Lição
1: A Epístola aos Romanos
Data: 03 de Abril de 2016
TEXTO ÁUREO
“Porque não me envergonho do
evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que
crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16).
VERDADE PRÁTICA
A Epístola aos Romanos mostra que sem
a graça divina todos os nossos esforços são inúteis para a nossa salvação e
comunhão com Deus.
LEITURA DIÁRIA
Segunda — Rm 1.1 - Paulo, chamado e separado pelo Senhor para ser
apóstolo
Terça — Rm 1.13 - Paulo já havia tentado ir até Roma, porém, foi
impedido
Quarta — Rm 1.10 - Paulo rogava a Deus para estar com os irmãos em
Roma
Quinta — Rm 1.11 - Paulo desejava comunicar algum dom espiritual aos
irmãos em Roma
Sexta — Rm 1.14 - Paulo dedicou toda a sua vida a divulgar as Boas
Novas
Sábado — Rm 1.17 - Paulo pregou que o justo deve viver pela fé
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Romanos 1.1-17.
1 — Paulo,
servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de
Deus,
2 — o
qual antes havia prometido pelos seus profetas nas Santas Escrituras,
3 — acerca
de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne,
4 — declarado
Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição
dos mortos, — Jesus Cristo, nosso Senhor,
5 — pelo
qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as
gentes pelo seu nome,
6 — entre
as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo.
7 — A
todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de
Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
8 — Primeiramente,
dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o
mundo é anunciada a vossa fé.
9 — Porque
Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, me é testemunha
de como incessantemente faço menção de vós,
10 — pedindo sempre em minhas orações que,
nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de ir ter
convosco.
11 — Porque desejo ver-vos, para vos comunicar
algum dom espiritual, a fim de que sejais confortados,
12 — isto é, para que juntamente convosco eu
seja consolado pela fé mútua, tanto vossa como minha.
13 — Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que
muitas vezes propus ir ter convosco (mas até agora tenho sido impedido) para
também ter entre vós algum fruto, como também entre os demais gentios.
14 — Eu sou devedor tanto a gregos como a
bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes.
15 — E assim, quanto está em mim, estou pronto
para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma.
16 — Porque não me envergonho do evangelho de
Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro
do judeu e também do grego.
17 — Porque nele se descobre a justiça de Deus
de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.
HINOS SUGERIDOS
75,
432 e 440 da Harpa Cristã.
OBJETIVO GERAL
Apresentar uma visão panorâmica da
carta de Paulo aos Romanos, ressaltando a terrível situação espiritual na qual
se encontra a humanidade depois da Queda.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos
referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o
objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.
·
I. Conhecer o autor, o local, data e destinatários da
Epístola aos Romanos;
·
II. Mostrar a forma literária, conteúdo e propósito da
Epístola aos Romanos;
·
III. Explicar o valor espiritual da Epístola aos Romanos.
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Prezado professor, neste trimestre
teremos a oportunidade ímpar de estudarmos a respeito da Epístola aos Romanos.
Nesta carta o apóstolo Paulo expõe, de maneira profunda, a doutrina da
justificação pela fé, mediante a graça divina. Paulo mostra que a graça de Deus
e a salvação são para todos, judeus e gentios.
O comentarista do trimestre é o
pastor José Gonçalves — escritor, conferencista, bacharel em Teologia, graduado
em Filosofia; membro da Diretoria da Convenção Estadual da Assembleia de Deus
do Piauí (CEADEP) e do Conselho de Apologética da Convenção Geral das
Assembleias de Deus no Brasil (CGADB). Que o Deus de amor e de graça o abençoe
e que você e seus alunos possam crescer na graça e no conhecimento de nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Neste trimestre teremos o privilégio
de estudar a Epístola de Paulo aos Romanos. Podemos afirmar que jamais seremos
os mesmos depois de uma leitura cuidadosa e um estudo sistemático dessa
Epístola. Romanos mostra que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação dos
judeus e gentios. Revela também que o homem, perdido nas trevas do pecado, é reconciliado
com Deus mediante a sua graça. Essa graça é o que nos justifica e nos qualifica
a ter comunhão com Ele. Na Epístola aos Romanos aprendemos que a natureza
adâmica, que domina o velho homem, é destronada pela fé em Cristo, e que é
possível vivermos em novidade de vida através do poder do Espírito Santo que
opera em nós. Veremos que esta Carta é um chamado à liberdade cristã.
Comentário: A proposta deste trimestre é ousada enquanto
navega por águas profundas da teologia paulina aplicada à doutrina da
justificação pela fé. Agostinho, Lutero e Wesley, três figuras extremamente
importantes para a nossa herança cristã, viveram a firmeza da fé através do
impacto da carta aos Romanos em suas vidas. Ao estudar esta obra de Paulo e os
respectivos comentários de Santo Agostinho, Lutero chega às questões de
justificação, graça e fé, centrais na reforma protestante. Curiosamente, para
Lutero, a Carta aos Romanos era uma espécie de porta para a compreensão de toda
a Escritura. "O primeiro mérito de Lutero é ter destacado, ainda que por
vias tortuosas, o evangelho de Paulo, o mais antigo escritor do Novo Testamento
e o primeiro intérprete da mensagem cristã. Para ele, a carta abre à
inteligência de toda a Bíblia, que deve ser entendida toda de Cristo". Paulo
explica aos Romanos como a salvação é aplicada por meio do Evangelho de Jesus
Cristo. Esta é a primeira e a mais longa das Epístolas Paulinas, e é
considerada a epístola com o "mais importante legado teológico". As
cartas apostólicas, como um todo, constituem-se num importantíssimo segmento do
ensinamento neotestamentário, porque são um vasto celeiro de ensinamentos
teológicos, doutrinários e morais. Dentre as cartas de Paulo, certamente, a
Carta aos Romanos ocupa lugar de destaque. Alguém já a chamou de “evangelho
dentro do evangelho”, dado à forma linear, sistemática, profunda e completa
pela qual seu autor expõe sua compreensão do plano da salvação. Assim
expressou-se Lutero acerca desta epístola: “Esta carta é verdadeiramente a mais
importante peça do Novo Testamento. É o evangelho mais puro.” Juntamente com o
texto áureo, o versículo 17<<“Porque nele se descobre a justiça de Deus
de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé”>> enfatiza
que a justiça de Deus é a maneira de Deus justificar os pecadores, isto é,
justificá-los perante Ele mesmo sem comprometer seu caráter moral absolutamente
puro. Como está escrito: Habacuque 2.4 indica que a salvação somente pela fé
também era claramente ensinada no Antigo Testamento – Note os exemplos de
Abraão e Davi em Rm 4.1-8; Veja também Hb 11. As pessoas não eram salvas pelas
obras ou obediência à Lei do Antigo Testamento mais do que do Novo Testamento,
as pessoas colocavam fé em um Messias que ainda chegaria (Veja Jo 8.56 e Hb
11.13)
PONTO CENTRAL
A Epístola aos
Romanos é um chamado à liberdade cristã.
I. AUTOR, LOCAL, DATA E DESTINATÁRIOS
1. O autor. Há um consenso entre teólogos e biblistas de
que a Epístola aos Romanos é de autoria de Paulo (Rm 1.1). O argumento que nega
a originalidade desse registro não tem credibilidade entre os estudiosos do
Novo Testamento. Paulo escreveu essa carta com o auxílio de Tércio, o seu
amanuense, escrevente, (Rm 16.22). O costume da época permitia que o amanuense
tivesse certa liberdade na redação do documento, agindo como uma espécie de
taquígrafo. Com base nesse fato, alguns críticos têm argumentado a respeito da
autenticidade de certas passagens da Carta aos Romanos, atribuindo-os a uma
autoria não paulina. Todavia o teor de Romanos não deixa dúvidas de que todo o
seu conteúdo reflete o estilo de Paulo escrever.
Comentário: A autoria de Paulo da carta aos Romanos é
universalmente aceita, não existindo contestação relevante, seja do ponto de
vista documental, seja da alta crítica. Não somente ela vem declarada na sua
costumeira saudação (confira 1.1) como vem amparada por fatos históricos, tais
como sua pretensão de ir a Roma (1.15, 15.24) em caminho para a Espanha, ou a
referência à coleta feita em favor da igrejas empobrecidas de Jerusalém
(15.26-33), como ainda por referências próprias características, tais como a de
ser apóstolo entre os gentios (confira 15.16; Ef 3.7,8; Cl 1.27; Gl 1.16).
Acresce-se, ainda a esses elementos, referências a pessoas de conhecimento
comum, tais como Febe, Priscila e Áquila e Timóteo, que se tornam elo
importante entre o escritor e os destinatários.
2. Local e data. Paulo escreveu aos romanos provalvelmente
entre os anos 56 e 57 d.C, quando se encontrava na próspera cidade de Corinto,
capital da província romana de Acaia, no território da Grécia. Paulo permaneceu
pelo menos três meses na Grécia por ocasião da sua última visita a Jerusalém
(At 20.3). O livro de Atos nos mostra que foi em Corinto, cidade grega, que
Paulo montou seu centro de atividades missionárias. Em Corinto, Paulo ficou
hospedado na casa do seu fiel amigo Gaio.
Comentário: Estima-se que este texto tenha sido escrito
no inverno de 57-58 d.C., estando Paulo em Corinto, na casa de seu amigo Gaio,
ao final de sua terceira viagem missionária aos territórios que margeiam o Mar
Egeu e às vésperas de partir para Jerusalém, levando a oferta para os crentes
pobres (15.22-27). O portador é uma senhora chamada Febe, de Cencréia, subúrbio
de Corinto, que estava de saída para Roma (16.1-2). Como não havia serviço
postal particular no Império Romano da época, as cartas eram enviadas por
viajantes de confiança. Tércio era o secretário ou amanuense que escrevia
enquanto Paulo ditava (Veja Gl 6.11). Paulo usava regularmente um amanuense,
identificando as epístolas como suas mediante uma breve saudação escrita de
próprio punho (1Co 16.21; Gl 6.11; Cl 4.18; 2Ts 3.17)
3. Destinatários. Alguns intérpretes ao escreverem a respeito
da Epístola aos Romanos a classificam como sendo de natureza atemporal. Eles
não estão errados, visto que ela foi inspirada pelo Espírito Santo e como tal
transcende as barreiras do tempo. Romanos 1.7 nos mostra, de modo bem claro, o
destinatário da epístola: “A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados
santos: Graça e paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo”. Quem seria,
pois, esses “todos que estais em Roma?”. Há uma disputa sobre os reais
destinatários desta carta. Alguns argumentam que Paulo escreveu para os judeus
radicados em Roma, enquanto outros defendem os cristãos gentílicos como sendo
esses destinatários. Porém, Paulo escreveu à igreja de Roma. Uma igreja formada
tanto por judeus como por gentios.
Comentário: Roma era a capital do mundo. É raro uma
grande potência expressar compaixão por suas vítimas, mas quando Jerusalém caiu
nas mãos dos romanos, em 70 d.C., foram cunhadas moedas muito comoventes. Uma
destas trazia, de um lado, um soldado romano com a inscrição Judea Capta (a
Judéia foi conquistada) e, do outro, uma mulher judia chorando sob uma árvore.
Não sabemos quem fundou a igreja de Roma. Certamente não foi Pedro, ou qualquer
dos outros apóstolos, já que Paulo dificilmente enviaria uma carta doutrinária
a uma igreja que tivesse à sua frente um dos apóstolos. Nesta mesma Epístola
ele diz que “não edifica sobre fundamento alheio” (Rm 15.20). Entende-se que
foram visitantes de Roma que estiveram em Jerusalém durante a festa da Páscoa e
se converteram no Pentecoste, voltaram a Roma levando a semente do Evangelho.
Essa Igreja era predominantemente gentílica, e estava agindo de forma
intolerante contra os cristãos judeus que obedeciam as regras alimentares e
datas cerimoniais da tradição judaica. O núcleo dessa igreja formara-se,
provavelmente, dos romanos que haviam estado em Jerusalém no dia de Pentecostes
(At 2.10). Nesse período de 28 anos a igreja cresceu, com cristãos provindos de
vários lugares, sendo alguns deles amigos e discípulos de Paulo. A carta serve,
portanto, como uma carta de apresentação, na qual o Apóstolo expõe, de forma
sistemática sua compreensão do evangelho de Cristo, do qual se chamava
apóstolo. Ele não chegará a Roma senão três anos depois de sua famosa carta. Há
boas razões para crer que esta carta tenha sido enviada a outras igrejas, além
de Roma. Uma delas está na forma como termina o capítulo 15, fazendo crer que
havia uma versão onde não constava o capítulo 16, pelo fato de este referir-se
a pessoas conhecidas e tratar de assuntos bem particulares.
SÍNTESE DO TÓPICO (I)
Paulo é o autor da Epístola aos
Romanos. Ele escreveu esta carta entre os anos de 56 e 57 d.C., tendo como
destinatário a igreja em Roma.
SUBSÍDIO DIDÁTICO
Professor, explique aos alunos que
“quando Paulo escreveu a carta à Igreja de Cristo em Roma, ainda não havia
estado nesta cidade, mas já havia anunciado o evangelho ‘desde Jerusalém e
arredores até ao Ilírico’ (Rm 15.19). O apóstolo planejou visitar e pregar em
Roma; esperava continuar a levar o evangelho ao ocidente, à Espanha” (Bíblia
de Estudo Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, p.1550).
II. FORMA LITERÁRIA, CONTEÚDO E PROPÓSITO
1. Forma literária. A Epístola de Paulo aos Romanos segue o
modelo de outros documentos do primeiro século da era cristã. O esboço obedece
à ordem desse tipo de documento, tendo sempre uma saudação e uma oração (Rm
1.1,7,8,16). Uma forma literária bastante comum nos dias de Paulo era a escrita
em forma de diálogo. Platão, filósofo grego, por exemplo, escreveu dezenas
deles. Todavia, como bem observou o especialista em Novo Testamento, Brodus D.
Hale, essa forma literária dificilmente se ajusta ao modelo paulino. O que
podemos observar na leitura de Romanos é o uso de diatribes por parte do
apóstolo. Nesse modelo literário, que era um recurso muito usado pelos
filósofos estoicos e cínicos, o autor valia-se de uma exposição crítica a
respeito de alguma obra.
Comentário: Na antiguidade, tratados filosóficos eram
colocados em forma de carta. Não são cartas de fato; na verdade a carta era uma
arte literária. Exemplos para isso são as cartas de Sêneca ou de Cícero. Para
essa forma literária foi se cristalizando o nome epístola. Ela deriva da
palavra grega epistole, que significa carta. Como forma literária,
no entanto, epístola não significa uma carta verdadeira, mas uma carta
simulada. No âmbito desse tipo de escritos antigos, há tratados que, na sua
extensão, são semelhantes às cartas maiores de Paulo (Romanos, 1 e 2
Coríntios). E as cartas de Paulo são epístolas? Na realidade não o são. Quem as
lê no seu contexto, percebe que não são tratados em forma de carta. Há menções
demais ao relacionamento pessoal entre o autor e os leitores. Esses escritos
estão por demais interligados com a história de vida comum deles. As cartas de
Paulo não são simuladas; elas são escritos reais de aconselhamento. Aspectos
que são evidentes nas cartas de Paulo, nas outras cartas do NT necessitam de
explicação em cada detalhe. Poderíamos considerar um ou outro escrito (por ex.
Hebreus ou 1 João) um tratado em forma de carta, para o chamarmos de
epístola.
2. Conteúdo. O conteúdo de Romanos trata de alguns temas
bem específicos, como por exemplo, a pecaminosidade do homem, a salvação de
Deus, a justificação pela fé e a graça divina. Logo depois das palavras de
saudação observamos a seção que trata sobre a manifestação da justiça de Deus
mediante a fé (Rm 1.18-4.25). Paulo mostra a necessidade espiritual que os
gentios, judeus e toda a humanidade têm da salvação de Deus. Paulo também
mostra nos capítulos 5 a 8 (5.1 — 8.39), a ação santificadora do Espirito Santo
no processo da salvação. É destacado aqui o resultado prático do Evangelho na
salvação do crente. Através do Espírito Santo o crente experimenta a paz com
Deus. Nos capítulos 9 a 11 encontramos a teologia paulina a respeito do
tratamento de Deus para com Israel, o seu povo. São revelados três aspectos do
tratamento de Deus para com Israel - passado, presente e futuro. Na última seção
Paulo mostra o lado prático do Evangelho na transformação de vidas (12 a
15.13). A conclusão da carta, tratando do empreendimento missionário do
apóstolo e algumas recomendações finais, estende-se do capítulo 15.14 ao 16.27.
Comentário: “O texto desta surpreendente epístola nos apresenta, de forma progressiva, a
compreensão que seu autor tem da expressão de Habacuque 2:4: “O justo viverá
pela sua fé”. Apresentando de outra forma esta expressão-chave,
redigi-la-íamos, de forma livre, assim: “aquele que pela fé é justificado, terá
vida eterna”. A Bíblia na Linguagem de Hoje fornece a seguinte tradução:
“Viverá aquele que, por meio da fé, é aceito por Deus”. A carta de Paulo aos
Romanos, como um todo, pode ser dividida nas duas partes: uma parte doutrinária
(capítulos 1 a 11) e outra prática (capítulos 12 a 16). Dentro da parte
doutrinária, Paulo desenvolve de forma soberba seu tema introdutório, deixando
para a parte prática recomendações de santidade. Essa primeira parte, divide-a
ele em dois segmentos. O primeiro, trata da iniciativa de Deus em relação à
redenção humana (“aquele que pela fé é justificado)”, onde desenvolve os temas
da justiça de Deus em condenar o pecador, da indesculpabilidade humana, da
justificação do pecador e da aceitabilidade do homem diante de Deus, através da
fé. O segundo segmento, (“viverá”), fala da vida prometida aos justificados por
Deus, incluindo aí as expectativas de Deus quanto à resposta humana à sua
iniciativa de amor. Para desenvolver sua primeira parte do argumento, Paulo
mostra que todos os homens precisam de salvação, porque, judeus ou não-judeus,
todos são pecadores diante de Deus. Nesse movimento de raciocínio, o Apóstolo
demonstra que tanto os homens depravados quanto os moralistas ou mesmo os
religiosos são culpados diante de Deus. Uns pecaram sem conhecer a lei de Deus,
e serão julgados de forma condizente; outros pecaram contra a lei de Deus, e
serão julgados mediante a mesma. Dessa forma, Paulo conclui que “não há justo,
nem sequer um” (3:10). Assim, se alguém tiver que ser justificado diante de
Deus, não o será por meio de obras, mas tão somente pela sua graça, que é capaz
de tornar justo o ímpio. Desta forma, Deus é apresentado como justo e
justificador daquele que crê em Jesus. Segue-se, ainda na parte doutrinária,
uma exposição do poder de Deus em santificar o crente (capítulos 5 a 8) onde
apresenta os temas da paz com Deus, da união com Cristo, da libertação do
domínio da lei, da vida no Espírito e da vitória pelo Deus da graça. Abre-se,
então, um parêntesis no veio principal da argumentação do autor, onde se
apresentam temas difíceis, relacionados à justiça de Deus na história humana (capítulos
9 a 11). Nesse parêntesis Paulo trata, com exemplos da história de Israel, da
questão da soberania Divina, em contraposição à liberdade e responsabilidades
humanas, colocando frente-à-frente, sem resolvê-los, temas aparentemente
contraditórios e inconciliáveis como um Deus soberano que, todavia,
responsabiliza o homem por seu mau caminho. Deixa, contudo, uma luz final,
dizendo que o propósito final do Altíssimo é o de “usar de misericórdia para
com todos” (11:32). Segue-se a parte prática da carta que, iniciando no
capítulo 12, segue até ao final, com recomendações à santidade e obediência na
vida diária coletiva e individual. Nesta parte, após uma introdução na qual
apela por consagração integral do cristão (12:1, 2), desenvolve recomendações
de que o cristão se faça servo, seja no uso adequado dos dons, seja no uso do
amor que vence o mal (12:3-21); de que o cristão se porte adequadamente como
cidadão (13:1-14); de que o cristão manifeste sua salvação junto à igreja, seja
no manejo da liberdade, seja no uso do amor altruísta (14:1-15:21).
3. Propósito. Uma leitura cuidadosa de Romanos nos mostra
que essa carta não possui apenas um único propósito, mas vários. O principal,
segundo a Bíblia de Estudo de Aplicação Pessoal é “apresentar
Paulo aos romanos e sintetizar a mensagem do apóstolo, antes de sua chegada a
Roma”. Todavia, podemos também destacar os seguintes propósitos: o apóstolo
deseja fazer da igreja romana uma base missionária a fim de que ele pudesse
chegar até a Espanha (Rm 15.24,28); fica evidente também que o apóstolo está
imbuído da defesa do Evangelho que ele pregava. Assim, as acusações de que
Paulo promovia um anti-judaísmo não procedem, pois a carta também tem um propósito
apologético e pastoral, como podemos verificar nos capítulos 14 e 15.
Comentário: Paulo não conhecia a igreja em Roma,
entretanto, intentando ir à Espanha, evangelizar, (Rm 15.24) espera visitá-la
no caminho, assim como tê-la como um apoio em sua empreitada. É uma carta para
apresentar-se, isto é, discorrer sobre seu ministério e entendimento do
evangelho, que são suas credenciais, assim como solicitar apoio financeiro e
logístico para sua viagem missionária até a Espanha. Viagem esta que nunca
aconteceu, Paulo foi a Roma como prisioneiro e lá foi morto. Paulo agradece a
Deus pela fé dos romanos, que se tornou conhecida em todo o mundo. Paulo pedia
que Deus permitisse sua visita a Roma. Este exemplo nos ensina uma lição
importante sobre a oração. Paulo escreveu esta carta perto do final de sua
terceira viagem, pouco antes de levar ofertas dos gentios aos irmãos
necessitados em Jerusalém. Ele falou dos seus planos e da sua vontade de fazer
outra viagem depois, passando por Roma e continuando até a Espanha (15.25-28).
Naturalmente, ele orava a respeito desses planos. De fato, Paulo chegou a Roma
aproximadamente três anos depois de enviar esta carta, mas não da maneira que
ele imaginava. Ele foi preso em Jerusalém, ficou mais dois anos na prisão em
Cesaréia, e chegou a Roma depois de uma viagem cheia de calamidades e perigos.
Quando oramos, devemos lembrar que Deus sempre atende as orações dos fiéis, mas
nem sempre da maneira que imaginamos!
SÍNTESE DO TÓPICO (II)
A Epístola aos Romanos foi escrita em
forma de diálogo. Ela trata de temas bem específicos e não possui apenas um
único propósito, mas vários.
SUBSÍDIO DIDÁTICO
Reproduza o quadro abaixo, e
utilize-o para apresentar de forma sucinta algumas informações que são
essenciais para a compreensão da Epístola aos Romanos.
III. VALOR ESPIRITUAL
1. Fundamentação doutrinária. A Epístola aos Romanos é considerada a mais
teológica dentre todas as outras escritas por Paulo. O forte conteúdo
doutrinário desta carta é sem dúvida o mais completo do Novo Testamento.
Romanos trata de alguns dos temas mais profundos do Cristianismo - as doutrinas
da chamada eleição, da predestinação, da justificação, da glorificação e da
herança eterna.
Paulo mostra à igreja que o pecador
pode encontrar a redenção na poderosa mensagem do Evangelho que é o poder de
Deus para salvação de todo aquele que crê. A Carta aos Romanos revela que é por
intermédio da graça de Deus, manifestada na pessoa bendita de Jesus Cristo, que
o homem pode ver corrigido o seu relacionamento com o Criador. A velha natureza
é subjugada na cruz e o Espírito Santo faz com que o poder da cruz agora emane
na vida do crente.
Comentário: À
medida que avançamos no estudo da Epístola de Paulo aos Romanos, duas
afirmações doutrinárias tornam-se evidentes. Primeira, o homem é
salvo mediante a graça de Deus, sem as obras da lei (Rm 3.24; 4.16; 5.2, 15 e
18). Segunda, a graça não autoriza o crente a pecar, para que seja
manifestada com mais profusão. Pelo contrário, libera o homem do poder do
pecado (Rm 5.20). O termo graça, é usado cerca de cem vezes nas epístolas
paulinas. Destas, vinte e quatro aparecem apenas em Romanos. Na Antiga Aliança,
o termo hebraico hesed corresponde ao sentido do Novo Testamento. Em diversas
passagens é traduzido por “favor”, “misericórdia”, “bondade amorosa”, ou “graça
que procede de Deus” (Êx 34.6; Ne 9.17; Sl 103.8; Jn 4.2).No contexto da
doutrina da salvação, charis é o dom ou favor imerecido de Deus, mediante o
qual os homens são salvos por meio de Cristo (Tt 2.14). Estudar a respeito da
graça de Deus implica descrever os principais ramos da doutrina da salvação; o
perdão, a salvação, a regeneração, o arrependimento e o amor divino. A graça de
Deus é dinâmica. Não somente salva, mas vivifica aqueles que estão destruídos
pelo pecado, capacitando-os a viver em santidade. O capítulo 6 de Romanos
mostra que a vida cristã requer santidade. Na igreja em Roma, muitos
acreditavam que, se a salvação é pela fé, então, cada um podia fazer o que bem
desejasse. Se a lei não salva, temos algum compromisso com ela? Paulo,
portanto, escreve para evitar o mal-entendido. Somos salvos pela graça, por
meio da fé). No entanto, a fé não anula a lei, mas a estabelece.
2. Renovação espiritual. Não há dúvida de que a igreja de Roma, a quem
a Epístola aos Romanos foi endereçada, experimentou uma tremenda renovação
espiritual mediante a sua leitura. Todavia, o renovo espiritual advindo da
leitura desta carta pode ser visto na vida de muitos crentes ao longo da
história da Igreja. Tomemos como exemplo Agostinho, bispo de Hipona, que teve
sua vida mudada quando leu Romanos 13.13. Por outro lado, Matinho Lutero, o
grande reformador alemão, foi desafiado a romper com a tradição católica quando
também leu a Carta aos Romanos. John Wesley também testemunhou forte renovação
em sua vida através da leitura do comentário dessa Carta, escrita pelo
Reformador.
Comentário:Podemos dizer, sem exageros, que Romanos foi
responsável por levar Lutero à reforma. Lendo os versículos 16 e 17 do capítulo
1 desta carta, Lutero entendeu, pela iluminação do seu entendimento através do
Espírito de Deus, que os homens só podem ser justos diante de Deus se Deus
assim os declarar. O reformador alemão chamou esta epístola de ‘o principal
livro do Novo Testamento e o mais puro Evangelho’. O impacto que as magistrais
palavras desta carta causaram em Lutero fê-lo afixar na capela de Wittemberg
suas ‘noventa e cinco teses’. Outros estudiosos e fiéis têm encontrado
semelhante conforto e segurança salvífica ao perlustrar os temas doutrinários
contidos em Romanos: A justiça divina; a universalidade do pecado; a fé; a
salvação; a justificação; a santificação; Adão e Cristo; a salvação de Israel;
e o ministério cristão. Antes mesmo do reformador, Romanos teve um papel
primordial na conversão de Agostinho de Hipona. Não somente Lutero e Agostinho,
mas também João Calvino deve ser lembrado quando se trata da importância
histórica desta carta. Seu comentário de Romanos é ainda hoje estudado e levado
em conta por sua excelência exegética e clareza. De fato, o próprio Calvino se
vê em uma séria missão ao interpretar a escritura, declarando que isso não é um
mero jogo.
SÍNTESE DO TÓPICO (III)
O valor espiritual da Epístola aos
Romanos é imenso. Ela é considerada a mais teológica dentre todas as outras
escritas por Paulo.
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“Paulo destaca alguns aspectos
principais na carta aos Romanos. A doutrina da salvação é apresentada dentro de
alguns itens especiais: o teológico (1.18—5.11); o antropológico (5.12—8.39); o
histórico (9.1—11.36) e o ético (12.1—15.33). Esse plano alcança toda a obra e
contém verdades incontestáveis e irremovíveis.
Na esfera teológica. Paulo apresenta
a condição perdida dos homens, sem a mínima possibilidade de salvação por
méritos próprios. Logo depois, Cristo é a solução, visto que, por meio de sua
morte, todos podem ser justificados da condenação. O pecador é justificado
mediante a obra expiatória de Jesus Cristo.
Na esfera antropológica. A ilustração
do primeiro e segundo Adão, coloca o crente de frente a uma nova realidade
espiritual. O primeiro Adão foi vencido pelo pecado, mas o segundo o venceu por
todos os homens. Em Cristo, o homem assume um novo regime de vida sob a
orientação do Espírito Santo” (CABRAL, Elienai. Romanos: O
Evangelho da Justiça de Deus. 8ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.17).
CONCLUSÃO
Uma visão
panorâmica da carta de Paulo aos Romanos permite-nos vislumbrar a terrível
situação espiritual na qual se encontra a humanidade depois da Queda. É algo
desesperador. Todavia, a Carta mostra, de forma clara, que Deus por intermédio
do seu amor gracioso, que ultrapassa todo o entendimento, veio ao encontro dos
pecadores para oferecer-lhes perdão e restauração através de Jesus Cristo, seu
bendito Filho. É Ele que, através de seu sacrifício vicário, tirou a raça
humana das trevas do pecado e deu a oportunidade ao pecador de viver uma nova
vida no poder do Espírito Santo.
Comentário: O evangelho é o poder de Deus revelado no seu
filho, Jesus Cristo; o Rev Hernandes Dias Lopes escreve sobre qual é a natureza
do evangelho: “O evangelho trata das boas novas de salvação num mundo imerso na
mais completa perdição. O homem morto em seus delitos e pecados é escravo da
carne, do mundo e do diabo. É filho da ira e caminha para a perdição. Está no
reino das trevas e sob a potestade de Satanás. Sem qualquer mérito existente
nesse homem, Deus o amou. Mesmo sendo inimigo de Deus, o próprio Deus caminhou
na sua direção para reconciliá-lo consigo mesmo por meio de Cristo Jesus. O
Evangelho, portanto, é Deus buscando o perdido. É Deus abrindo para o pecador
um novo e vivo caminho para o céu. O evangelho é a expressão da graça de Deus,
manifestada em Cristo, aos pecadores perdidos.”
Em
Romanos temos a essência desse evangelho, aqui Paulo afirma que o propósito da
morte e ressurreição de Cristo é trazer todos à obediência da fé (vs.5). O
homem que realmente aceita Cristo vai obedecer a Cristo e provar a sua fé.
Assim expressou-se Lutero acerca desta epístola: “Esta carta e verdadeiramente
a mais importante peça do Novo Testamento. É o evangelho mais puro.” Como
escrevi no começo deste comentário, foi através do estudo intenso e meditação
nesta carta que Lutero iniciou a reforma. Que, como Lutero e os outros
reformadores, possamos ser grandemente impactados pela mensagem de Romanos.
PARA REFLETIR
A respeito da Carta aos Romanos,
responda:
Quem é o autor da Epístola aos Romanos?
O apóstolo Paulo.
Quem auxiliou Paulo a escrever a Carta
aos Romanos?
Tércio.
Em que ano Paulo escreveu a epístola
aos Romanos e em que cidade ele se encontrava?
Paulo escreveu aos romanos
provalvelmente entre os anos 56 e 57 d.C, quando se encontrava na próspera
cidade de Corinto, capital da província romana de Acaia, no território da
Grécia.
De acordo com a lição, quais os
principais temas da Epístola aos Romanos?
Romanos trata de alguns temas bem
específi cos, como por exemplo, a pecaminosidade do homem, a salvação de Deus,
a justificação pela fé e a graça divina.
Qual o propósito principal da Carta aos
Romanos?
Uma leitura cuidadosa de Romanos nos
mostra que essa carta não possui apenas um único propósito, mas vários. O
principal, segundo a Bíblia de Estudo de Aplicação Pessoal é
“apresentar Paulo aos romanos e sintetizar a mensagem do apóstolo, antes de sua
chegada a Roma”.


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