-existente com Deus Pai e Deus
o Espírito Santo antes de Adão viver (Jo 8.58; Mq 5.2). No entanto, na Sua
humanidade, Ele também teve um começo miraculoso quando foi encarnado como um
ser humano sendo concebido pelo Espírito Santo e nascido da virgem Maria (Mt
1.20–23, Lc 1.26–35). Adão foi criado um homem perfeito, em plena posse de
todas as faculdades humanas, e com a consciência de Deus, que lhe permitiu ter
comunhão espiritual com Deus. Inicialmente, inocente, imaculado e santo, ele
estava num relacionamento correto com Deus, com a mulher, com si mesmo e com
mundo natural ao seu redor. O último Adão, Jesus, também era perfeitamente homem,
um com Deus (Jo 10.30; 17.21–22), inocente, imaculado e santo (Hb 7.26). O
Evangelho de Jesus Cristo é o único farol de esperança para a humanidade
perdida. A sua integridade está fundamentada na verdade histórica de ambos, do
primeiro e do segundo Adão. Ao contrário do primeiro Adão, o Senhor Jesus foi,
para além disso, divino, possuindo os atributos, ofícios, prerrogativas, e os
nomes de divindade. Sendo totalmente Deus, Ele é digno de adoração (Ap
5.11–14). Adão foi o cabeça da raça humana. Jesus Cristo é o cabeça da
humanidade redimida (ver, por exemplo, Efésios 5.23). Uma vez que Cristo morreu
uma vez por todas (Hb 7.27, 9.28, 10.10–14), nunca haverá a necessidade de
qualquer outro, portanto, ele é o último Adão. O primeiro Adão deu vida a todos
os seus descendentes. O último Adão, Jesus Cristo, comunica ‘vida’ e ‘luz’ para
todos os homens, e dá a vida eterna àqueles que O recebem e creem no seu nome,
dando-lhes “o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1.1–14). A Adão, o que
representa a humanidade, foi-lhe dado domínio sobre o mundo criado (Gn 1.26).
Depois de ser ressuscitado dentre os mortos, Jesus Cristo foi elevado à mão
direita de Deus, e dado o domínio sobre todas as coisas, que foram (1Co 15.27,
Ef 1.20–22) “colocadas sob os seus pés”. O primeiro Adão era senhor de um
domínio limitado, o último Adão é o Senhor de todos (At 10.36). Um sono
profundo produz uma linda noiva. Gn 2.21–23 diz-nos que Deus colocou Adão num
sono profundo, durante o qual Deus fez a noiva de Adão, Eva, a partir do lado
de Adão, uma ferida no lado de Adão produziu uma noiva! O último Adão, Jesus,
morreu na cruz, sofrendo o sono da morte por todos. O Seu lado foi perfurado
por uma lança (Jo 19.34). Na sua morte, ele pagou a punição pelos pecados da
humanidade (1Co 15.1–4). Aqueles que se arrependem e colocam sua fé Nele estão
unidos com Cristo num relacionamento que a Bíblia compara ao de uma noiva com
seu marido (2Co 11.02, Ef 5.27, Ap 19.6–8). Assim, uma ferida no lado do último
Adão também produziu uma noiva—a verdadeira Igreja—“a noiva gloriosa, sem
mácula, nem ruga, nem coisa semelhante … santa e irrepreensível” (Ef 5.27). No
início da vida de Adão, ele passou por um período de teste para saber se iria
ou não obedecer Deus. “E o Senhor Deus ordenou ao homem, dizendo: Podes
certamente comer de toda árvore do jardim, mas da árvore da do conhecimento do
bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres certamente
morrerás.” (Gn 2.16–17). No início do ministério, o último Adão, Jesus foi
conduzido pelo Espírito Santo ao deserto, para ser tentado pelo diabo (Mt 4.1,
Lc 4.1–3). O primeiro Adão falhou no teste, e ao fazê-lo envolveu toda a
humanidade na sua derrota, arrastando a raça humana com ele na sua queda. Como
resultado, em Adão, todos estamos condenados, espiritualmente falidos, escravos
do pecado e expulsos do Paraíso (Rm 5.12 ss.). O último Adão, Jesus, foi
vitorioso sobre o pecado, a carne e o diabo. Como resultado, em Cristo, os
crentes estão justificados e redimidos, espiritualmente ricos, libertos do pecado,
e novamente incluídos no Paraíso de Deus (Rm 5.18 ss;. 1Co 15.21 ss; Ap 2.7). O
primeiro Adão desobedeceu a Deus. O primeiro Adão desobedeceu a Deus. O último
Adão foi “obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.8). O primeiro Adão
experimentou o juízo de Deus, no final ele morreu e seu corpo tornou-se outra
vez pó. Por causa do seu pecado, a morte veio para todos os homens: “Porque
todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Rm 3.23). O último Adão,
Jesus Cristo, também morreu, na cruz, para expiar o pecado (Is 53.5, 1Pe 3.18,
Hb 2.9). Mas Ele não ficou morto, nem o seu corpo “viu a corrupção” (At 2.27;
13.35–37). Ao terceiro dia, Ele ressuscitou, vencendo, assim, o diabo e o poder
da morte, ganhando isso, para todos aqueles que creem nEle (Hb 2.14), trazendo
a ressurreição dos mortos (1Co 15.22–23). Extraído dehttp://creation.com/first-adam-last-adam-portuguese
CONCLUSÃO
O capítulo cinco de Romanos mostra de que forma Deus amou os homens. Ele
os encontra pecadores, ímpios, e indiferentes ao seu propósito. Mas, mesmo
assim os ama. Numa demonstração inimaginável de amor, Ele os justifica pela fé
na pessoa bendita de Jesus Cristo e os abençoa com todas as bênçãos
espirituais. No capítulo 5 de Romanos o amor de Deus parece romper todos os
limites. Não é pelo que fazemos, mas pelo que Cristo fez por nós! Como disse
certo autor: “Não há nada que eu possa fazer para Deus me amar mais e não há
nada que eu possa fazer para Ele me amar menos”.
Comentário: “O grande amor
de Deus para com a humanidade é demonstrado pelo fato de o Filho de Deus não
ter vindo à terra como um anjo, e, sim, como homem, o homem Cristo Jesus, tendo
a natureza humana como a nossa”. Estamos todos ligados ao primeiro Adão (o
cabeça natural e legal da raça humana) como pecadores e culpados, e por isso
sobre nós recai a sentença de morte que Deus pronunciou sobre ele. No entanto,
todos os que estão ligados com o último Adão, Jesus, através do arrependimento
e fé na Sua obra redentora, estão perdoados, e “receberam o dom gratuito da
justiça”, e assim “já passamos da morte para a vida” (Cl 1.14, Rm 5.17, 1Jo
3.14)
PARA REFLETIR
A respeito da Carta aos Romanos, responda:
1) Qual era o
significado da palavra paz no Antigo Testamento?
O uso que Paulo faz da palavra paz é diferente daquele usado no mundo
antigo. No geral, o termo significava ausência de guerra. Porém, Paulo se
refere ao vocábulo paz conforme ele aparece no Antigo Testamento e cujo significado
era a salvação dos piedosos, prosperidade e bem-estar.
2) Qual o primeiro
benefício da justificação?
A paz com Deus.
3) Qual o
significado da palavra esperança no contexto de romanos?
No contexto de Romanos, esperança significa enfrentar o tempo presente,
com todos os seus desafios, porque se tem certeza quanto ao futuro.
4) Quem é a origem,
fonte do amor?
Deus é a origem e a fonte do amor.
5) Faça um
contraste entre Adão e Cristo.
O primeiro Adão é alma vivente, o segundo Adão é Espírito vivificante; o
primeiro Adão é da terra, o segundo Adão é do céu; o primeiro Adão é pecador, o
segundo Adão é justo; o primeiro Adão é morte, o segundo Adão é vida.
"Deus abençoe abundantemente a sua vida e que você possa crescer no conhecimento fortalecendo na fé."
Pastor Lucimar Fernandes


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